O guardador de rebanhos Ventura e o Chega visto por dentro

Discurso André Ventura, ao fundo e na decoração. Partido unipessoal ou uma golden share do Opus Dei?

Podem acusá-lo de muita coisa.

Podem acusá-lo de afastar vozes incómodas, de ter apunhalado fundadores, de reforçar a ala religiosa católica ultraconservadora e de ter andado ao sabor do “ideólogo” Diogo Pacheco de Amorim, enquanto este esboçava ou sugeria parte das escolhas e órgãos do partido nos bastidores. Talvez tudo isso seja verdade. Mas André Ventura, reclamando a habitual inspiração que o leva a evocar uma missão divina, a cerrar os olhos compungido, a bater no peito e a ajoelhar-se diante dos fiéis, despediu-se do terceiro congresso do Chega, em Coimbra, no último fim de semana, aparentemente mais perto das nuvens e convencido de que o partido é “o novo sol de Portugal”.

O PSD habituou-se 46 anos a mandar na direita. Isso acaba hoje!

André Ventura Discurso de encerramento

Se dúvidas houvesse – e o espaço cénico ajudou –, ele afirmou-se como único pilar da família desavinda e prometeu-lhe o céu, caso os seus membros saibam “dar as mãos” e comportar-se aos olhos dos portugueses. “Queremos ser um partido de governo, mas primeiro temos de saber governar a nossa casa”, afirmou, no discurso de fecho do conclave, antes de dançar ao som de Nowhere Fast, canção do filme Streets of Fire.

Problemas à vista 

Estrada de fogo talvez seja mesmo o que o espera a nível interno a partir de agora. A pretexto de uma rotatividade que não aplica à sua própria liderança, Ventura afastou da vice-presidência e do núcleo duro da direção o fiel escudeiro Nuno Afonso, o peso-pesado das polícias José Dias, a líder da fileira evangélica Lucinda Ribeiro e o presidente do Chega na Madeira, Fernando Gonçalves, neste caso sem sequer informar o visado da decisão de o substituir. Todos, note-se, fundadores do partido. Só não conseguiu o pleno nos órgãos internos porque Luís Graça manteve a presidência da mesa do congresso, derrotando, após repetição da votação, o candidato Manuel Matias, tacitamente apoiado por Ventura.

Pilar Eleito com reforçada legitimidade, Ventura ainda consegue juntar o partido à sua volta. Mas há sinais de desagrado entre os fiéis

“Sou o militante número dois e sinto o Chega como meu também. É natural que esteja magoado e me sinta apunhalado”, afirmou à VISÃO Nuno Afonso, na sequência do seu afastamento. “O André fez o que achou melhor e está no seu direito. Mas nunca caminhou sozinho, ao contrário do que é sugerido no vídeo que passou no início do congresso”, assume o amigo de Ventura há mais de 20 anos, sem se deter: “Politicamente, cometeu um erro terrível. E isto vai custar-nos caro quando precisarmos de quadros com experiência. Creio que o André saberá melhor do que ninguém os riscos que correrá se fizer do Chega um projeto de poder pessoal.”

A relação gelou e Nuno Afonso demonstrou, por diversas vezes, no congresso, não estar para abraços. Ostensivamente, ignorou a maioria das intervenções do presidente, e quem o conhece garante haver um antes e um depois deste “corte”, apesar de continuar chefe de gabinete de Ventura no Parlamento, vogal na direção e de sonhar com o lugar de deputado. “Que ingratidão!”, disseram-lhe vários delegados durante a reunião magna, solidários. Nuno Afonso é a “caixa-forte” do Chega. Em todos os sentidos. Gere as contas bancárias do partido, guarda segredos delicados, é coordenador autárquico e candidato à Câmara de Sintra, mas aproveitou o congresso para ir dando sinais de querer libertar-se de responsabilidades.

Já não há (…) homem e mulher (há escolha de género), já não há pai e mãe (…) (há parentalidade). E isto com os nossos impostos

Luís Montenegro Moção setorial

José Dias é outro berbicacho. Ao contrário de Nuno Afonso, que apenas a sós criticava ou alertava Ventura, o sindicalista das polícias e candidato à Câmara da Amadora era a única voz incómoda nas reuniões de direção e não hesitava em falar grosso ao líder. José Dias foi também a ponte para o Movimento Zero e, com este desenlace, Ventura arrisca perder parte do prestígio que ainda tem nas forças de segurança. José Dias confrontou o líder olhos nos olhos, a partir do púlpito do congresso, e apresentou uma candidatura à liderança do conselho de jurisdição, sem sucesso. Quanto a Lucinda Ribeiro, não escondeu dos próximos o desgosto de se ver relegada para o conselho nacional com muitas lágrimas à mistura, vertidas atrás dos cenários das Caves de Coimbra. Gestora das primeiras páginas de apoio a Ventura nas redes sociais, multiplicou listas, contactos e inscrições no partido, sobretudo após a eleição do deputado. Era uma das fanáticas do líder (ainda será?) e a sua saída pode abrir um fosso enorme na relação com este setor religioso.

Solidários Pedro Frazão, vice-presidente e membro do Opus Dei, manifestou apoio a Israel e até recebeu uma Torá com dedicatória

Estas mudanças são atribuídas à grande influência de Diogo Pacheco de Amorim junto do líder, mas o próprio descarta responsabilidades e até vê a polémica como uma “saudável turbulência”. Terá partido dele a sugestão de mudar de caras e aplicou a si próprio a decisão, abandonando a vice-presidência. Influência não perde, pelo contrário: irá presidir a comissão política nacional, novo órgão e espécie de cenáculo destinado a aconselhar Ventura nas mais diversas matérias e estratégias, tendo em vista a participação do Chega numa eventual maioria governamental de direita. Para este “senado” privado do líder, Diogo convidou, entre outros, Miguel Félix da Costa (empresário), Orlando Monteiro da Silva (ex-bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários), Pedro José de Melo (empresário), José Cavaco (advogado), Miguel Corte Real (enólogo), Paulo Freitas Lopes (gestor, vice-presidente do International Club of Portugal), João Lobo de Campos (advogado) e António Coimbra (empresário). O novo órgão deverá começar a funcionar dentro de duas semanas.  

Unipessoal e “golden share”

Pelo menos durante algum tempo, o líder da nova direita radical populista reconquistou o direito reforçado de usar uma espécie de heterónimo pessoano para consumo interno (os delegados deram à sua direção renovada mais de 80% dos votos). Qual “guardador de rebanhos” do Chega, André Ventura personificou o primado do emocional em detrimento da reflexão e conduziu o partido por onde queria, tocando a reunir, com emoções fortes e gestos largos. “Pensar é estar doente dos olhos”, escreveu Alberto Caeiro. E a julgar pelos textos das moções votadas durante a madrugada de domingo, 30, havia mais ideologia e conteúdo em dezenas desses documentos do que nas sete páginas da moção de estratégia global do presidente do partido, dedicadas ao propósito de alcançar o poder.

Renovação Marta Trindade, Ana Motta Veiga e Rita Santos, rostos das mudanças no Chega

Um dos documentos, rejeitado pela maioria dos delegados após alguma celeuma, teve a virtude de estilhaçar a versão opaca da unidade na diversidade e de trazer o incómodo zunzum de bastidores para a mesa. Se o cenário escolhido para a reunião magna inspirava veleidades casamenteiras, a moção de Luís Alves, ex-dirigente do núcleo de Sintra, revelou, isso sim, o divórcio latente entre correntes internas. Segundo aquele delegado, as “pessoas comuns” do partido estarão cansadas de ser “manipuladas pela suposta direita cristã”, pelos “lóbis da Opus Dei ou do famoso centro-direita, que é aquela área da política que se deita com Deus e acorda com o diabo”. Para o militante, o Chega “não pode ser o refúgio de lobistas, de oportunistas e de escorraçados e de gente que, nunca tendo ganho uma eleição, vem para aqui impor-nos as suas ideias e as suas agendas próprias sem respeito pelos militantes que são na génese a sua essência”. Além destas referências explícitas, a moção era um recado aos ex-dirigentes do Partido Pró-Vida, de Manuel Matias, que se fundiu com o Chega, e, sobretudo, do Aliança. A intervenção foi contestada violentamente, mas o engenheiro ambiental e ex-dirigente da Juventude Centrista não se deteve. “Vivi o período de transição do apartheid para o regime democrático na África do Sul. E tínhamos as câmaras da verdade e da reconciliação. Mas isso não funciona num congresso de albinos, pois os albinos não pensam: funcionam como carneiros, vão atrás da ovelha negra. Não há outra forma de definir este congresso”, explicou à VISÃO. Para ele, o problema do Chega não é ser ou não ser de extrema-direita. “Nós somos um partido de fanáticos religiosos. Você está a falar com uma pessoa de direita que é contra a criminalização do aborto. E esta gente está aqui para reverter as leis do aborto e criminalizar mulheres que podiam ser minhas filhas, que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde porque não têm planeamento familiar, que nunca souberam o que era ter um médico de família, e que, em Rabo de Peixe (Açores) ou Monte Abraão (Sintra), muitas vezes não têm outro remédio senão fazer isso”, explicou, reforçando: “O que está aqui em causa é fanatismo religioso. Há uma componente ortodoxa, Opus Dei, que sai reforçada do congresso. Os evangélicos foram corridos. A companheira que os representava, a Lucinda Ribeiro, foi afastada da forma mais vil e desrespeitosa, estou à vontade porque nem sequer pertenço a esse setor. Neste momento, o Opus Dei é quem manda no Chega. Fica claro que não é mais do que uma coligação de partidos e o André Ventura está no Parlamento por causa do PPV, como, aliás, foi dito na contestação à minha moção. Com isso, ficaram com uma golden share no partido, batem no peito, falam de Deus a toda a hora e o próprio André diz que foi posto no cargo por inspiração divina. Mas não: foi posto aqui porque tem uma retórica extraordinária e consegue fazer o impensável: dar facadas nos amigos que tem há 20 anos”, considera Luís Alves, sem se esquivar à pergunta sobre o projeto de poder que estará em marcha. “Como vivo na parte saloia de Sintra e temos lá o humorista Guilherme Leite, vou responder como ele responderia: o deputado da Cofina que fez no Chega uma empresa unipessoal tem o protagonismo que a sociedade lhe dá. Isto é tudo contra aquilo que mobilizou milhares de pessoas a aderir ao Chega, mas não acaba hoje”, promete.

Um partido bipolar?

O veterinário Pedro Frazão é a nova estrela no firmamento do Chega.

Neste congresso foi convidado para a vice-presidência, notado pela exibição da bandeira de Israel e pelo facto de ter recebido de um amigo, judeu ortodoxo, e possível candidato do partido a uma freguesia, um exemplar do livro sagrado, a Torá, com uma dedicatória.

Pedro nem sequer faz de conta que a referência ao Opus Dei não lhe era dirigida. “Sempre assumi a minha ligação à prelatura, embora isso me traga muitos dissabores”, admite. Mas não deixa a alusão sem resposta: “Porque não se fala dos membros da Igreja Maná que estão no partido? E dos evangélicos ou dos elementos da maçonaria, que também os temos?”, questiona. “Não aceito ser julgado pelas minhas opções religiosas, mas sim pela minha dedicação ao partido”, explica, recusando a existência de um problema religioso no Chega.

III Congresso: “best of”

Altos e baixos do conclave. E alguns segredos.

NUNO AMUA
De forma ostensiva, Nuno Afonso abandonou a sala no primeiro dia quando Ventura falava. Passou o fim de semana a ouvir elogios. E a receber solidariedades.

SALVINI… SALVA
Um dos raros momentos de paz foi quando entrou o líder da Lega na sala. Os elogios de Matteo Salvini a Ventura uniram o partido. Depois voltou tudo a incendiar-se com a repetição das eleições para a mesa do congresso.

LAÇOS DE FAMÍLIA
O apelido foi suprimido, mas a inclusão de Ana Dias Pinto, mãe de Ricardo Regala, dirigente e diretor de protocolo, na lista que ganhou o conselho de jurisdição nacional causou mal-estar nos corredores.

AFINAL, HÁ PERFIS FALSOS
Manuel Matias, assessor parlamentar, disse ter sido vítima de ataques de membros do partido através de perfis falsos nas redes sociais. Para um partido que sempre os negou, a notícia é bem-vinda.

Oito filhos, confesso seguidor dos ensinamentos de Madre Teresa de Calcutá – “se queres mudar o mundo, vai para casa e ama a tua família” – e sem qualquer experiência política anterior, Pedro Frazão reconheceu à VISÃO ter ficado algo “desconfortável” com os gritos, insultos e pateadas que foi escutando ao longo do congresso de Coimbra. As dores de crescimento do partido, admite, talvez expliquem alguns comportamentos, mas não justificam tudo. “Sou de uma direita conservadora e, portanto, quero que a lei e a ordem sejam respeitadas. Temos de aprender a falar de forma civilizada, sem violência verbal ou ataques pessoais”, assume, até pelo facto de, “em breve”, o Chega poder ser chamado a outras responsabilidades no País. Ainda assim, há um “outro” Pedro Frazão nas redes sociais, politicamente agressivo, com insinuações picantes sobre os adversários e partilhas polémicas, nomeadamente as relacionadas com as teorias da conspiração do movimento norte-americano de extrema-direita QAnon. “Eu próprio tenho de me moderar”, reconhece, sem deixar de lembrar que também é vítima de bullying digital e, por vezes, confessa, é difícil não responder. Exemplo disso são as mensagens que mostrou à VISÃO, onde alguns internautas partilham a sua morada nas redes sociais e sugerem que se passe “lá em casa” para ajustar contas com o dirigente do Chega.

Infelizmente, não posso concordar que os inimigos estejam todos lá fora

Rui Paulo Sousa Dirigente nacional

Não se pense, porém, que o caso de Pedro Frazão é único no Chega.

Na verdade, vários militantes e dirigentes parecem assumir uma espécie de alter ego violento no Facebook, no Twitter e no WhatsApp que vai muito para lá do combate político intenso, embora assumam um tom cordato e civilizado nas suas andanças pelos corredores, salas e mesas do congresso. De resto, os ataques internos podem ser tão esganiçados, ou mais, do que as palavras, mensagens e imagens dirigidas aos adversários nas redes sociais. Fernanda Lopes Marques e Manuel Matias, dois dirigentes nacionais de relevo, disseram ao congresso ter sido vítimas deste tipo de campanhas promovidas por colegas de partido, de forma anónima ou frontal. Aquela dirigente, que presidiu a última comissão de jurisdição nacional, refere mesmo “um alto nível de litígios” e “conflitualidade interna”, exemplificados nas 718 queixas que deram entrada naquele órgão, “doze vezes mais dos que nos outros partidos”. Ela própria se queixou de “ataques vis”, situações de “apedrejamento moral” e “ameaças sujeitas a tratamento criminal”. Quanto a Manuel Matias, garantiu que ele e a família tinham sido objeto, já durante o decorrer dos trabalhos do congresso, de ataques internos “através de perfis falsos”.

Salvini, o convidado especial

Foi nos intervalos deste clima algo incendiário e de períodos de algum debate de ideias sem mácula que Marta Trindade, candidata à Câmara do Barreiro, soube que André Ventura a tinha escolhido para a vice-presidência do partido. “Na verdade, soube pelo Observador”, sorri a arquiteta de profissão, um tanto encabulada e ainda sem ter recuperado de uma noite sem dormir. Explique-se: ela admite que a defesa da sua moção sobre segurança interna, bastante aplaudida, tenha ajudado o líder a decidir-se. Ou talvez tenham sido valorizados “a dedicação à distrital de Setúbal” e os elogios que foi ouvindo à sua “capacidade de trabalho”. Ou então talvez tenha sido tudo isto junto, quem sabe? Ventura sondou-a para integrar a direção, mas nunca lhe disse para o que era. Quando leu a notícia de que iria ser vice-presidente, ninguém ainda lhe tinha dado mais detalhes. Mais tarde, confirmou-se. Mas ela já não conseguiu dormir.

O uso do uniforme escolar deve ser obrigatório tanto no ensino público como no ensino privado

Filipe Melo Moção de estratégia

Na vida, já fez algumas asneiras políticas, sobretudo na juventude. “Uma delas foi ter votado PS”, ri-se. Agora vai calcorrear os caminhos da candidatura ao Barreiro, procurando corrigir “injustiças gritantes” e “combater um clima de criminalidade violenta branqueada pelo atual executivo. Temos um nicho da população com o pavio curto”, admite a ex-atleta federada de basquetebol. Sem ilusões, Marta Trindade considera que o terreno autárquico começa a ficar maduro para as ideias do Chega, mesmo em municípios com currículo retinto de esquerda. “Sou filha de um operário, não pertenço à elite capitalista e confesso que já não suporto ouvir falar de fascismo, sobretudo por parte de gente que nem sabe o que foi o fascismo”, desabafa. Não por acaso, ela tem alguns ex-militantes do PCP na sua lista e pode comprová-lo a quem duvidar.

Peregrinos No day after do congresso, Ventura foi anfitrião de Salvini, em Fátima. E até acenderam velas…

Marta Trindade é apenas um dos exemplos da dita renovação de rostos – e de género – que André Ventura promoveu na direção do Chega. Outra nova vice-presidente é também arquiteta, neste caso do Porto, e já saiu e voltou a entrar no partido. Ana Motta Veiga não foi ao último dia de congresso e recusou falar à VISÃO sobre o partido. Há uns tempos, aborreceu-se com as polémicas e as controvérsias que escaldaram o ambiente na distrital da Invicta e abandonou a militância. Voltou agora, mas tão silenciosa como saiu. Outra mulher em ascensão no partido é Rita Matias, coordenadora provisória da Juventude Chega e gestora das redes sociais do partido, que tem como orientador da sua tese universitária – sobre o processo de integração do Chega na sua família política europeia – o investigador, especialista nas direitas portuguesas e autor de um livro sobre o partido, Riccardo Marchi. Apesar da auréola com que saiu do congresso, Rita foi visada nos últimos dias a propósito do suposto plágio de um discurso de Giorgia Meloni, líder do movimento radical de direita Fratelli D’Italia. Embora haja evidentes semelhanças entre o conteúdo da intervenção de Meloni num evento sobre as famílias e as palavras de Rita Matias no congresso do Chega, a jovem reage, indignada: “É ridículo e lamentável”, afirma. “Quem ouvir atentamente o meu discurso e o da Giorgia Meloni facilmente se apercebe de que a minha intervenção é muito mais abrangente.”

Portugal é hoje uma autêntica fábrica de legalização de imigrantes

Nelson Dias da Silva Conselheiro nacional

Foi, de resto, graças à presença de outro italiano, Matteo Salvini, líder dos extremistas da Lega, que o congresso do Chega em Coimbra teve um dos seus momentos de exaltação, para gáudio dos cerca de 400 delegados. O convidado especial profetizou um futuro brilhante para Ventura no eventual governo de direita em Portugal. Mas também lembrou, tal como militantes e dirigentes do Chega tinham feito durante três dias, que “os inimigos estão lá fora”. Mal terminou a sessão de selfies e abandonou a sala, o Chega voltou a engalfinhar-se a propósito da repetição das eleições para a mesa do congresso. Era já o final da tarde de domingo e Filipe Melo, líder distrital de Braga, não calou a revolta com o burburinho, enquanto aguardava na fila. “Calem-se, resolvam isso noutro sítio! Isto sai tudo lá para fora, o País está a ver-nos.” A comitiva da Igreja Maná é que não. Liderada pelo bispo Jorge Tadeu, acabou por não comparecer, apesar da “honra” e da “suma importância” do evento.

Rostos para seguir
Vencedores uns, perdedores outros, a verdade é que a história do congresso pode não acabar aqui

Diogo Pacheco de Amorim – Assessor parlamentar, presidente da comissão política nacional
Foi o orquestrador de várias mudanças na direção e presidirá o novo órgão que reúne personalidades que irão aconselhar a direção. Saiu da vice-presidência, mas o seu poder é maior do que nunca.

Pedro Frazão – Veterinário, vice-presidente
Opus Dei assumido, foi visado indiretamente no congresso por causa da ascensão a “vice” de Ventura. Delicado e conciliador, tem uma atitude que contrasta com o “alter ego” nas redes sociais, onde entra a “pés juntos” e, por vezes, ultrapassa as fronteiras do combate político.

Nuno Afonso – Chefe de gabinete de Ventura, coordenador autárquico
A amizade e a cumplicidade políticas com o líder ficaram abaladas com a saída da vice-presidência. Sempre protegeu Ventura das balas, mas foi apunhalado e queixou-se. É a “caixa-forte” do Chega. Em todos os sentidos.

José Dias – Sindicalista da PSP, candidato à Câmara da Amadora
Era “vice” e foi dispensado. Não gostou e disse-o ao líder. Voz incómoda na direção, afastá-lo pode pesar no prestígio do deputado junto das forças de segurança. E, convém não esquecer, José Dias foi um dos promotores do Movimento Zero.

Palavras-chave:

Mais na Visão

LD Linhas Direitas
LInhas Direitas

A vaga de Lisboa e a que está a chegar ao Porto

O nosso único problema, nesta fase, é saber, ou tentar adivinhar – é mesmo adivinhação – se depois desta ainda vamos apanhar com a quinta, lá para o fim do ano, início de 2022

Política

Constitucionalistas dividem-se sobre legalidade de restrições à circulação em Lisboa

Área Metropolitana de Lisboa estará "fechada", neste fim-de-semana, para tentar conter propagação da Covid-19. Sem estado de emergência em vigor, dois constitucionalistas ouvidos pela VISÃO divergem entre encontrar justificações suficientes ou não para esta medida na Lei de Bases da Proteção Civil

Sociedade

Menino desaparecido em Proença-a-Velha encontrado com vida

Mãe deu o alerta na manhã desta quarta-feira e foram encontradas peças de roupa de Noah e a cadela da família, mas a criança de dois anos e meio continuou desaparecida até agora

Política

Ir de férias com Lisboa fechada? Governo diz que para o estrangeiro pode ir, em Portugal não procure "exceções"

Ministra da Presidência pediu aos portugueses para respeitarem a proibição de circulação entre a Área Metropolitana de Lisboa e o resto do País, ao fim-de-semana. Se tinha férias marcadas procure fazer a viagem a um dia útil

Sociedade

O fogo foi apagado, a memória do horror não. 23 imagens para lembrar o incêndio de Pedrógão, quatro anos depois

O violento incêndio que deflagrou precisamente há quatro anos, no concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, provocou a morte a 66 pessoas, no mais mortífero fogo registado em Portugal

OLHO VIVO

"António Costa tem a política de sorrir e acenar, como os pinguins de Madagáscar"

Os principais assuntos da atualidade comentados pelo painel de olheiros residente. Na lista de hoje: a quarta vaga da pandemia e a crise em Lisboa, as dores de cabeça de António Costa, o Russiagate, a TAP, a bazuca

Política

Governo prepara travão no desconfinamento e proíbe circulação de e para Lisboa ao fim-de-semana

Próxima fase do plano, prevista para a próxima semana, “dificilmente se pode verificar", assumiu a ministra da Presidência. Lisboa mantém-se no mesmo patamar, mas com uma nova regra

Sociedade

A estratégia da China para colocar humanos em Marte e com uma "econosfera"

A China está a estudar a melhor estratégia para realizar missões sustentáveis a Marte com o objetivo de potenciar uma permanência mais prolongada dos astronautas

Visão Saúde
VISÃO Saúde

Covid-19: Os portugueses estão a comer melhor, confiam no sistema de saúde, mas mais de metade esteve esgotado ou à beira do burnout

As conclusões de um estudo europeu sobre saúde revelam ainda que os heróis da pandemia são os profissionais de saúde e que a maior preocupação foi estar longe da família e amigos, mais do que ficar infetado

Visão Saúde
VISÃO Saúde

Covid-19: Vacinação sem agendamento disponível para pessoas com mais de 55 anos

A vacinação contra a covid-19 sem necessidade de agendamento passa a estar disponível para as pessoas com pelo menos 55 anos, anunciou hoje a 'task force'

Exame Informática
EI TV

Continente Labs, como vai ser o supermercado do futuro

Estivemos na loja futurista do Continente onde é possível entrar, colocar os produtos no bolso e sair, sem ter de enfrentar filas ou caixas de pagamento. Conheça melhor o sistema de câmaras, sensores e toda a tecnologia que possibilita esta ida ao supermercado inovadora.

Sociedade

Covid-19: Centros de vacinação em Lisboa com horário alargado a partir de segunda-feira

Os centros municipais de vacinação de Lisboa vão passar a funcionar mais uma hora por dia, a partir de segunda-feira e, em julho, estarão abertos 14 horas diárias, das 08:00 às 22:00, incluindo fins de semana, foi hoje anunciado