Misters: Quem os viu e quem os vê

Foto: Getty Images

Durante as duas últimas décadas do século passado, foram alguns dos maiores craques do futebol europeu. Com carreiras brilhantes, ganharam títulos, nacionais e internacionais, pelos seus clubes e respetivas seleções. Vestiram as camisolas das melhores equipas europeias e tiveram gigantescas legiões de fãs. Arrumadas as chuteiras, não conseguiram resistir à paixão pelo jogo e dedicaram-se à carreira de treinador e com sucesso suficiente para conseguirem chegar ao cargo de selecionador nacional. Não obrigatoriamente na pátria natal, mas todos com aspirações a fazer uma boa figura. Menos cabeludos e bem mais aperaltados, nos seus impecáveis fatos e gravatas.

Portugal dá-lhe azar
Não podemos falar de antigos craques que, agora, são selecionadores de sucesso sem começar por Didier Deschamps, 52 anos, atual detentor do título de campeão do mundo de futebol, conquistado, em 2018, na Rússia, 20 anos depois de o ter ganhado como jogador e capitão de equipa, no Mundial de França. Foi também ele quem levantou, passados dois anos, o troféu pela conquista do Campeonato da Europa, disputado na Bélgica e na Holanda, numa competição em que, para chegar à final, a França teve de eliminar a Seleção portuguesa nas meias-finais.

Como selecionador, falta a Deschamps este título europeu, perdido, como bem o sabemos, para Portugal, há cinco anos, naquela noite gloriosa de Éder. Essa foi a segunda vez na sua carreira que o treinador francês se viu derrotado por uma equipa portuguesa. A primeira acontecera em 2004, na final da primeira edição da Liga dos Campeões, na qual o “seu” Mónaco foi derrotado pelo FC Porto de José Mourinho.

Títulos e mais títulos Paulo Sousa ganhou duas Champions seguidas, Shevchenko tem uma bola de ouro e Deschamps foi campeão do mundo

Apesar destes dois fracassos, e sendo o campeão do mundo em título, o selecionador francês apresenta-se, obviamente, como um dos principais favoritos à vitória final deste campeonato da Europa. E tudo fará para juntar mais um troféu à longa lista de conquistas que amealhou enquanto jogador e treinador. Além dos títulos mundial e europeu pela França, Deschamps foi por três vezes (duas como jogador) campeão nacional do seu país ao serviço do Marselha e por três vezes em Itália, pela Juventus, clube ao serviço do qual venceu também uma Taça dos Campeões Europeus.

Português “trotamundos”
Ao lado de Didier Deschamps, nessa noite gloriosa para a Vecchia Signora, estava um grande campeão português. Corria a época de 1995-1996, durante a qual o francês dividiu as funções do meio-campo com Paulo Sousa. Os dois viriam a marcar presença, um ano depois, na final da mesma competição, mas, dessa vez, em equipas diferentes. A vitória sorriu, então, aos alemães do Borussia de Dortmund, para o qual se transferira o português que se transformou no primeiro jogador a ser campeão europeu em dois anos consecutivos por equipas diferentes. Este feito junta-se a uma lista de títulos importantes que Paulo Sousa conseguiu enquanto jogador, dos quais se destacam o título mundial de juniores por Portugal, em 1989, na Arábia Saudita, um campeonato nacional pelo Benfica, outro de Itália e uma Taça Intercontinental, pela Juventus.

Enquanto treinador, Paulo Sousa tem tido uma carreira atribulada e saltitante. Passou pela Escócia (Queen’s Park Rangers), Gales (Swansea), Inglaterra (Leicester), Hungria (Videoton), Israel (Maccabi), Suíça (Basileia), Itália (Fiorentina), China (Tianjin Quanjian) e França (Bordéus). Neste trajeto, foi campeão húngaro, israelita e suíço. Chega, agora, com 50 anos, ao Euro2020 como selecionador da Polónia, equipa que conta, tão-só, com o atual melhor jogador do mundo e melhor marcador dos campeonatos europeus: Lewandowski.

Em nome da pequena Xana
Outra das grandes estrelas do futebol europeu da década de 1990, que agora se apresenta no cargo de selecionador nacional, é o espanhol Luis Enrique, 51 anos, que tentará levar La Roja a repetir os anos dourados de 2008 a 2012, durante os quais conquistou dois títulos de campeã da Europa e um de campeã do mundo. Quererá também homenagear a sua filha, Xana, que morreu prematuramente aos 9 anos, em agosto de 2019, vítima de um cancro nos ossos. Foi para acompanhá-la que Luis Enrique suspendeu, em julho de 2019, um ano depois de assumir o cargo, as suas funções de selecionador, regressando apenas em novembro seguinte.

Campeões Frank de Boer ganhou tudo no Ajax, Mancini foi campeão pela Sampdoria e Lazio, e Luis Enrique pelo Real Madrid e Barcelona

Na sua extraordinária carreira de jogador, começou por notabilizar-se na seleção espanhola de Sub-23 que se sagrou campeã olímpica em Barcelona92 e, depois, por ter conseguido ser campeão de Espanha pelos dois eternos rivais: uma vez pelo Real Madrid e duas pelo FC Barcelona. Mais tarde, já como treinador, regressou à equipa catalã para ganhar tudo o que havia para ganhar, entre 2014 e 2017: duas Ligas, uma Champions, um Mundial de Clubes, uma Supertaça Europeia, três Taças do Rei e uma Supertaça de Espanha.

Gémeo campeão
Velho conhecido do selecionador espanhol é Frank de Boer, também com 51 anos. Os dois cruzaram-se entre 1998 e 2003, no FC Barcelona. O defesa internacional holandês conquistou, logo na época de estreia em Espanha, um título de campeão que se seguiu aos cinco que já trazia da sua longa passagem pelo Ajax. Em ambos os clubes, Frank jogou sempre ao lado do irmão gémeo, Ronald, um avançado goleador. Foi também juntos que venceram, pelo mítico clube de Amesterdão, a Taça dos Campeões Europeus, a Supertaça europeia e a Taça Intercontinental.

Terminada a carreira, Frank regressou, como treinador, ao Ajax, ao serviço do qual se sagrou tetracampeão nacional da Holanda, entre 2010-2011 e 2013-2014. Passou, depois, sem brilho pelo Inter de Milão, o Crystal Palace e os Atlanta United. Em setembro de 2020, foi nomeado selecionador nacional da equipa a que, em tempos, chamaram a Laranja Mecânica. Conseguirá, Frank de Boer, ressuscitá-la?

Príncipe italiano
Roberto Mancini, 56 anos, teve uma carreira brilhante enquanto futebolista, conseguindo ser campeão de Itália por duas ocasiões, ao serviço da Sampdoria e da Lazio, equipas pelas quais logrou também vencer várias taças de Itália e, mais importante, duas Taças das Taças. Como treinador, foi ao serviço do Inter de Milão e do Manchester City que mais brilhou: foi tricampeão de Itália, entre 2005 e 2008, e conquistou a Premier League, pelo Manchester City, em 2011-2012. Seguiram-se anos menos conseguidos na Turquia, no regresso ao Inter e na Rússia, até que, em 2018, assumiu o comando da Squadra Azzurra, conseguindo garantir a qualificação para o Euro2020 só com vitórias, apresentando-se, pois, como crónico candidato ao título.

O mais novo
Andriy Shevchenko é, aos 44 anos, o selecionador mais novo deste Europeu. É considerado o mais talentoso futebolista ucraniano de todos os tempos e, apesar dos cinco títulos de campeão nacional no seu país, ao serviço do Dínamo de Kiev, foi a sua passagem pelo Milan que lhe deu ainda mais prestígio, partilhando, na altura, o balneário com o português Rui Costa. Juntos foram campeões de Itália, em 2003-2004. Era um jogador empolgante e um goleador nato. Ainda defendeu as cores do Chelsea, antes de regressar à Ucrânia para terminar a carreira no seu clube de coração, em 2012.

Seguiu-se uma tentativa frustrada de iniciar uma carreira política até que, em 2016, com apenas 39 anos, assumiu o posto de selecionador do seu país, ao serviço do qual, enquanto jogador, marcou 48 golos em 111 jogos. Portugal conhece-o bem, pois foi no mesmo grupo de qualificação da nossa seleção que a Ucrânia carimbou o passaporte para o Euro2020, no primeiro lugar. Nunca perdeu nas duas vezes que defrontou a equipa das Quinas. Talvez seja um adversário a evitar…

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