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O Japão pondera despejar a água radioativa de Fukushima no Pacífico

Mundo

AFP

O ministro do ambiente japonês Yoshiaki Harada considera que a única solução para a água radioativa resultante do desastre da central nuclear de Fukushima “vai ser escoá-la para o mar e diluí-la". O governo vai agora debater qual a melhor forma de resolver o problema

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

A empresa japonesa de distribuição de energia elétrica Tokyo Electric Power Company Holdings, Inc. (TEPCO) alega estar a ficar sem espaço para continuar a guardar mais de um milhão de toneladas de água contaminada recolhida da planta nuclear de Fukushima, depois do desastre de 2011. A empresa estima que este cenário se torne uma realidade a partir de 2022.

Em resposta à situação, o ministro do ambiente Yoshiaki Harada disse, em conferência de imprensa, que “a única opção vai ser escoá-la para o mar e diluí-la. Todo o governo vai discutir a situação, mas eu gostaria de oferecer a minha simples opinião”, referiu. O ministro não adiantou, no entanto, quanta água seria preciso escoar.

Noutra conferência de imprensa, o secretário-geral do gabinete, Yoshihide Suga, descreveu as palavras de Harada como “a sua opinião pessoal”.

O governo japonês espera agora um relatório especializado sobre a situação antes de iniciar um debate ou tomar qualquer decisão. A TEPCO, que não tem poder de decisão na matéria, confirmou que seguiria a solução que o governo achasse mais viável.

Segundo a Reuters, a Coreia do Sul mostrou-se descontente com a possibilidade de escoamento das águas radioativas para o Pacífico. “Estamos apenas à espera de ouvir mais detalhes do debate que vai acontecer em Tóquio, para que não haja um aviso surpresa”, disse um diplomata sul-coreano à agência. O governo de Seoul lançou um comunicado em que pede ao Japão para “tomar uma decisão sensata e prudente relativamente ao assunto”.

As centrais nucleares junto à costa costumam libertar para o mar águas residuais que contêm trítio, um isótopo de hidrogénio considerado relativamente inofensivo e que é difícil de separar. A TEPCO admitiu no ano passado que a água que armazena tem outros contaminantes para além desta substância, o que leva os pescadores locais a opor-se à ideia de escoamento.

Shaun Burnie, especialista nuclear e ativista da Greenpeace na Alemanha, alega que “o governo deve comprometer-se com a única opção ambientalmente aceitável para gerir esta crise da água, que é o armazenamento a longo prazo e o processamento para remover a radioatividade”, disse à Reuters.

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