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O talento já não se atrai com lugares de estacionamento

Economia

João Viana Ferreira, Everis; José Esfola, Xerox Portugal e Pedro Oliveira, Trust in News

Marcos Borga

Bons líderes e bons projetos ajudam a reter os melhores talentos, mas as empresas também já pensam naquilo que pode agradar aos millennials. Na Revolut, a tónica é posta na pessoa e naquilo que a motiva

Ter um bom líder de equipas e um bom projeto de trabalho, mas também uma assinatura gratuita de um popular serviço de streaming de filmes e séries, são fatores que permitem às empresas reter os melhores talentos – especialmente quando se trata da geração dos millennials. “Pagar o Netflix, em vez de oferecer um lugar de estacionamento a quem não tem carro, pode ser mais importante para recrutar ou reter talentos”, afirmou José Viana Ferreira, partner da consultora Everis. O exemplo avançado pelo gestor, no painel da conferência "Futuro do Trabalho" sobre “Os desafios da contratação e da retenção de talento”, ilustra até onde vão as empresas para manter os melhores talentos, sejam empresas de serviços como a Everis, grupos industriais como a Frulact ou multinacionais tecnológicas como a Xerox.

“Reter o talento é fundamental. Não queremos passar seis meses ou um ano a formar uma pessoa que depois se vai embora. Há sempre uma questão monetária, mas não é a única. É a questão do projeto que é importante. As pessoas, sobretudo quando têm 25 ou 26 anos, querem saber como vão evoluir, onde vão estar daí a três ou cinco anos. Temos de ouvi-las, percebê-las e fazer o caminho com elas”, avançou ainda o partner da Everis.

Na Frulact, uma empresa industrial de raiz familiar presente em vários países, a gestão tem de ser “flexível”, para se adaptar “a realidades culturais e laborais diferentes”, explicou o CFO Duarte Faria. “É fundamental percebermos a faixa etária dos millennials”, admitiu, embora ressalvando que esta é uma realidade da Europa e da América do Norte, mas não de África. “Os mecanismos de retenção podem ser as condições laborais, a flexibilidade e o equilíbrio entre vida familiar e profissional” mas, como frisou, “são as lideranças que entusiasmam as pessoas e as fazem ficar”. “Ninguém fica num sítio quando não se revê nas pessoas que lideram”, corroborou, por seu turno, João Viana Ferreira.

José Esfola, diretor geral da Xerox Portugal, sugeriu que a criação de uma marca como empregador, para atrair e reter o talento, é outro dos fatores críticos. “Se ganhamos o prémio das melhores empresas para trabalhar, somos inundados de currículos”, exemplificou.

Sobre o ambiente laboral da Xerox em Portugal, o gestor referiu duas realidades distintas: Uma área de negócio tradicional, que vem de uma cultura muito hierarquizada com 65 anos de existência, e um centro de serviços mais recente que trabalha para o exterior. “Para estas pessoas, o lugar de estacionamento pode ser irrelevante, mas para os outros seria certamente um problema”, admitiu. “Mas temos que tentar satisfazer toda a gente”, concluiu.

Ricardo Macieira, country manager da Revolut Portugal, abordou as competências que as empresas procuram nos candidatos

Ricardo Macieira, country manager da Revolut Portugal, abordou as competências que as empresas procuram nos candidatos

Marcos Borga

Na Revolut, os CV são analisados à lupa

No painel seguinte, Ricardo Macieira, country manager da Revolut Portugal, explicou o que procura nos currículos que esta fintech recebe diariamente. Dependendo da posição a preencher, o gestor tenta sempre “encontrar algo que faça sentido, que mostre que a pessoa progrediu ou que alcançou uma posição de relevo num curto espaço de tempo, que mostre que a pessoa é altamente motivada”.

No negócio da Revolut, “a velocidade e a tomada de decisão” são os valores fundamentais, mas Ricardo Macieira garante que vê “todas as candidaturas manualmente”. A seguir, o candidato é convidado a desenvolver um projeto que permita avaliar se pensa out of the box e averiguar qual é o seu mindset. O recrutamento termina com uma entrevista e uma proposta de trabalho. “É assim que percebemos se a pessoa está preparada para uma posição na Revolut e se terá autonomia para tomar decisões sozinha”, acrescentou.