Brain snack: quando a arte competia nos Jogos Olímpicos

Por: Marta Assis

Entre 1912 e 1948, além dos desportistas, as medalhas olímpicas eram atribuídas a artistas que apresentassem estátuas, odes ao desporto, sinfonias ou ainda projetos para estádios olímpicos. As categorias a competição eram cinco: arquitetura, literatura, música, pintura e escultura. Ao longo desses anos, chegaram a existir propostas para se introduzir também a dança, o teatro, a fotografia e o cinema como modalidades olímpicas, mas estas formas de arte nunca foram aprovadas.

A história da arte nos jogos começa com Pierre de Frédy, o fundador do Comité Olímpico Internacional, que desejava aliar a arte ao desporto, inspirando-se nos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga. Para participar era necessário que as obras apresentadas se inspirassem no desporto e que os participantes fossem amadores — ou seja, os artistas profissionais eram proibidos de entrar na competição olímpica. Como tal, nem sempre as obras tinham qualidade e foi isso que acabou por ditar o término da arte nas olimpíadas.

O cartaz dos Jogos Olímpicos de verão de Estocolmo de 1912, nos quais a arte entrou em competição

Enquanto a arte fez parte dos Jogos Olímpicos, foram atribuídas cerca de 151 medalhas. O país que mais vezes foi condecorado foi a Alemanha, com um total de 24 medalhas. Note-se, porém, que estes prémios não entram na contagem total de medalhas olímpicas de cada país. Após os Jogos de 1948, a competição artística foi substituída por uma exposição que acontecia em simultâneo com as semanas dos Jogos Olímpicos. Este festival de arte ficou conhecido por Olimpíada Cultural.

Outras curiosidades:

  • Em 1924, o compositor russo Igor Stravinsky fez parte do júri de avaliação da arte nos Jogos Olímpicos;
  • O norte-americano Walter W. Winans foi o único atleta olímpico a receber, na mesma edição dos Jogos Olímpicos, uma medalha na competição desportiva, na modalidade de caça de veados a 100m, e na competição artística, com a escultura “An American Trotter”.

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