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A traição amorosa aos olhos da ciência: 9 conclusões de estudos realizados nos últimos anos

Sociedade

Getty Images

Ser infiel é coisa do passado. Mas infelizmente, também é do presente e, muito provavelmente, do futuro. Perceber este flagelo das relações amorosas não é tarefa fácil, nem tão-pouco objetiva. Aqui ficam nove estudos que nos podem ajudar a chegar a uma resposta

Não percamos muitos caracteres com introduções ao tema. Todos sabemos do que falamos e neste tipo de assuntos, mais vale ir direto... ao assunto. Mesmo que a sua experiência pessoal não vá ao encontro destas conclusões, lembre-se que se tratam de estudos baseados em estatístiscas e que determinam probablidades.

Ser financeiramente dependente do cônjuge, aumenta a probabilidade de o trair

Ou seja, a pessoa que ganha consideravelmente menos que o parceiro tem mais tendência a trair. A conclusão é de um artigo publicado em 2015 na American Sociological Review, que analisou cerca de 3 mil pessoas entre os 18 e os 32 anos de idade. Mas há diferenças entre homens e mulheres: cerca de 15% dos homens que são completamente dependentes das esposas traem, em comparação com 5% das mulheres dependentes.

Quanto mais dinheiro receberem ao final do mês, menos existe a probabilidade de trair o parceiro, seja homem ou mulher. Contudo, o estudo diz ainda que os homens têm um limite: se a sua contribuição ultrapassa os 70% do rendimento conjunto do casal, volta a subir a possibilidade de trair.

Não é a mesma coisa o parceiro, ou parceira, trair-nos com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto

Preferia que o seu parceiro o traísse com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto? Publicado na revista científica internacional Personal Relationships, um artigo de 2015 mostra que há reações diferentes em homens e mulheres, caso sejam traídos por alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto.

As mulheres revelaram sentir-se pior se o marido as traísse com outra mulher. Porém, acabariam mais rapidamente a relação se o marido tivesse tido um ato de infidelidade homosexual.

Os homens pensam de forma semelhante. Irritados com a possibilidade de a mulher os trair com outro homem, mas empolgados com a hipótese de a mulher se envolver com outra. A relação estaria mais próxima do fim em caso de infidelidade heterosexual.

Até na traição existe o clássico “só acontece aos outros”

Os números do estudo publicado na revista Journal of Social and Personal Relationships são, no mínimo, curiosos. Numa amostra de estudantes universitários, concluiu-se haver uma estimativa de 42% de possibilidade de alguém trair o parceiro.

Contudo, quando se trata dos próprios parceiros, já é diferente: os inquridos só prevêem cerca de 5% de chance do namorado ou namorada já os ter traído e cerca de 8% de hipótese de os vir a trair no futuro.

Os homens preocupam-se mais com infidelidade sexual, as mulheres com a traição a nível emocional

Não há muito para explorar nesta conclusão, até porque coincide com aquilo que são os preconceitos da nossa sociedade. Os homens consideram pior a esposa ter relações sexuais com outra pessoa do que apaixonar-se, as mulheres pensam de forma inversa. É o resultado de um estudo publicado em 2013 na revista Evolutionary Psychology.

É mais provável que o homem seja infiel quando está prestes a completar um aniversário importante

Estamos a falar de fazer 30, 40, 50 ou 60 anos. Com o aproximar destes números redondos na idade, os homens ficam mais inclinados a cometer traições. O estudo que o comprova, publicado em 2014, baseou-se na atividade do site de encontros Ashley Madison.

O mesmo efeito foi detetado nas mulheres, embora com menos intensidade.

A genética também pode ser responsável por levar uma pessoa a trair

Não é só a cabeça que não tem juízo. A nossa identidade genética também pode ser culpada. Quem o diz e comprova é Richard Friedman, psiquiatra e professor na Weill Cornell Medical College, num artigo escrito para o New York Times. Ao longo da argumentação, o autor apresenta alguns estudos que o comprovam.

Vasopressina é uma hormona relacionada com o nosso comportamento a nível social com influência na confiança, na empatia e nas ligações sexuais com outros. Tipos específicos desta hormona são responsáveis por maior ou menor probabilidade de traição.

Os príncipios morais são o que mais mantém as pessoas casadas longe da traição

Um estudo de 2017, publicado no Journal of Sex Research, reuniu cerca de 400 pessoas, com idades entre os 24 e os 60 anos. Todos eram casados há pelo menos um ano e tinham pelo menos um filho.

Foram entrevistados e inquiridos sobre as razões mais importantes para manter a fidelidade entre parceiros. As quatro principais razões foram os princípios morais, os efeitos nos filhos, o medo de ficar sozinho e, por fim, as consequências para a terceira pessoa (o parceiro extraconjugal).

Igualdade de género: a traição é tão provável nos homens como nas mulheres.

O fundamento para esta tese vem de um estudo publicado em 2011 na revista Archives of Sexual Behaviour. Os resultados apontam para cerca de 23% dos homens e 19% das mulheres em relacionamentos heterossexuais terem relatado já ter traído o respetivo parceiro.

Quem trai uma vez, trai mais duas ou três

Também da revista Archives of Sexual Behaviour encontramos um estudo de 2017 que acompanhou quase 500 pessoas em idade adulta que tiveram mais do que uma relação amorosa.

Os participantes que admitiram ter sido infiéis no primeiro relacionamento demonstraram três vezes mais probabilidade de serem infiéis no segundo, em comparação com pessoas que não relataram infidelidade. Por outro lado, os participantes que relataram que o primeiro parceiro os tinha traído tinham duas vezes mais probabilidade de dizer que o segundo parceiro também os traíra.

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