Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

O desenho sem fim, de Rui Chafes, em Guimarães

Ver

Uma retrospetiva dedicada à produção mais delicada de Rui Chafes – o desenho. Ou, dito de outra maneira, à vida passada a papel. Desenho sem Fim inaugura neste sábado, 8, no Centro Internacional das Artes José de Guimarães

1 / 6

2 / 6

3 / 6

4 / 6

5 / 6

6 / 6

Conhecemos-lhe as esculturas em ferro negro, criaturas sombrias e melancólicas que persistem em desafiar a geometria e a gravidade, pesadas abstrações que oferecem enigmas, efabulações concretizadas pela forja e pelas ferramentas pesadas, pelo fogo e pelo esforço do artista. Porém, nas entrelinhas, nos intervalos, na preparação deste corpo de trabalho resolutamente identificável do escultor, tem havido toda uma outra produção, constante mas menos revelada, companheira de percurso. “Um lugar de segredo”, assim é apresentada esta faceta iniciada em 1987 e que permanece até hoje.

O desenho de Rui Chafes não se limita a ser a extensão de um gesto no espaço. É uma paisagem evocadora de filosofia e palavra, raciocínio e panteísmo, episódios biográficos, emoções. Cada trabalho no papel tanto pode ser uma obra livre como enquadrar-se nas centenas de desenhos (rascunhos?) para esculturas futuras. Usem-se as palavras contextualizadoras que o Centro Internacional das Artes José de Guimarães escolheu para esta retrospetiva comissariada por Delfim Sardo e Nuno Faria: “Entre a escrita, o método, o pensamento ou o esquecimento, os desenhos de Rui Chafes são, por vezes, exercícios sistemáticos de criação de estruturas ou dispositivos de pensamento a partir de determinada forma e, outras vezes, visões de mundos orgânicos, de entidades vegetais, biológicas ou animais, em que a linha tem a capacidade de se transformar, ou desfazer, convocando forças xamânicas de cura e poderes propiciatórios e divinatórios.”

Para quem desconheça os desenhos do artista, a primeira e surpreendente impressão é a da delicadeza, uma mancha diáfana a tintar silhuetas de flores longilíneas e corpos humanos magoados. Há um tom confessional nas frases aí manuscritas em português ou alemão: “Respirar-te mais próximo”, “suave medo escuro”... Os papéis, em formatos diversos, acolhem tanto materiais clássicos (grafite ou guache) como matérias do quotidiano (o pó do atelier, o pólen de flores, café, tintura de iodo...). Chafes conta-nos segredos. Oiçamos.

Desenho sem Fim > Centro Internacional das Artes José de Guimarães > Av. Conde de Margaride, 175, Guimarães > T. 253 424 715 > 8 dez-10 fev, ter-dom 10h-13h, 14h-19h > grátis