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“Família holandesa” viveu quase dez anos fechada num bunker. Estava à espera do fim do mundo 

Mundo

Popularizados durante a Guerra Fria, os abrigos para escapar a um qualquer desastre que acabasse com o planeta continuam a seduzir algumas mentes. Desta vez, o autor da ideia é um antigo membro da seita do reverendo Moon

Não é inédito, nós sabemos. Há uma meia dúzia de anos, um empresário californiano fundou uma empresa especializada em abrigos de sobrevivência e veio a público garantir que os líderes das principais nações mundiais já sabiam que o fim do mundo estava próximo e estavam a preparar-se secretamente para esse momento, construindo “bunkers subterrâneos”. Robert Vicino assegurava mesmo, segundo o The Sun, que já havia um complexo habitacional subterrâneo nos EUA, construído por baixo de Denver, ligado a Washington por comboios de alta velocidade.

No ano passado, um idoso tornou-se notícia depois de se saber que tinha passado os últimos 50 anos a construir um bunker gigante, também para esperar pelo fim do mundo. Bruce Beach, contava a BBC, era um canadiano com 83 anos que vivera o último século obcecado com a ideia de uma guerra nuclear - daí ter-se empenhado a construir e aperfeiçoar um abrigo para cerca de 350 pessoas, numa terriola no Canadá, basicamente o maior do género naquela zona do continente americano feito por particulares.

O tema presta-se a tanta loucura que, no entretanto, uma produtora anunciou até um “bunker sexual”, uma espécie de reality show com um palco central e câmaras de fertilidade para, depois, repovoar a Terra. Estávamos a poucos dias de 12/12/12, data até então associada, por alguns, a esse momento final. A sede da empresa autora da ideia era em Los Angeles e, segundo fez saber em comunicado, a sua intenção era sobreviver ao fim do mundo “com estilo”.

Mas as histórias não pararam por aí. Desta vez, era um grupo de holandeses que vivia há nove anos à espera do “fim dos tempos”: desde 2010 que um homem de 58 e seis jovens de 18 a 25 anos viviam escondidos num quarto secreto de uma quinta, na região de Drenthe. O caso só foi descoberto porque um deles conseguiu fugir e pedir ajuda (e cerveja...) num bar próximo dali.

“Encontrámos seis pessoas a viver num pequeno espaço de uma casa, tapado por uma espécie de alçapão", adiantou a polícia local, em comunicado – confirmando o espanto das autoridades perante o caso. “Nunca se tinha visto nada parecido por aqui", disse também o autarca local, Roger de Groot, salientando apenas que não havia registo oficial de parte da família e que o homem de 58 anos, ao contrário do que inicialmente se pensara, não era o pai dos jovens que viviam com ele.

Foi no bar de Chris Westerbeek que entrou então um jovem adulto a pedir cinco cervejas de uma vez e as bebeu de seguida. “Conversámos e foi quando ele revelou que fugira e precisava de ajuda”, resumiu, descrevendo o sujeito em causa como alguém de cabelos compridos, barba suja e roupas velhas, que lhe pareceu ainda um pouco confuso. “Confessou que nunca fora à escola e não cortava o cabelo há nove anos.”

Depois de vasculharem a tal quinta, localizada fora da vila e acessível por uma ponte sobre um canal, os polícias encontraram então uma escada escondida atrás de um armário na sala, que levava a uma sala secreta onde a “família” vivera escondida nos últimos anos.

O autor da ideia, o tal homem de 58 anos, era - soube-se entretanto - um antigo membro da seita do reverendo Moon, um sul-coreano que fundou a Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial - AFUPM, à conta da qual (e dos três milhões de seguidores que conseguiu em todo o mundo) acabou por reunir uma fortuna de milhares de milhões de dólares em empresas que vão do ramo das comunicações ao automobilístico, principalmente na Ásia, nos Estados Unidos e na América Latina.