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VIH em mutação pode tornar inúteis medicamentos antirretrovirais

Sociedade

Westend61

A Organização Mundial de Saúde adverte que os medicamentos antirretrovirais contra o VIH, mesmo os mais recentes, podem estar em risco de deixar de surtir qualquer efeito contra o vírus, visto este estar progressivamente a evoluir a tornar-se mais resistente

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

Um estudo de 4 anos realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) à resistência do VIH concluiu que, em pelo menos 12 países africanos, asiáticos e americanos, o vírus apresenta níveis inaceitáveis de resistência aos dois principais medicamentos usados para o seu tratamento. Num relatório de 2017, a OMS explica que “esta resistência se desenvolve quando os pacientes não seguem o tratamento prescrito, muitas vezes porque não dispõem de bons acessos a cuidados de boa qualidade contra o VIH”.

A resistência ao efavirenz (EFV) e à nevirapina (NVP) manifesta-se em mais de 10% dos pacientes em Cuba, Africa do Sul, Nicarágua, Papua Nova Guiné, Uganda, Namíbia, Guatemala, Argentina, Zimbabué, Nepal e Suazilândia. Nas Honduras, cerca de um quarto dos infetados com VIH têm uma estirpe resistente a estes medicamentos.

A receita destes dois fármacos em países cuja taxa de resistência do VIH é tão elevada que pode desencadear mutações no vírus que o tornem ainda mais resistente, relata a OMS. Escreve a organização que “as pessoas com vírus resistentes a EFV e/ou NVP têm uma probabilidade significativamente maior de experienciar a falha ou morte virológica, descontinuar o tratamento e adquirir novas mutações (do VIH resistente a medicamentos)”.

O problema pode vir a ser particularmente grave em Africa, em algumas regiões a sul do Saara, onde quase 30% da população está infetada com VIH. No que toca a crianças seropositivas destas regiões, a OMS concluiu que metade é resistente a EFV, a NVP ou a ambas. Ainda assim, 77% ainda estão a ser receitados NVP, apesar da sua contraindicação. No total dos 18 países que forneceram informação à OMS, conclui-se que 7.8% dos homens seropositivos são resistentes aos medicamentos em questão, assim como 11,8% das mulheres seropositivas o são.

Massimo Ghidinelli, especialista em doenças infeciosas na Pan American Health Organisation, comentou o relatório: “Precisamos de avançar com novos regimes de medicamentos e precisamos de proteger a durabilidade e eficácia dos tratamentos antivirais e vitais para milhões de pessoas”, relata a Sky News.

Michael Brady, diretor médico no Terrence Higgins Trust, acrescentou que “o tratamento eficaz tem um papel chave no objetivo de acabar com a transmissão de VIH e, para isso, prevenir a sua resistência a medicamentos é essencial”.

“O tratamento funciona ao reduzir a quantidade de VIH no sangue até um nível indetetável, que – para além de proteger o sistema imunitário de se danificar – impede que o VIH seja transmitido. Tudo o que tenha o potencial de comprometer a eficácia do tratamento, tal como a resistência a medicamentos, apresenta uma barreira ao fim da epidemia”, conclui.

O HIV Drug Resistance Report 2019 vai ao encontro do já descoberto pela OMS em 2017, em que mais de 10% dos seropositivos de 6 países africanos, asiáticos e da América Latina apresentavam resistência a medicamentos antirretrovirais.

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