Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Porque é que o tempo passa mais depressa à medida que envelhecemos?

Sociedade

Getty Images

Uma nova teoria defende que a perceção do tempo está ligada à capacidade de processamento de imagens pelo cérebro, que diminui com a idade

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

É uma questão de perceção, obviamente. Cada minuto tem os mesmos 60 segundos e estes demoram o mesmo tempo a passar, estejamos nós na idade dos porquês ou na idade da reforma. No entanto, o tempo parece passar muito mais devagar quando somos mais novos e acelerar à medida que envelhecemos. Quem não se lembra das férias intermináveis de verão, em idade escolar? Eram três meses que nunca mais acabavam. É verdade que, agora, em adultos, não temos três meses de férias de verão. Mas o pouco que temos parece ainda menos do que é.

Adrian Bejan, investigador da Universidade de Duke, nos EUA, dedicou-se a estudar o fenómeno, e esta semana avançou com uma explicação: à medida que envelhecemos, o cérebro perde capacidade de processar imagens e, como consequência, a mente humana perceciona a passagem do tempo de uma forma mais rápida.

“As pessoas ficam muitas vezes fascinadas com a quantidade de memórias que guardam daqueles dias de juventude que pareciam durar para sempre. Não é que as experiências tenham sido muito mais profundas ou significativas; é só porque elas foram processadas de forma muito mais rápida”, escreve o autor do estudo, docente de engenharia mecânica.

A sua teoria assenta nesta ideia de que “a mente humana sente a passagem do tempo quando as imagens percecionadas mudam”. Logo, quanto maior o número de imagens mentais, maior a sensação de que o tempo demora mais a passar. “O presente é diferente do passado porque as imagens processadas mudam, e não porque o relógio de alguém toca. Os dias parecem durar mais na juventude porque a mente recebe mais imagens num dia do que quando é mais velha”, explica Bejan.

Ao desenvolverem-se, os neurónios crescem em tamanho e tornam-se mais complexos. Com o avançar da idade, degradam-se e os impulsos nervosos encontram maior resistência “no caminho” entre os olhos e a zona do cérebro que processa imagens. Segundo o investigador, é esta deterioração física que condiciona, depois, a perceção da passagem do tempo.

Mas há outro sinal que ajuda a entender a diminuição da capacidade de processar imagens. Quando somos mais novos, os olhos movem-se mais vezes e, por isso, captam mais imagens do que em idades mais avançadas, o que aumenta a tal sensação de que o tempo demora mais a passar. Adrian Bejan compara esta discrepância a certos dias mais agitados, já em idade adulta. Sempre que realizamos muitas tarefas e estamos em vários lugares – processando, por isso, mais imagens do que num dia mais calmo –, cresce a ideia de que tivemos um longo dia. Na verdade, como todos sabemos, teve a mesmo duração do anterior.