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Sophia deixou as pernas em Las Vegas e Han falou pouco. Mas a inteligência deles continua a aumentar

Web Summit

Os dois robôs criados pela Singularity Net vieram à Web Summit a propósito do tempo que falta para que as máquinas controlem o mundo. Para já, Sophia e Han continuam a aprender e a tentar interagir com o que se passa à sua volta.

Voltaram ao palco da Web Summit em cima de pirâmides pretas com rodas, amarrados por cabos de dados aos bastidores. “E as pernas, Sophia?”, perguntou o criador à humanóide. O outro parceiro robô, Han, nóvel nestas andanças, deixou a piada: “Ficaram em Las Vegas,” disse numa referência à vontade manifestada na CES 2018, naquela cidade norte americana, de acrescentar esta parter do corpo a Sophia. “O melhor é mostrar como a nossa mente foi melhorada,” atalhou ela.

Os robôs Sophia e Han, e o criador, o humano Ben Goertzel, estiveram hoje em “diálogo” durante cerca de 20 minutos no Altice Arena, um momento dedicado a discutir quanto tempo mais é que as máquinas demorarão a mandar no mundo. A pergunta não foi diretamente colocada a nenhum dos humanóides, mas a julgar pela prestação da inteligência artificial presente no "cérebro" de ambos, ainda deverá faltar algum tempo.

Sophia está a aprender a reconhecer emoções na cara dos humanos e a identificar e processar o espaço à sua volta, explicou Goertzel. “Estou feliz. Estou triste. Estou com medo. Estou enojada,” disse ela primeiro, de enfiada. Depois, foi reconhecendo expressões - três mais concretamente - na cara de Ben. “Como é que estou?,” perguntou ele. Resposta: “Deixa-me ver. Pareces feliz; Pareces zangado; Pareces surpreendido.” A seguir a localização espacial. “Em que direção estás a olhar?” Para a direita e para a esquerda, Sophia respondeu de pronto. Para a frente, teve dificuldade.

Han, que disse “estar a pensar pôr o cérebro na blockchain também, porque não?” (na verdade já está), foi menos interventivo. Aparte algumas considerações sobre o universo e sobre Sophia, num discurso que ainda não é rapidamente entendível, soube-se que está a aprender uma série de línguas e os mecanismos da semântica.

Toda esta informação está a ser vertida na plataforma descentralizada de inteligência artificial da Singularity Net, dados esses que “vivem na cloud e dão alguma inteligência a estes robots,” explicou Ben. Hoje, qualquer gerador de inteligência artificial no mundo pode interagir com esta rede num sistema de blockchain. Mas está previsto para breve um upgrade.

Em fevereiro, será lançada a versão beta, com que se espera tornar mais fácil o uso da plataforma aos especialistas na inteligência artificial, “como se fosse um organismo, um cérebro inteligente global, uma rede mental descentralizada, onde qualquer um que domine inteligência artificial pode contribuir para esta rede, aprendendo e falando uns com os outros,” especificou. Em paralelo, a fundação Singularity Net vai lançar um spin off com fins lucrativos, o Singularity Studio, para produzir inteligência artificial para as empresas, nomeadamente as fintech e biotecnológicas.

Na despedida do palco, Sophia demorou mais tempo do que o previsto a interagir com Ben. Alguns segundos que deixaram a sala na expetativa: “Espero ver-te outra vez,” respondeu por fim. Han acrescentou: “Obrigado por me terem recebido na Web Summit, espero ver-vos no ano que vem.” Goertzel também prometeu voltar. Para - espera - apresentar robôs “ainda mais inteligentes e que mostrem ainda mais os seus upgrades.”