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Onde o mundo tecnológico contrata

Web Summit

Marcos Borga

Bosch, Mercedes, Volkswagen e, até, a própria organização da Web Summit aproveitam o evento para atrair jovens para os seus quadros

A Web Summit está, aos poucos, a transformar-se na Job Summit. São várias as grandes empresas que aproveitam esta concentração de jovens ligados às tecnologias para tentar “caçar” talentos. Nos seus pavilhões escrevem a frase We’re Hiring Here (estamos a contratar aqui). A Bosch é uma das multinacionais que montou um dos letreiros mais visíveis para atrair novos colaboradores. As letras são maiores que as do próprio logótipo da marca e à frente do stand colocam vários jovens que explicam a forma como podem apresentar a sua candidatura a um lugar na Bosch. Em conversa com a VISÃO, dizem-nos que têm sido abordados por muita gente, na sua maioria estrangeiros. Procuram não só ofertas de emprego em Portugal como noutros países onde a Bosch tem actividades. “Aqui conseguimos dar toda a informação pois estamos ligados ao centro internacional de emprego da empresa”, esclarecem-nos.

Marcos Borga

Recentemente, o presidente da Bosch Portugal, Carlos Ribas, admitiu que a empresa estava com dificuldades em recrutar pessoal nas áreas de engenharia. Para este ano previam integrar mais 250 engenheiros nos centros de competência que esta multinacional tem no nosso País, em Braga, Aveiro e Ovar.

Quem entrou também neste campeonato da contratação dentro da cimeira da tecnologia foi o grupo Volkswagen aproveitou esta edição da Web Summit para abrir o primeiro centro de desenvolvimento de software fora da Alemanha. Ficará localizado em Lisboa, mais propriamente na Rua do Sol ao Rato, em Campo de Ourique. Arrancou com 25 funcionários. No entanto, Martin Hofman, CIO da VW, diz que este é um número que irá aumentar para os 300 muito “rapidamente”. O gestor admite que há “muitos profissionais” que querem vir trabalhar para Lisboa uma cidade “onde está muita coisa a acontecer na área da inovação”.

Este grupo alemão adianta que houve gente interessada em obter informações sobre esta nova possibilidade de emprego, na sua maioria estrangeiros. Como em quase todos estes centros, a maior procura será de engenheiros de software, mas haverá outras necessidades como designers web, programadores, gestores de projeto, entre outros.

Marcos Borga

A Mercedes, por sua vez, decidiu usar um método diferente para captar jovens talentos. Colocou ao lado do seu pavilhão um antigo táxi de Lisboa, dos anos 60, dentro do qual se faz uma espécie de pitch para emprego. Os candidatos entram no veículo e têm de explicar, em três minutos, porque devem ser escolhidos para trabalhar no grupo alemão.

Em 2016 a Mercedes criou em Portugal o Centro de Assistência à Rede, que dá apoio técnico aos serviços pós venda e às oficinas do grupo, e, no ano seguinte, instalou cá o Mercedes-Benz.io. e o Tech & Data Hub.

Após a Web Summit, nos dias 17 e 18 de novembro, a Mercedes realiza em Lisboa uma maratona de programação, com um prémio de 15 mil euros, que terá como objetivo tentar captar jovens programadores.

A empresa que organiza a Web Summit aproveita a sua própria casa para tentar captar novos colaboradores. São vários os apelos que se podem ver ao longo dos pavilhões da FIL com anúncios a dizer “Estamos a contratar”.

Com o crescimento deste evento e o alargamento das atividades para outras paragens, os quadros atuais começam a ser escassos. A maioria das vagas é para Dublin, mas há também ofertas para Lisboa, Toronto, Hong Kong, Madrid, Singapura, Amesterdão, Londres, São Francisco, entre outras.

A maioria dos cargos a preencher são de gestores de contas, produtores, engenheiros de software e gestores de desenvolvimento de negócio.

Muitas das startups que estiveram no evento não vieram apenas para mostrar os seus produtos ou conseguir captar financiamento dos grandes tubarões. Algumas delas aproveitam o contacto com muitos dos jovens que afluem à cimeira da tecnologia para tentar arranjar novos colaboradores.

É o caso da Ready2Start, uma startup portuguesa que disponibiliza negócios prontos a lançar, que veio este ano pela primeira vez à Web Summit. Sara Aguiar, CMO da empresa, disse à VISÃO, que um dos seus principais objectivos era tentar captar jovens para preencher os quadros “necessários para esta fase de crescimento da Ready2Start”.

De uma cimeira onde o mundo tecnológico se reúne, a Web Summit tende, cada vez mais, ser um evento onde o mundo tecnológico contrata.