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Toque ajuda a criar memórias detalhadas e duradouras

Sociedade

Ralf Hiemisch/ Getty Images

Mesmo qualquer intenção de memorizar um objeto, tocar nele pode gerar memórias detalhadas e duradouras. Os resultados de uma investigação recém-publicada desafiam os modelos existentes sobre a memória

Publicado no Psychological Sciences, um novo estudo concluiu que os participantes conseguiam identificar visualmente um objeto que nunca tinham visto mas no qual tinham tocado uma semana antes, sem intenção de o memorizar. Segundo o investigador Fabian Hutmacher, da Universidade de Regensburg, na Alemanha, isto "é ainda mais notável porque os objetos que entraram no teste de reconhecimento só podiam ser identificados com base em detalhes subtis detetáveis ao tato e muito pouco com base em detalhes visuais".

"O estudo desafia os modelos existentes de armazenamento e recuperação de memória", acrescenta Hutmacher.

Em comparação com a informação visual, sabe-se pouco sobre memória de longo prazo com base em informação captada por outros sentidos, o que levou o investigador e o seu coautor Christof Kuhbandner a focarem-se especificamente em experiências baseadas no toque.

Numa delas, foi pedido aos participantes que explorassem, vendados, 168 objetos de uso comum, durante 10 segundos cada. Os investigadores explicaram-lhes que, mais tarde, teriam de responder a questões sobre os objetos, pelo que deviam prestar atenção à textura, forma e peso de cada um. Ainda vendados, os participantes submeteram-se, imediatamente a seguir, a um teste de memória tátil que abrangeu metade dos objetos e, simultaneamente, um objeto semelhante distinguível apenas por detalhes subtis. A tarefa era indicar qual o que tinham explorado antes. Uma semana depois, repetiram o teste com a restante metade dos items.

Em 94% das vezes, os participantes conseguiram identificar corretamente o objeto no teste realizado logo após a exploração, uma taxa de correção que caiu apenas para os 84% na semana seguinte.

Mas o que aconteceria se não tivesse existido a instrução no sentido de tentar memorizar? Foi isso que quis apurar uma segunda experiência, com um novo grupo de participantes e os mesmos 186 objetos. A diferença: ninguém sabia que ia ser testado a seguir. Foi-lhes pedido apenas que avaliassem cada objeto quanto à sua textura, forma e peso. Uma semana depois, foram convocados para um teste de memória surpresa, em que tiveram de tentar reconhecer metade dos objetos enquanto estavam vendados e a outra metade visualmente, sempre em comparação com objetos muito semelhantes.

Depois de cada teste, foi pedido também aos participantes que dissessem se tinham respondido com base na memória da sua experiência tátil, numa vaga sensação de familiaridade ou se tinham, simplesmente, tentado adivinhar. Mais uma vez, os resultados foram surpreendentes: 97% de acerto no teste com a venda, contra 73% no teste visual.

"Estes resultados sugerem que a mente humana armazena automaticamente e sem esforço representações duráveis de uma quantidade vasta de experiências percetuais, incluindo táteis", conclui Hutmacher.