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Montenegro avança "para ser o adversário que Costa não teve no último ano" e convoca Rio para o combate

Portugal

Marcos Borga

Ex-líder parlamentar fez um discurso abrasivo para o atual líder: diz que está disponível para chefiar o partido para o salvar da "maior derrota da sua história", pois considera que a direção já atirou a toalha ao chão

Estava prometido e foi confirmado pelo próprio, pouco depois das 16 horas desta sexta-feira, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa: Luís Montenegro está disponível para ser candidato à presidência do PSD e lançou o repto a Rui Rio para convocar eleições diretas de "imediato". “Se tem mesmo Portugal à frente de tudo, mostre coragem e não hesite em marcar estas eleições internas. Não tenha medo do confronto, não se refugie atrás de questões formais, o tempo é de respeito pessoal, mas de confronto político entre duas estratégias que são distintas”, desafiou o antigo líder parlamentar social-democrata, que sublinhou ter chegado a hora de sair da sua "zona de conforto" e de avançar.

Numa declaração de pouco menos de 16 minutos, Montenegro foi corrosivo para a direção encabeçada por Rio, embora tenha aparecido num fato de candidato a primeiro-ministro. O antigo dirigente "laranja" quis falar mais para os portugueses e menos para os militantes, até porque, notou numa das frases que marcaram o pré-anúncio, quer ser "o adversário que António Costa não teve ao longo do último ano". "Não se conhece um projeto, uma estratégia, um posicionamento do PSD", atirou ainda, considerando que, também aí, Rio "falhou". "O PSD é a muleta do PS e o dr. Rui Rio a bengala do dr. António Costa", complementou, com acidez, para ilustrar o estado a que chegou o partido que qualificou como "frouxo".

Ancorando-se nas sondagens que colocam o partido abaixo dos 25% das intenções de voto, Montenegro lamentou que a direção se tenha resignado e "atirado a toalha ao chão" e, pior, que tenha como "única preocupação encontrar justificações para a derrota [nas legislativas]" que esta própria já vaticina. "Se nada for feito, o PSD corre o risco de ter uma derrota humilhante", realçou Montenegro, num CCB onde só estava o ex-chefe da bancada social-democrata Hugo Soares (que deixou essas funções com a chegada de Rio à São Caetano), e Joaquim Pinto Moreira, presidente da Câmara Municipal de Espinho.

Depois de um ano repleto de relatos de ostracizações e silenciamentos de deputados críticos, de notícias de investigações judiciais a vice-presidentes e a secretários-gerais, Montenegro observou que é preciso parar. E apontou diretamente o dedo a Rio: "Além de falhar, foi instigador do confronto interno, hostilizando quadros e estruturas do PSD numa lógica maniqueísta e de divisão entre bons e maus, o que é inadmissível."

Resta agora saber o que fará Rio, que, adiantou a TSF, vai reunir-se esta sexta-feira à noite com o Presidente da República. Segundo fontes sociais-democratas ouvidas pela VISÃO, não é crível que corresponda às expectativas de Montenegro e convoque eleições internas. Nesse cenário, para haver mudança de líder, Montenegro e os seus apoiantes teriam de apresentar uma moção de censura à direção num Conselho Nacional convocado especificamente para esse efeito. Aí, ditam os estatutos, precisariam de maioria absoluta entre os conselheiros. A contagem de espingardas está a ser feita há algumas semanas - e outros pretendentes ao trono, como Miguel Pinto Luz, Miguel Morgado ou Pedro Duarte poderão, também, ter uma palavra a dizer.