Cheira bem, cheira a Lisboa

A construção de um mapa olfativo de Lisboa começou a desenhar-se na cabeça de Lourenço Lucena há vários anos, inspirado pelo trabalho da designer sensorial Kate McLean, autora de mapas de cheiros de várias cidades do mundo. As ideias e referências bibliográficas foram-se juntando numa pasta com papéis que o perfumista abriu para mostrar à PRIMA, num convite extensível, claro está, aos leitores que queiram (re)descobrir os cheios de Lisboa. “Viver sem usar o olfato é como viver em modo preto e branco”, diz. Aqui fica o vídeo de apresentação do mapa olfativo de Lisboa.

Das páginas da PRIMA 12 para o site, aqui fica uma proposta de roteiro olfativo com as diferentes paragens para sentir os aromas de Lisboa, proposto por Lourenço Lucena. Dos bons aos maus – também os há -, aos que estão a desaparecer, convidamos os leitores a partilhar connosco a que cheira a sua Lisboa.

Mapa olfativo
Esfregar as folhas das árvores é um bom truque para sentir o aroma

Os vários aromas de Lisboa 

  • A erva acabada de cortar no Parque Eduardo VII 
  • A sardinha assada nas ruelas de Alfama 
  • A maresia do Tejo 
  • A flor de laranjeira nas ruelas da Sé e do Castelo 
  • As figueiras e nespreiras nas hortas e traseiras de Lisboa antiga 
  • A roupa lavada e estendida ao sol nas ruas de Alfama e Mouraria 
  • O manjerico – está a chegar 
  • O leite-creme acabado de queimar nas ruas do Bairro Alto 
Mapa olfativo
Açúcar queimado nas tascas do Bairro Alto
  • O cardamomo, açafrão e especiarias na zona do Martim Moniz 
  • O jasmim no Príncipe Real, Castelo e Sé 
  • O cravo nas floreiras dos bairros antigos e na Primavera 
  • O café, nos Anjos e em Santos, onde ainda existem fábricas de torrefação 
  • O pastel de nata, um pouco por toda a cidade 
Mapa olfativo
O incontornável pastel de nata
  • Os livros da Bertrand do Chiado 
  • Os bacalhaus da Manteigaria Silva, na Baixa 

 

Mapa olfativo
A roupa lavada e acabada de estender em Alfama

Aromas em vias de extinção (ou já extintos) 

  • O pão acabado de cozer de madrugada 
  • As lavandarias antigas 
  • As tipografias e oficinas de impressão do Bairro Alto 
  • O tabaco da Casa Havaneza, no Chiado  


Os maus cheiros de Lisboa 

  • O óleo queimado dos elétricos ou dos comboios, no Cais do Sodré ou em Santa Apolónia 
  • As ruas do Bairro Alto com o cheiro da cerveja queimada pelo sol e a urina 
  • A poluição na Avenida da Liberdade 
  • A borracha queimada e o combustível de avião na 2ª Circular 

 

Se tem itens a acrescentar a esta lista, envie um e-mail para prima@anossaprima.pt.

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