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Há vida nova em Marvila

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Foto: Alexandre Bordalo

Na zona oriental de Lisboa estão a nascer galerias, restaurantes, salas de cowork e muitos outros projetos. A mais recente novidade é a fábrica de cerveja artesanal Dois Corvos

O rio Tejo chegava à atual Avenida Infante D. Henrique, quando, em finais do século XIX, Marvila era uma típica zona de doca. Todos os dias circulavam pelas ruas do bairro milhares de pessoas, vindas de elétrico, trabalhadores dos armazéns de vinho, das fábricas de armamento, de fósforos, de borracha, de sabões e tabaco. Havia vida e movimento. Com o encerramento, em 1993, dos antigos armazéns de vinho Abel Pereira da Fonseca, a maior empresa distribuidora do sul do País, chegaram dias de decadência e abandono. Os armazéns e as fábricas deixaram de funcionar e os cafés e mercearias ficaram sem clientes. Poucos voltavam a Marvila - até que, há cerca de um ano, muitos se começaram a aperceber que ali encontravam grandes espaços a preços razoáveis. Hoje, a azáfama voltou à emblemática Praça David Leandro da Silva. Os armazéns estão alugados e os novos inquilinos ultimam as obras. Por aqui, estão a nascer galerias, restaurantes, salas de cowork e muitas portas são reabertas por gente nova.

É num recanto escondido da transversal Rua Capitão Leitão que encontramos a fábrica de cerveja artesanal Dois Corvos. Depois de um ano e meio a montar a fábrica, só há dois meses a portuguesa Susana Cascais e o americano Scott Steffens deram início à produção regular de dois mil litros por mês, o equivalente a seis mil garrafas de 33 cl, sabendo que conseguem chegar aos 12 mil litros mensais das cinco variedades (Avenida, Metropolitan, Saison, Belgian Blonde e American Wheat).

O casal, vindo dos Estados Unidos, em 2012, onde ela trabalhava em marketing e publicidade em Seattle e ele como engenheiro de software, costumava fazer cerveja em casa. Em Marvila, encontraram o sítio certo para pôr o projeto caseiro em prática: um antigo armazém de vinho com 300 metros quadrados, com zona de cargas e descargas e possibilidade de fazer um aumento brutal da potência elétrica. "Marvila é uma misturada de gente. Tem empresas criativas e também um lado mais fabril que tem tudo a ver connosco. Aqui faz-se muita coisa", nota Susana. Por enquanto, as cervejas só estão à venda em restaurantes e cafetarias, mas em breve chegarão a mercearias e lojas gourmet e a venda avulsa será feita na sala de provas com torneiras de cerveja (a abertura está prevista para meados de outubro).

Susana Cascais encontrou em Marvila o sítio certo para fazer as suas cervejas artesanais

Susana Cascais encontrou em Marvila o sítio certo para fazer as suas cervejas artesanais

Alexandre Bordalo