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Trump anuncia no Twitter que os EUA têm programa nuclear secreto. Ou foi só mais uma gaffe?

Mundo

Tasos Katopodis

“Temos tecnologia semelhante, mas mais avançada”, alegou o Presidente americano no Twitter, em resposta ao desastre da semana passada na Rússia, que envolveu um alegado míssil de cruzeiro nuclear e resultou na morte de 5 pessoas

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

Donald Trump aproveitou o funeral dos cinco engenheiros russos vítimas do teste a “novos tipos de armas” ocorrido na semana passada numa base militar perto de Nionoksak, no norte da Rússia, para dizer que os EUA estão a “aprender muito” com o acidente, no qual se pensa estar envolvido um míssil nuclear anunciado pelo Kremlin no início do ano, conhecido como “Skyfall”.

Trump escreveu no Twitter que “os Estados Unidos estão a aprender muito com a falha e explosão do míssil na Rússia. Nós temos tecnologia semelhante, mas mais avançada. A explosão russa ‘Skyfall’ tem preocupado as pessoas com a qualidade do ar ao redor da base e mais além. Não é bom!”.

O tweet do presidente levanta um número de hipóteses: Ou os EUA têm um programa nuclear secreto; ou a natureza do arsenal nuclear americano foi mal interpretada; ou tudo não passa de uma alegação infundada.

Joe Cirincione, um especialista em armas nucleares norte-americano, desmentiu as alegações de Trump também via Twitter: “Isto é bizarro. Nós não temos um programa de mísseis de cruzeiro nucleares. Tentámos construir um em 1960, mas era demasiado louco, inexequível e cruel mesmo para os tempos da Guerra Fria”.

O funeral dos cinco trabalhadores da Rosatom, a agência nuclear russa, deu-se na passada segunda-feira, dia 12. A agência alegou, durante o funeral, que o desastre se deveu a uma falha num teste a “novos tipos de armas”, e que as vítimas faleceram a “testar um novo dispositivo especial”. No entanto, garantiu que a investigação será retomada e “prosseguida até ao fim”.

As suspeitas de que o míssil de cruzeiro nuclear SSC-X-9 Skyfall estaria na base do incidente começaram quando a Rosatom mencionou em comunicado que o desastre se devia a uma falha num teste de “fontes de energia isotópicas num sistema de propulsão líquido”. Numa primeira instância, o Ministério das Defesa russo explicou que a explosão ocorreu durante ensaios com "um motor a jato de combustível líquido", sem referir que o acidente envolvia combustível nuclear.

O Kremlin tinha já anunciado no início do ano o desenvolvimento do míssil 9M730 Burevestnik, o nome original do Skyfall, que Putin classificou como “invencível” contra qualquer sistema de defesa atual.

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