O que fazer com as suas poupanças? Os investimentos mais e menos arriscados

Foi por causa de uma pergunta provocadora que se pode dizer, com elevado grau de certeza, que as taxas de juro globais nunca foram tão baixas como nos últimos anos. Depois de ter feito esta afirmação numa comissão parlamentar, Andy Haldane, antigo economista-chefe do Banco de Inglaterra, foi questionado por um colega sobre se tinha a certeza de que, na civilização babilónica, os juros não eram mais baixos. Desafio aceite. E, num discurso proferido em 2015, o ex-responsável do banco central britânico referiu: “Depois de vários assistentes de investigação exaustos, posso agora informar que, por sorte, eu estava em terreno seguro e as taxas de juro aparentam situar-se em níveis mais baixos do que em qualquer altura dos últimos cinco mil anos.” De 2015 para 2021, as taxas afundaram ainda mais e, em alguns casos, para valores negativos.

O custo do dinheiro nunca foi tão baixo – e isso tem implicações profundas na forma como se pode fazer crescer as poupanças. Muito provavelmente, este tem sido um dos períodos mais difíceis para rentabilizar o dinheiro investido em aplicações de baixo risco, como depósitos bancários e produtos de dívida do Estado, que acompanham as taxas de juro e, portanto, pouco ou nada rendem. Ao mesmo tempo, a probabilidade de se fazer dinheiro em ativos de alto risco, como ações e imobiliário, também nunca terá sido tão alta como nos últimos tempos. Para lidar com as sucessivas crises que afetaram a economia global, os maiores bancos centrais mundiais cortaram as taxas de juro para mínimos e têm comprado biliões e biliões de ativos como obrigações de países, de empresas e de bancos, conduzindo à sua valorização. O objetivo é assegurar que o dinheiro continua a fluir e que as condições de crédito sejam favoráveis, de modo a apoiar o investimento e a recuperação da economia.

Essas medidas ajudaram a superar o choque provocado pela pandemia. Mas têm um reverso da moeda. Sem alternativas seguras para fazer crescer as poupanças, investidores e aforradores são encorajados a procurar caminhos mais arriscados para impedir que a poupança tenha um retorno abaixo da inflação, isto é, para impedir que o dinheiro perca valor ao longo do tempo. Este contexto não é favorável para a maior parte dos aforradores portugueses, já que optam por aplicações conservadoras e de baixo risco. Isso foi visível nos últimos meses, em que a poupança bateu máximos em Portugal. O choque pandémico levou os portugueses que conseguiram preservar rendimentos a poupar mais, seja por falta de opções onde gastar o dinheiro devido às restrições causadas pela Covid-19, ou por uma abordagem mais cautelosa em relação ao futuro. Mas a esmagadora maioria desse dinheiro foi canalizada para depósitos.

António Ribeiro, analista da Deco Proteste, afirma à VISÃO que o “cenário é bastante negativo para quem apenas coloca o dinheiro em produtos de poupança, de capital garantido, porque provavelmente vai ver mesmo as suas poupanças perderem valor”. Isso pode agravar-se, já que a inflação tem subido, o que faz aumentar a perda real das poupanças paradas em depósitos. A solução pode passar por diversificar mais e por produtos que, embora comportem algum risco, oferecem algum potencial de valorização. “Ficar com todo o dinheiro ‘parado’ não é a opção acertada a longo prazo”, refere Miguel Gomes da Silva à VISÃO. O head of treasury and trading do Banco Montepio e autor de vários livros sobre investimento explica que, “quando aumentamos o horizonte temporal do nosso investimento, devemos diversificar a nossa carteira de ativos, tendo presente que, historicamente, as ações incluídas em índices internacionais apresentam melhores taxas de retorno do que as taxas de juro sem risco”

Não há fórmulas mágicas para fazer crescer o dinheiro de modo rápido e sem risco, mas há estratégias para se construir carteiras de investimento equilibradas e ajustadas ao perfil de risco, que fazem subir as probabilidades de valorizar a poupança no longo prazo. “No fundo, a chave está em encontrar um equilíbrio – definir um nível de risco-retorno apropriado que permita ao investidor alcançar os respetivos objetivos financeiros”, sintetiza Miguel Gomes da Silva. A VISÃO apresenta-lhe algumas das alternativas mais populares entre os portugueses, assim como as perspetivas que os especialistas têm para esses produtos.

PPR

Poupar para a reforma com benefício fiscal

Os Planos Poupança Reforma (PPR) têm sido uma opção popular entre os portugueses. Mas estes produtos não são todos iguais. Há PPR sob a forma de seguros, que são mais conservadores e garantem o capital investido, e há também fundos de investimento PPR. O nível de risco diverge bastante, e está dependente do peso que as ações têm na carteira de cada um destes fundos. Uma das vantagens dos PPR é o benefício fiscal, que pode chegar até 20% do investimento feito. No máximo, essa dedução no IRS pode chegar aos 400 euros para subscritores até 34 anos, a 350 euros para aforradores entre 35 e 50 anos e a 300 euros para os que têm mais de 50 anos. No entanto, isso obriga a que o investimento seja feito para o muito longo prazo, já que, para evitar penalizações, os PPR apenas podem ser resgatados em condições específicas: caso se atinja os 60 anos de idade e o produto tenha sido subscrito há, pelo menos, cinco anos; ter-se chegado à reforma; necessitar-se do dinheiro para pagar uma prestação de crédito; em situações de desemprego ou no caso de uma doença grave. António Ribeiro defende que “é cada vez mais necessário antecipar a criação de um complemento de reforma”, devido à perspetiva de corte nas pensões, nas próximas décadas. E, para esse fim, o analista da Deco Proteste recomenda a “subscrição de PPR, que é o produto mais simples, existindo uma grande variedade de produtos para várias bolsas e para vários níveis de risco”. A escolha do PPR mais adequado depende também da idade do aforrador. Quanto mais jovem, maior o risco em que se pode incorrer. “Se o horizonte temporal de investimento é o longo prazo, o segmento de ações deverá ter um peso relevante e os investimentos deverão ser realizados de uma forma faseada no tempo”, defende Sérgio Ruivinho, administrador executivo da SGF – Sociedade Gestora de Fundos de Pensões.

Depósitos

Segurança, mas com retorno quase zero

Os depósitos bancários são, historicamente, o instrumento de poupança de eleição dos portugueses. Desde o início da pandemia, esse estatuto foi reforçado, tendo o valor aplicado nesses instrumentos aumentado quase 18,7 mil milhões de euros entre fevereiro de 2020 e final de agosto deste ano, segundo os dados mais recentes do Banco de Portugal. O dinheiro aplicado em depósitos totaliza 169,3 mil milhões de euros. Além da sua simplicidade, estas aplicações têm um elevado grau de segurança, já que o capital é garantido e, mesmo no caso de existirem problemas num banco, o Fundo de Garantia de Depósitos compromete-se a reembolsar a totalidade do valor até ao máximo de 100 mil euros. O último inquérito realizado pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020, mostrou como este é, de longe, o produto preferido em Portugal. Dos 65% participantes que afirmaram ter poupado nos últimos 12 meses, 58,5% deixaram o dinheiro num depósito à ordem e 33,2% num depósito a prazo.

Contudo, no contexto atual, a segurança tem um custo. Os juros oferecidos pelos bancos, influenciados pela política monetária do BCE, estão bem abaixo da taxa de inflação de 0,9% prevista para este ano. O problema é que, segundo um levantamento da Deco Proteste, nenhum dos depósitos das maiores instituições financeiras oferece uma remuneração bruta acima daquele valor. O produto que propõe um juro mais alto é o depósito a prazo do Novo Banco net 360 dias, mas a remuneração bruta não vai além de 0,07 por cento.

Fora dos grandes bancos e na generalidade dos casos, apenas para novos clientes é possível encontrar depósitos com taxas brutas de 1% ou acima disso. Dois dos exemplos são o Best Bank e o BAI Europa, que oferecem depósitos a 3 meses com uma taxa anual nominal bruta de 1,5% e 1,1% (taxa líquida de 1,1% e 0,8%, respetivamente). Apesar de a esmagadora maioria dos depósitos ter atualmente juros muito próximos de 0%, esta aplicação continua a ser indicada para alocar parte da poupança que esteja reservada a um fundo de emergência, pois, além da garantia de capital e do muito baixo risco, tem liquidez imediata.

Certificados de poupança

Estado menos generoso

Os certificados de poupança do Estado foram também um dos destinos prediletos da poupança. No entanto, a descida a pique das taxas das obrigações soberanas portuguesas, nos últimos anos, levou a que o Tesouro fosse revendo em baixa os juros propostos neste tipo de produtos. A última alteração aconteceu em setembro deste ano. Os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento, lançados em 2017, foram substituídos pelos Certificados do Tesouro Poupança Valor – que oferecem uma taxa ilíquida que vai de 0,70% no primeiro ano até 1,60% no sétimo e último ano da aplicação. A taxa efetiva antes de impostos é de 0,99% para quem mantenha os produtos na totalidade do prazo (sete anos). A versão anterior destes certificados pagava uma taxa média anual de 1,35 por cento. Estes produtos oferecem ainda um prémio que varia em função do crescimento do PIB. Mas também essa componente desceu. Na versão anterior, havia um bónus equivalente a 40% do crescimento médio real do PIB a partir do segundo ano. Agora, essa bonificação baixou para 20% do crescimento do PIB e só começa a ter efeito no terceiro ano.

0,99%
Certificados do Tesouro
Taxa média anual ilíquida no prazo de sete anos

Ainda assim, e não obstante o corte na remuneração, os Certificados do Tesouro continuam a ter juros mais altos do que a generalidade dos depósitos bancários e podem ser alvo de resgate antecipado a partir do primeiro ano. Já os Certificados de Aforro que sejam subscritos em outubro oferecem uma taxa de juro ilíquida de 0,455 por cento. A esse valor acresce um prémio de permanência de 0,5% entre o segundo e o quinto anos da aplicação e de 1% entre o início do sexto ano e o décimo e último ano do produto. Este produto permite resgate antecipado ao fim dos primeiros três meses. No entanto, a retirada prematura de dinheiro dos certificados afeta o juro que se poderia obter com estas aplicações. Apesar das remunerações cada vez mais baixas, os aforradores portugueses continuam a canalizar poupança para estes produtos. Desde fevereiro de 2020, o montante aplicado em certificados de poupança aumentou 1,3 mil milhões de euros, elevando para mais de 30 mil milhões o dinheiro aplicado nestes produtos.

Obrigações

Juros baixos ou negativos

As obrigações, títulos de dívida de Estados e de empresas, têm apresentado taxas baixas e, em muitos casos, negativas devido à pressão compradora dos bancos centrais. Apesar de as autoridades monetárias estarem a segurar o mercado, as rentabilidades muito reduzidas e o elevado preço das obrigações levam a que esta classe de ativos esteja longe das preferências dos especialistas. “Num ambiente de taxas de juro tão baixas, os excessos de valorização a que assistimos no segmento das obrigações, nos últimos anos (fruto da atuação dos bancos centrais), dificilmente se poderão repetir num futuro próximo. O expectável processo de normalização das taxas nos próximos anos condicionará bastante os retornos para essa classe de ativos”, afirma Sérgio Ruivinho.

Também grandes gestoras de ativos internacionais, como a BlackRock ou a Schroders, recomendam atribuir uma ponderação mais reduzida às obrigações na carteira de investimento comparativamente às ações. Ainda assim, a BlackRock atribuiu uma visão positiva a obrigações norte-americanas que tenham as taxas de juro ligadas à inflação, dada a subida acentuada dos preços nos EUA. Já a Schroders prefere, nesta classe de ativos, as obrigações de empresas de boa qualidade nos mercados emergentes. Investir diretamente em obrigações pode ser complexo e exigir quantias avultadas, mas existem centenas de fundos e de ETF (um tipo específico de fundo) que permitem exposição a esta classe de ativos.

Nos últimos anos, porém, tem havido algumas emissões de obrigações no mercado português destinadas aos pequenos investidores e que implicam montantes mínimos de investimento relativamente baixos. As SAD de Benfica, Sporting e Porto têm estado ativas no mercado. A SIC também fez uma emissão este ano, e empresas como a TAP e a Mota-Engil têm ainda títulos de dívida para retalho ativos no mercado. Nestes casos, apesar de as rentabilidades aparentarem ser atrativas, convém analisar todos os riscos das empresas em causa e seguir o princípio da diversificação. Além disso, existem comissões cobradas pelos bancos que têm influência no retorno final. Também o Estado chegou a lançar obrigações para os pequenos investidores, as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável, mas há já alguns anos que não emite novos títulos deste tipo.

Fundos de investimento

Poder da diversificação

Estão disponíveis, em Portugal, centenas de fundos de investimento geridos por sociedades nacionais e estrangeiras. Desde produtos de baixo risco que investem apenas em depósitos até fundos muito arrojados que estão expostos às geografias mais exóticas. Uma das vantagens destes produtos é que permitem um elevado grau de diversificação com um valor de investimento relativamente baixo. A título de exemplo, o eleito pela consultora Morningstar como o melhor fundo estrangeiro de ações globais comercializado no País exige um investimento mínimo inicial de 2 500 euros (ver tabela). Por esse valor, ganha-se acesso a um produto que tem participação em mais de 100 cotadas mundiais. Além da diversificação, outro possível ponto forte destes produtos é o facto de terem equipas de gestão profissionais, especializadas nos mercados em que investem.

No entanto, há trabalho de casa a fazer antes de escolher um fundo. Primeiro, tem de se verificar se o nível de risco do produto e da sua política de investimento (que têm de ser divulgados por quem os comercializa) se adequa ao perfil do investidor. Por exemplo, um investidor conservador não deve escolher um produto que tenha uma grande componente de ações em carteira. A generalidade destes fundos dá uma indicação de qual o horizonte temporal ideal para o investimento, e esse fator deve também estar alinhado com os objetivos de quem pondera subscrever o fundo. Identificado o tipo de fundo em que se pretende investir, e dado o elevado número de produtos disponíveis no mercado, pode ser complicado selecionar a melhor opção. Apesar de ganhos passados não serem uma garantia de bons desempenhos no futuro, pode fazer sentido olhar para a rendibilidade ajustada ao risco nos últimos anos e para a experiência da equipa de gestão. Outro aspeto muito importante, capaz fazer uma grande diferença nas contas finais, são as comissões, já que podem diferir bastante.

Estes produtos também representam um destino relevante da poupança acrescida dos portugueses. Segundo dados da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), no final do ano passado ultrapassou-se, pela primeira vez em cerca de uma década, o milhão de investidores em fundos de investimento mobiliário. E, entre o início deste ano e final de julho, data dos números mais recentes da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP), as subscrições líquidas dos produtos geridos apenas por sociedades nacionais ultrapassam os 2,3 mil milhões de euros.

Além de fundos de investimento tradicionais, há outra opção semelhante que tem sido cada vez mais popular e que inclui um alargado leque de oferta: os fundos negociados em bolsa (ETF, na sigla em inglês). Estes instrumentos replicam o desempenho de um índice como o PSI-20 ou o norte-americano S&P 500, e são conhecidos como produtos de gestão passiva. Podem também permitir que se invista em determinado setor, como bancos, farmacêuticas ou elétricas. Além de ações, existem ainda ETF de obrigações e de outras classes de ativos. A grande vantagem destes instrumentos em relação aos fundos que têm uma gestão ativa é que apresentam comissões muito mais baixas, pois não precisam de tantos recursos como os fundos tradicionais. Ainda assim, nos últimos anos, têm levado vantagem. Um estudo da Morningstar, relativo ao final de 2020, mostrou que, na Europa, apenas 25% dos fundos de gestão ativa conseguiram bater os rivais que replicam os índices.

Ações

Sobe, sobe. Mas até quando?

Investir em bolsa é uma das opções que mais compensaram nos últimos anos. As ações mundiais negoceiam perto de máximos e os ganhos têm sido acentuados. O índice que mede o ritmo das bolsas globais subiu 65% nos últimos cinco anos. Nos EUA, as valorizações são ainda mais espetaculares, com o S&P 500 a duplicar de valor à boleia das grandes tecnológicas. A grande questão é se, após estas fortes subidas e um ciclo de ganhos que dura já desde 2009, o mais longo da História, ainda há potencial para ganhos. A julgar pelos conselhos das gestoras de ativos, as bolsas ainda são um bom destino para a poupança. A BlackRock e a Schroders continuam a recomendar que se privilegie a exposição a ações, já que estão mais atrativas do que as obrigações. Apesar de os rácios de avaliação, que ajudam a perceber se as ações estão “caras” ou “baratas”, mostrarem leituras altas, ainda parece haver oportunidades. “Convém notar que, do ponto de vista das métricas de avaliação, temos realidades bastante diferentes”, refere Sérgio Ruivinho. O administrador da SGF argumenta que, “se é pacífico assumir que o setor tecnológico norte-americano é aquele que apresenta rácios de avaliação com maiores excessos, tal não poderá ser generalizado a todos os setores e todas as geografias”. Ainda assim, alguns bancos de investimento, como o Deutsche Bank ou o Bank of America, têm alertado para o risco de, nos próximos tempos, se assistir a uma correção nas bolsas, particularmente nas ações norte-americanas. E os especialistas da BlackRock e da Schroders também recomendam que os investidores privilegiem outras paragens, com especial destaque para a Europa. O ritmo de vacinação no Velho Continente tem sido forte, o que ajuda a economia a recuperar. Além disso, o Banco Central Europeu deverá manter os estímulos por mais tempo do que a Reserva Federal dos EUA, o que poderá favorecer os mercados deste lado do Atlântico. Entre as opções para investir em ações estão os fundos, os ETF ou a compra direta em bolsa. Neste último caso, é necessário conhecer bem a

empresa, analisar a informação financeira e não esquecer a importância da diversificação, para que uma aposta errada não arruíne o valor da carteira. Entre as estratégias de longo prazo que podem ser seguidas, a caça às cotadas com bons dividendos costuma ser muito popular. E os números mostram porquê. Segundo uma análise da Allianz Global Investors, entre 1975 e final de 2020, os dividendos foram responsáveis por 35% do retorno anualizado das ações europeias. Na mesma análise, a gestora indicava que a bolsa portuguesa era uma das que tinham um dividendo mais generoso face ao valor das ações, com uma taxa de rentabilidade de cerca de 3,5 por cento. Desde o início da pandemia, tem surgido também um aumento da negociação em bolsa de forma mais especulativa, como o day trading, que consiste na compra e venda de ações no mesmo dia. Este tipo de táticas envolve maior risco, devendo ficar reservado a investidores sofisticados com elevada tolerância ao risco e às perdas.

Criptomoedas

Arriscado mundo novo

Os criptoativos têm entrado no radar dos portugueses. As valorizações expressivas da bitcoin e a multiplicação de páginas nas redes sociais sobre este tipo de instrumentos atraem investidores, apesar dos sucessivos alertas de supervisores de que os criptoativos não são regulados, têm elevada volatilidade e deixam os investidores desprotegidos. Mas pode fazer sentido colocar uma pequena parte da carteira de investimento nestes relativamente novos ativos? O tema não é consensual, apesar de um número crescente de gestoras admitir que se poderia reservar uma pequena fração do portefólio para instrumentos como a bitcoin ou outros criptoativos. Miguel Gomes da Silva entende que, “de um ponto de vista de diversificação, pode ser interessante alocar uma baixa percentagem da carteira de investimento a criptoativos, assim como a outros ativos alternativos”. Mas ressalva que é “necessário ter presentes os riscos inerentes a estes ativos e às plataformas em que são negociados, como a maior vulnerabilidade a ciberataques, a incerteza regulatória em torno da indústria e a volatilidade elevada que os caracteriza”.

Imobiliário

Mercado sobreavaliado?

O imobiliário tem sido um investimento bem quente em Portugal nos últimos anos. Filipe Campos, analista da Deco Proteste, enumera os fatores que criaram os fortes alicerces deste mercado: “O aumento dos níveis de turismo, o posicionamento de novas empresas em Portugal, os programas de atração de não residentes e, sobretudo, a permanência de taxas de juro de referência a níveis baixos”, que têm um impacto negativo na remuneração das poupanças sem risco e incentivam a procura de rendimentos alternativos. Por toda a Europa, os preços têm subido, e Portugal tem estado no pelotão da frente das valorizações. Segundo dados do INE, o valor mediano das transações de imóveis para habitação no País subiu mais de 50% desde o início de 2016. Uma casa de 100 metros quadrados era vendida, há cinco anos, por um preço mediano de 128 400 euros. Atualmente, o preço ronda os 195 700 euros. Em algumas zonas, como os concelhos da Amadora e do Porto, os preços de venda mais do que duplicaram em cinco anos.

Com o mercado a crescer tanto, o imobiliário tornou-se popular como alternativa de investimento. “Não existem dados de mercado oficiais com essa informação. Contudo, é inegável a perceção de que nos principais centros urbanos essa procura existe”, observa Filipe Campos. O analista especializado em imobiliário realça que “os investidores conseguiram alavancar-se de uma forma mais barata e reforçaram a sua perspetiva de investimento no setor imobiliário como algo aparentemente seguro do ponto de vista da rentabilidade”. Tem havido procura no que diz respeito à compra de imóveis para os colocar, depois, no mercado de arrendamento, de modo a encontrar uma fonte de rendimento estável e mais atrativa do que a oferecida pelos depósitos ou obrigações. Em muitos casos, a aposta tem compensado. “De acordo com o Eurostat, entre 2013 e 2020, o valor das rendas, em Portugal, subiu 18,4% e praticamente em todos os anos, com um valor superior ao coeficiente de atualização. Para esse período, em termos médios, as variações retiradas do Eurostat apontam para um valor de 2,1% ao ano”, sublinha o analista.

No entanto, o investimento direto em imobiliário pode acarretar riscos e desvantagens. A compra de um imóvel exige um valor considerável de dinheiro e bons conhecimentos para lidar com a fiscalidade e as burocracias inerentes a essa operação, e para escolher um ativo com bom potencial de retorno. Além disso, caso se pretenda sair do investimento, a liquidez não é imediata, tendo de se aguardar que apareça um comprador. Há produtos que podem ajudar a mitigar estes aspetos, como fundos de investimento imobiliário ou sociedades de investimento e gestão imobiliária (SIGI), que estão cotadas na bolsa nacional. Na sua grande maioria, estes produtos de investimento apostam mais em imobiliário comercial do que residencial. Apesar das valorizações acentuadas que se registam no mercado imobiliário, o Banco de Portugal tem mostrado algumas cautelas. No último Relatório de Estabilidade Financeira, o supervisor afirmava que “as estimativas disponíveis apontam para alguma evidência de sobrevalorização do imobiliário residencial em Portugal desde 2018”.

As regras para tratar das suas poupanças

Os conselhos para rentabilizar as poupanças, limitando o risco.

Fundo de emergência
Antes de se ponderar investir em produtos com risco ou que obriguem a um elevado período de permanência, os especialistas aconselham a ter um fundo de emergência. “Recomendamos o equivalente a seis salários”, refere António Ribeiro, analista da Deco Proteste. Esse dinheiro deve ficar guardado em ativos seguros e que possam ser mobilizados de forma rápida.

Abater dívida
No caso de existirem dívidas, se o juro que se paga for superior à taxa que se consegue obter em aplicações de capital garantido, isso pode ser uma oportunidade para usar o valor que se iria poupar para abater, de forma total ou parcial, os empréstimos.

O efeito inflação
Os investimentos devem ter em conta o efeito que a inflação tem no poder de compra. Se as poupanças tiverem um retorno inferior ao da taxa de inflação, significa que se está a perder poder de compra e a ficar com dinheiro que vale cada vez menos.

Montar a estratégia
Um dos fatores mais importantes para se ter sucesso implica delinear a estratégia a seguir e garantir que esta é adequada ao perfil do investidor. “Este passo consiste em definir a razão pela qual estamos a investir, avaliar o nosso perfil de risco enquanto investidor, definir um horizonte temporal para o investimento e quantificar os recursos que iremos alocar para atingir tal objetivo”, refere Miguel Gomes da Silva.

O poder da informação
Para evitar dissabores, deve-se evitar investir em ativos com que não se está familiarizado. Convém recolher o máximo de informação possível sobre os produtos em que se pondera investir, as comissões e o eventual impacto que o investimento poderá ter ao nível fiscal.

Qual o seu perfil de risco?

Os investidores podem ter quatro perfis de risco, segundo o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF).

Conservador
O perfil conservador aplica-se a quem “procura produtos com a garantia do capital investido”, refere o CNSF. Estes aforradores têm elevada aversão ao risco e às perdas e tendem a optar por depósitos. Miguel Gomes da Silva salienta que as carteiras conservadoras devem estar alocadas entre 70% a 100% a “instrumentos de mercado monetário e obrigações de taxa variável”.

Equilibrado
O CNSF considera equilibrados os investidores que, embora procurem produtos com garantia de capital, aceitam fazer aplicações para prazos mais longos, de modo “a poder acomodar uma eventual oscilação adversa do rendimento”. Neste perfil, estão incluídos produtos como PPR, por exemplo. Segundo os especialistas, pode começar a fazer sentido ter alguma exposição a ações.

Dinâmico
Neste grupo estão os investidores que procuram uma rendibilidade superior à média do mercado. Têm uma perspetiva de longo prazo e assumem o risco de algumas perdas. Miguel Gomes da Silva salienta que, nestes casos, pode alocar-se “entre 70% a 90% da carteira a ações, diversificadas por várias geografias, com a restante parcela aplicada em ativos de menor risco”.

Arrojado
São investidores que procuram o máximo de rendibilidade possível. Podem usar estratégias sofisticadas e arriscadas, como a alavancagem (que potenciam os ganhos e as perdas). Têm disponibilidade para fazer “aplicações com um horizonte temporal relativamente mais curto e assumir o risco de perda total ou até superior do capital investido”, indica o CNSF.

Equilibrado
O CNSF considera como investidores equilibrados os que apesar de procurarem produtos com garantia de capital aceitam fazer aplicações para prazos mais longos de forma “a poder acomodar uma eventual oscilação adversa do rendimento”. Neste perfil podem entrar produtos como PPR, por exemplo. Segundo os especialistas, pode começar a fazer sentido ter alguma exposição a ações.

Dinâmico
Neste grupo estão os investidores que procuram uma rendibilidade superior à média do mercado. Têm uma perspetiva de longo prazo e assumem o risco de algumas perdas. Miguel Gomes da Silva salienta que nestes casos pode alocar-se “entre 70% a 90% da carteira a ações, diversificadas por várias geografias, com a restante parcela aplicada em ativos de menor risco”.

Arrojado
São investidores que procuram o máximo de rendibilidade possível. Podem usar estratégias sofisticadas e arriscadas, como a alavancagem. Têm disponibilidade para fazer “aplicações com um horizonte temporal relativamente mais curto e a assumir o risco de perda total ou até superior do capital investido”, indica o CNSF.

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