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Quem quer dar um mergulho numas termas?

Sociedade

Artur Debat

Programas de saúde e de bem-estar, que combinam descanso, atividades na Natureza e os benefícios terapêuticos da água mineral, têm estado a atrair clientes mais jovens

Clara Soares

Clara Soares

Jornalista

Ir a uma estância termal e usufruir de atividades lúdicas, enquanto fortalece o corpo e a mente com técnicas antistresse, é um ritual que está a entrar nos hábitos dos portugueses, sobretudo entre adultos que querem cultivar estilos de vida que os mantenham em forma. Integrado no turismo de saúde, o termalismo de bem-estar oferece programas complementares de curta e de média duração, que representam já cerca de 70% da faturação anual das 40 estâncias do País. “Num ano, a procura subiu quase 50% nos clientes com idades entre os 19 e os 34”, assegura Bernardo Moreno, administrador das Termas de Luso.

A aposta nos short breaks, ou em programas de curta duração, entre duas e seis noites, tem contribuído para captar públicos mais jovens que desejam melhorar a sua qualidade de vida: “Uns vêm com fins de lazer, outros pretendem um retiro para descansar e recuperar do stresse, o que inclui massagem de relaxamento e um circuito de águas termais”, continua o responsável. A preocupação com a estética e o bem-estar cativa clientela com idades entre os 30 e os 50 – “No último ano, e pela primeira vez, ultrapassou o termalismo em receita” –, e o spa termal vai ao encontro das motivações de pessoas entre os 25 e os 30 anos.

A oferta termal começa a ser encarada como fonte de saúde e de bem-estar, sem ser apenas um destino seguro para o alívio das dores nas costas ou das pedras nos rins, por exemplo. O último relatório do Global Wellness Institute, divulgado no final do ano passado, mostrou que o turismo de saúde representa um mercado que vale 563 mil milhões de euros, estimando-se que atinja os €810 mil milhões em 2022. Ou seja: a indústria de bem-estar aumentou 6,4% ao ano, desde 2015, tendo crescido mais do dobro em relação à economia global (3,6%). Segundo a Luxury Travel Magazine, uma semana de férias num spa com lazer ativo na Natureza, planos de massagem, banho, sauna e experiências gastronómicas é uma das grandes tendências para 2019.

Bem-estar sim, terapia também

A Organização Mundial da Saúde reconhece a eficácia dos tratamentos clássicos nas perturbações funcionais e nas doenças da civilização (associadas ao estilo de vida, em que cabem a diabetes, a obesidade, as doenças cardiovasculares e a asma).

Na prática, não é preciso ter uma doença para se procurar melhorar o estado de saúde e se manter a qualidade de vida. Veja-se o caso de Susana Silva, 42 anos, pela primeira vez nas Termas de Luso: “Vim por curiosidade, nunca tinha feito nada relacionado com termas, para tratamento ou o bem-estar.”

Depois da hidrocinesioterapia, das massagens com duche Vichy e do relaxamento total e agradável, Susana ficou fã e afirma que “a experiência é para repetir nos próximos anos”. Joaquim Dias, 44 anos, veio para uma escapadinha (estada de curta duração) e confirma que os benefícios das águas e das técnicas de bem-estar são reais: “Vim procurar melhorias a nível de saúde. Senti-me mais relaxado e paciente, e tenciono regressar mais vezes.”

Conhecidas pela elevada concentração de sílica das águas, as Termas de Luso são procuradas com fins terapêuticos. Os utentes com menos de 34 anos praticamente não existem (menos de 2%), mas esse valor sobe para 25,8% no termalismo de bem-estar, que teve mais de 4 500 clientes (12% dos quais estrangeiros) num ano. Já os tratamentos clássicos sofreram uma redução de 45% face a 2017.

Mas com o arranque do projeto-piloto das comparticipações estatais – 35% do valor total dos tratamentos e um limite de 95 euros, em reembolsos diretos aos utentes –, o cenário pode mudar para melhor. “O tratamento termal não tem resultados tão imediatos como os fármacos”, lembra Bernardo Moreno, mas revela-se uma escolha inteligente a médio prazo. Será que esta mudança de comportamentos se verifica à escala nacional?

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Uma dupla oportunidade

“Na vertente terapêutica, o segmento que mais tem crescido é o das crianças e dos jovens com alergias respiratórias”, assinala João Pinto Barbosa, secretário-geral da Associação das Termas de Portugal, destacando, na categoria de bem-estar, “um aumento significativo de público jovem, interessado em “fins de semana de lazer ativo e de evasão através do contacto com a Natureza e as águas termais”, havendo também clientes “na casa dos 40-55 anos, profissionalmente ativos e urbanos”, ainda que predominem as faixas etárias a partir dos 55 anos.

Feroz defensor da promoção de saúde, o presidente da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica e da International Society of Medical Hydrology, Pedro Cantista, vê no termalismo uma dupla oportunidade: é uma alternativa à cirurgia e aos fármacos que “melhora a condição do doente, embora não o cure”, e uma forma de manter a saúde. Aqui abre-se um mundo de opções: planos de cessação tabágica, reeducação dietética, recondicionamento físico e de reabilitação, passando pela medicina antienvelhecimento (componente estética), os programas culturais e turísticos e a vertente desportiva. O fisiatra e especialista em medicina de reabilitação recorda os estágios de equipas profissionais e o apoio a competições, como o “do Benfica em Évian, a estada da seleção de futebol da Polónia no Luso, no Euro 2004, e o circuito termal de ténis, com torneios em várias estâncias”.

Antigos pontos de encontro e de lazer para frequentadores aristocratas e da alta burguesia, as termas eram procuradas por muitos que viam nas águas com propriedades medicinais o alívio e a cura para as suas maleitas. Hoje, voltam a ser procuradas como destino turístico e como um investimento a longo prazo, para quem as escolhe. É caso para se dizer que é possível tornar as termas grandes outra vez.

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Os benefícios da água
Os tratamentos termais contam agora com a comparticipação do Estado

€95
Valor máximo comparticipado por tratamento termal (requer prescrição do médico de família e um plano terapêutico pelo médico hidrologista)

Terapias mais comparticipadas
Reabilitação respiratória (asma, rinite)
Recuperação motora (doenças reumáticas e musculoesqueléticas)
Terapêutica cardiovascular (insuficiência venosa, etc.)
Problemas metabólicos e dermatológicos


40
Número de estâncias termais em atividade no nosso país

Programas mais procurados
Termais (massagem, hidromassagem, duche-massagem)
Recondicionamento físico
Reeducação dietética
Cessação tabágica
Medicina antienvelhecimento
Atividades turísticas (enologia, gastronomia, prática desportiva, etc.)

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