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Memórias da resistência brasileira no filme "Alma Clandestina", de José Barahona

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Um emocionante documentário sobre Dorinha, figura histórica da luta antifascista no Brasil. Alma Clandestina, do realizador português José Barahona, já chegou às salas de cinema

Numa altura em que a extrema-direita tomou o poder no Brasil e há uma tentativa de branqueamento da sinistra ditadura militar que dirigiu o país durante duas décadas, José Barahona recupera uma figura histórica da luta antifascista, num emocionante documentário. Alma Clandestina conta a história de Maria Auxiliadora, mais conhecida por Dorinha, uma estudante de Medicina que dedicou a sua vida à oposição feroz à ditadura nos anos 70 e 80. Foi presa e torturada, viveu no exílio, primeiro no Chile e depois na Alemanha, e acabou por se suicidar, fruto de uma doença psiquiátrica, presumível sequela da tortura e perseguição que lhe infligiram.

Neste filme, tão duro quanto importante, Barahona, realizador português que se tem divido entre Portugal e o Brasil, parte em busca da mulher por detrás da heroína. Sem que em algum momento questione a inabalável bravura de Maria Auxiliadora, descobre o seu lado humano, tangível, da filha, irmã, amiga, alguém que discute, sofre, mas também dança e se diverte. Essa carga emocional é conseguida, por um lado, através das cartas, reveladas pela primeira vez neste documentário; por outro, através de um dispositivo habilmente montado pelo realizador, que coloca uma atriz a ler a correspondência de Dorinha ao microfone. Um filme tocante e eficaz, contra o apagamento da História.

Veja o trailer do filme:

Alma Clandestina > De José Barahona, com Sara Antunes e Paulo Azevedo > 100 minutos