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Fender “digitaliza” negócio

Web Summit

Diana Tinoco

A Fender está a usar o digital para potenciar o seu negócio tradicional. E o resultado não podia ser melhor. Este será o ano em que vai vender mais guitarras

“Para todos aqueles que têm ouvido histórias sobre a morte da guitarra elétrica, quero informar que este será o ano em que a Fender irá vender mais guitarras”. Foi desta forma que Andy Mooney, CEO da Fender, o mítico construtor de guitarra, começou o seu discurso no último dia da Web Summit.

“Quando entrei para a Fender, há cerca de três anos, queria oferecer produtos digitais. Mas não sabia o quê. Nem eu nem os outros membros da comissão executiva”, lembra. Começaram por estudar os números e perceberam que 50% dos novos compradores eram mulheres e que compravam mais online do que nas lojas físicas. “Foi aquilo que chamamos o factor Taylor Swift”. Cerca de 45% das vendas são para pessoas que compram uma guitarra pela primeira vez e 90% de quem compra guitarra desiste de tocar ao fim de 12 meses.

“Mais importante foi percebermos que os nossos clientes gastam quatro vezes mais em aulas do que na compra da guitarra”, salienta. Com base nesta informação, a Fender decidiu fazer uma série de apps para ir de encontro às necessidades dos clientes, caso da Fender Tone, a Fender Play e a Fender Songs.

Estas aplicações conseguiram já juntar uma comunidade de 3 milhões de pessoas e gerar uma nova fonte de receitas para a empresa. A Fender Play, por exemplo, que fornece aulas completas de guitarra, tem um custo de subscrição de 9,99 euros.

Para o gestor, a “guitarra continua a ser o principal instrumento” nos palcos dos concertos de bandas pop e rock e, em 2017, “tivemos cerca de 83 milhões de pessoas a ouvir concertos ao vivo”. Um número que irá decerto aumentar nos próximos anos. 70 anos depois de ser criada, a Fender é um bom exemplo de como um negócio tradicional se consegue adaptar a estes tempos modernos.

Andy Mooney começou a sua carreira de gestor como diretor financeiro da Nike, no Reino Unido. Em 1984 foi colocado, como vice-presidente, na equipa de gestão da casa mãe, nos EUA. Foi responsável pelo lançamento das novas linhas de vestuário, lançou a estratégia de marketing para a marca Jordan. Após 20 anos de serviço na Nike, foi convidado, em 2000, para liderar a gestão da Disney, numa altura em que a empresa travava um período crítico em termos estratégicos.

Criou o franchising das Princesas Disney, que hoje vale mais de 4 mil milhões de euros, as Feiras Disney e as linhas de retalho dos artigos da Pixar Animations, como o Toy Story e Cars.

Após uma passagem pela Quicksilver, entrou para a Fender em 2015. “Deixei a minha carreira de músico semi-profissional para entrar na Nike. Passados quase quarenta anos, ser CEO da Fender é ter o trabalho com que sonhei toda a vida”, rematou Andy Mooney