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164 ambientalistas assassinados em 2018

Sociedade

CARL DE SOUZA/Getty Images

Segundo o relatório da Global Witness, Filipinas, Colômbia e Índia foram, no ano passado, os países mais perigosos para os ativistas

Em média, é assassinado um ambientalista dia sim, dia não. É essa a conclusão do relatório anual da organização internacional Global Witness. No total, 164 pessoas perderam a vida devido ao seu ativismo, em 2018. "Aqueles que defendem as suas terras e o nosso meio ambiente estão a ser silenciados”, aponta o documento. acusando “grupos de segurança privados, forças do Estado e assassinos contratados” de serem os responsáveis materiais pelas mortes. Por todo o mundo, “governos e empresas também usam os tribunais e os sistemas legais dos países como instrumentos de opressão contra aqueles que ameaçam o seu poder e interesses”, acrescenta-se.

O pico máximo de ambientalistas mortos foi atingido em 2017, com 201 assassínio, com o Brasil a liderar, então, a tabela (57 homicídios). Em 2018, as Filipinas foram o país mais mortífero da lista, com 30 mortes. Seguem-se a Colômbia (24) e a Índia (23). Já a Guatemala, com 16 mortes, é o país mais letal per capita. Mais de metade das mortes foram na América Latina, enquanto a Europa permanece o continente menos afetado, com apenas 3 mortes, e todas estas na Ucrânia.

O relatório aponta ainda que a principal razão de as Filipinas serem o país com o maior número de mortes pode estar associada à administração do presidente do país, Rodrigo Duterte. Desde a sua chegada em 2016, o Governo tem sido alvo de acusações relativas ao abuso dos direitos humanos e de violência. Em 2017, a “Global Witness” revelou que tinham sido mortos 48 defensores do ambiente no país, que é o maior número alguma vez registado num país asiático.

Os três setores que registaram mais mortes foram a atividade mineira (43), seguido da agricultura (21) e do setor da água (17). O maior massacre de 2018, no qual morreram 13 pessoas, ocorreu na Índia, na sequência de uma manifestação sobre os impactos de uma mina de cobre.

“Inúmeras pessoas foram ameaçadas ou presas por se atreverem a opor-se aos governos ou empresas que procuram lucrar com as terras”, lê-se nas notas do relatório. “São pessoas normais que tentam proteger as suas casas, meios de subsistência e defender a saúde do nosso planeta.”

Victoria Tauli-Corpuz, relatora especial da ONU para os povos indígenas, diz que “este é um fenómeno visto em todo o mundo: defensores da terra e do meio ambiente são declarados terroristas, bandidos ou criminosos por defenderem os seus direitos ou por simplesmente viverem em terras cobiçadas pelos outros”.

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