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Líbano: Corte nos salários dos políticos para acalmar manifestantes

Mundo

O primeiro-ministro libanês garantiu que não vai haver novos impostos e que os salários dos políticos vão ser cortados para metade. E agradeceu ao povo ter saído à rua.

“Povo do Líbano, as resoluções feitas hoje podem não ser suficientes para responder a todos os vossos pedidos, mas hão de sê-lo daqui a um ano ou dois”, começou por dizer Saad Hariri na primeira declaração ao país desde que milhões de libaneses saíram à rua para protestar contra o regime e a grave crise económica que se faz sentir. “Estas medidas que o Executivo decidiu hoje não são para vos pedir para ir para casa. São para dizer que ninguém vos fará um ultimato”, continuou, depois de anunciar que o Orçamento do Estado para o próximo ano não trará novos impostos e que os salários de atuais e anteriores presidentes, ministros e políticos vão ser cortados em 50%. Também os benefícios geralmente atribuídos a funcionários e instituições públicos vão ser reduzidos.

Além disso, Hariri anunciou ainda que se espera que o banco central e os bancos particulares contribuam com cerca de 3,3 mil milhões de dólares para que o país consiga chegar perto de um défice de 0% em 2020.

“É dever do Estado proteger-vos, desde que se manifestem pacificamente. Vocês são a locomotiva e foram vós que obrigaram o governo a tomar estas medidas”, afirmou o líder político. No sábado, mais de um milhão de pessoas saiu à rua em Beirute gritando "revolução" e "o povo vai derrubar o regime", contou à VISÃO um sacerdote português atualmente a viver na capital libanesa.

“Vocês estão a lutar pela vossa liberdade individual, e acima de tudo, por respeito. Vocês estão a ser ouvidos. A vossa voz está a ser ouvida!”, frisou o líder do partido Movimento do Futuro. “Baseado no meu dever, este é o primeiro passo em frente. Qualquer primeiro-ministro devia ter feito o mesmo que estou a fazer agora. Vocês restauraram o espirito patriótico do Líbano”, concluiu.

Estes protestos espontâneos, em massa, que acontecem pelo quarto dia consecutivo e devem prosseguir na segunda-feira, são as maiores manifestações do Líbano em cinco anos, e estenderam-se além de Beirute. Os manifestantes quiseram demonstrar a "raiva crescente contra uma classe dominante que dividiu o poder entre si e acumulou riquezas durante décadas, mas pouco fez para regenerar uma economia em ruínas e deixou as infraestruturas degradadas".

Apesar do tom conciliatório, é preciso esperar para ver como reagirão às palavras de Hariri os milhões de pessoas que continuam nas ruas do Líbano.