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"Cérebro: Mais Vasto que o Céu", na Fundação Gulbenkian: O elogio da mente

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Arte e Ciência numa exposição que mostra uma das estruturas mais complexas que existem. Cérebro: Mais Vasto que o Céu, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, até meados de junho, é para aprender, sem se dar conta de que está a ser ensinado

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

A instalação multimédia Orquestra de Cérebros transforma, através de um aparelho de EEG (eletroencefalograma), a atividade cerebral dos visitantes numa escala musical

A instalação multimédia Orquestra de Cérebros transforma, através de um aparelho de EEG (eletroencefalograma), a atividade cerebral dos visitantes numa escala musical

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Neste ano e meio que durou a preparação de Cérebro: Mais Vasto que o Céu, Rui Oliveira já se terá arrependido várias vezes do momento em que pensou nós conseguimos fazer melhor do que isto. Andava na fase de prospeção, que se seguiu ao convite para fazer a curadoria da exposição, que abriu no dia 16, na Fundação Gulbenkian, quando teve aquela epifania, à porta do Museu Americano, em Miami. Concebemos tudo cá, foi uma loucura!, confessa, a menos de uma semana da inauguração, enquanto ainda há pormenores a serem afinados.

Investigador, professor e reitor do ISPA Instituto Universitário, Rui Oliveira nunca tinha organizado uma exposição, mas uma coisa estava certa na sua cabeça desde o início: não queria que o visitante tivesse a sensação de estar a entrar numa sala de aula. “Obviamente que o objetivo é apresentar conhecimento, mas não queremos que o visitante sinta que está a ser ensinado, clarifica. Outra coisa definida à partida é a mistura de Arte com Ciência, que percorre todo o espaço expositivo, bem como o ambiente lúdico associado à aprendizagem. O primeiro elemento dá logo o mote: uma instalação de vídeo do artista visual norte-americano Greg Dunn, que com a peça Self Reflected quis mostrar a beleza e a complexidade do órgão que faz de nós quem somos. A imagem do cérebro humano, em folha de ouro, acompanhada de uma música de Rodrigo Leão, composta propositadamente, proporciona uma experiência imersiva, em que são criadas imagens diferentes da paisagem cerebral, em função da variação da luz incidente.

A exposição segue por aí fora, partindo do passado, com a origem e a evolução do cérebro em resposta às condições ecológicas, primeiros registos e descrições históricas, como uma reprodução de um papiro egípcio. Segue para a mente, para a forma como se produzem os processos cognitivos e termina com o futuro, as mentes artificiais, os robôs pintores de Leonel Moura. Há peças mais diferenciadas, para pessoas com conhecimentos mais profundos. Mas é uma exposição pensada para todos os públicos, com múltiplas camadas de leitura”, avança o comissário. Está preparado para se ver ao espelho?

Self reflected (2014-2016), de Greg Dunn e Brian Edwards

Self reflected (2014-2016), de Greg Dunn e Brian Edwards

D.R.

Cérebro: Mais Vasto que o Céu > Fundação Calouste Gulbenkian > Av. de Berna, 45A, Lisboa > T. 21 782 3000 > 16 mar-19 jun, seg, qua-dom 10h-18h > €5