Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Estudos indicam que aprender línguas pode prevenir a demência

Sociedade

GettyImages

Não é ainda uma verdade científica, mas não anda longe disso. Saber comunicar em dois idiomas pode ajudar as pessoas a manter o cérebro saudável e as suas capacidades funcionais durante mais tempo

A palavra demência vem do latim dementia que significa “privado da razão”. O termo é utilizado pelos especialistas para descrever os mais variados sintomas da perda progressiva de faculdades mentais. Entre os sintomas estão a perda de memória, de capacidade intelectual, de raciocínio, de competências sociais e de gestão das emoções.

É mais comum nos idosos, mas isso não significa que todos os idosos a desenvolvam, nem que seja preciso ser idoso para a desenvolver. De acordo com a Associação Portuguesa de Doentes de Alzheimer, este tipo de doenças também pode sugir em pessoas com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos.

A ciência ainda não descobriu uma prevenção ou cura para a demência. Na atualidade, ainda a consideramos uma fatalidade com a qual temos de aprender a lidar, existindo alguns mecanismos de apoio, tanto a nível de medicamentos como a nível comportamental, mas que não representam uma solução eficaz e objetiva para as doenças ligadas à demência.

Há, contudo, vários estudos que trazem alguma luz ao problema. Um deles, realizado em 2006, partiu da análise do registo de 184 indivíduos que frequentaram uma clínica em Toronto, no Canada, que dispunha de uma especialidade em problemas memória. Os psicológos que analisaram os dados encontraram um padrão: as pessoas que falavam mais do que uma língua tinham uma incidência mais tardia da doença de Alzheimer. E o nível de escolaridade não era justificação, pois para o mesmo nível, falar um ou dois idiomas fazia toda a diferença.

Em 2013, a Academia Americana de Neurologia publicou um artigo cujo título deixa a descoberta bem evidente: “O bilinguismo retarda a idade de início da demência, independentemente da educação e do estado de imigração”. Desta vez foram considerados quase 650 pacientes e os resultados foram semelhantes. A demência incide sobre os poliglotas cerca de 4 anos mais tarde do que nos que dominam apenas uma língua. O estudo conclui ainda que “não há benefício adicional em falar mais de dois idiomas”.

Mas serão estudos como estes suficientes para estabelecer uma relação? Sim, mas não para determinar uma relação inquestionável de causa-efeito, principalmente porque não se conhece o porquê da mesma acontecer. Terá a ver com a atividade cerebral que aprender e aplicar dois idiomas exige. Há várias provas que nos indicam que “exercitar” a mente a protege deste tipo de problemas. Contudo, o que significa em concreto isto de “exercitar” a mente ainda não é suficientemente claro para os neurologistas.

A simples indicação de que o domínio de várias línguas pode ajudar na prevenção destas doenças não é, por si, uma recomendação cientificamente provada. Mas tendo em conta as restantes vantagens óbvias de saber comunicar em várias línguas, talvez não seja má ideia arriscar em prevenir.

ASSINE POR UM ANO A VISÃO, VISÃO JÚNIOR, JL, EXAME OU EXAME INFORMÁTICA E OFERECEMOS-LHE 6 MESES GRÁTIS, NA VERSÃO IMPRESSA E/OU DIGITAL. Saiba mais aqui.