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O mundo segundo Otelo M. F.

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Os desenhos, os objetos e as esculturas da obra quase secreta do artista Otelo M. F. estão em exposição na Culturgest, no Porto. Chama Xamânica pode ser vista até 15 de abril

Supertrooper Tiptoe, de 2012, foi construido com ramos de Agave de palmeira, peneus e borracha

Supertrooper Tiptoe, de 2012, foi construido com ramos de Agave de palmeira, peneus e borracha

Melanie Maps

Podem os materiais naturais recolhidos numa qualquer rua, na cidade ou no campo, mostrar as ideias, as preocupações e a forma como vemos o mundo? Em Chama Xamânica, a exposição que estará até 15 de abril na Culturgest, no Porto, podem. É a partir de pequenos vestígios que Otelo M. F. constrói a sua visão do mundo, na qual está sempre presente a ecologia, a sustentabilidade do planeta, a consciência ambiental.

Com curadoria de Nuno Faria, a exposição, que envolve mais de 200 peças, entre desenhos, objetos e esculturas, tem um cariz antológico. Trata-se de “mostrar de forma abrangente a singularidade do seu trabalho”, observa o curador. Em Chama Xamânica é visível um sentimento de perda, de destruição, de colapso ambiental, que talvez já não haja forma de inverter.

Da série Drawings for Petra, 2015

Da série Drawings for Petra, 2015

A viver entre o Algarve e Londres, Otelo M. F. usa uma “linguagem muito inabitual” composta por uma conjugação de materiais orgânicos, como frutos ou vegetais, e objetos comuns frequentemente tratados como restos, em contexto urbano ou natural. Otelo recolhe o material, junta e trabalha convocando “forças naturais e sobrenaturais” para o processo criativo. “É um artista singular que deambula entre a natureza, o campo e a cidade”, explica Nuno Faria.

Embora seja ainda relativamente desconhecido, e a sua obra permaneça quase secreta, Otelo M. F. tem feito “algumas cintilantes e surpreendentes aparições” em Portugal, como as descreve o curador, no Museu Municipal de Faro e no Centro Internacional das Artes José de Guimarães, em Guimarães.

Além de ocupar toda a galeria da Culturgest, num dos cofres será projetado o filme Visão Solar, de Francisco Janes, desenvolvido a partir do arquivo videográfico, de registos e performances do artista. “O trabalho de Otelo é magnético e vai deixar as pessoas intrigadas”, garante Nuno Faria.

Chama Xamânica > Culturgest > Edifício Caixa Geral de Depósitos > Av. dos Aliados, 104, Porto > T. 22 209 8116 > 17 fev-15 abr, seg-sáb 12h30-18h30