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Guterres: “Máquinas que têm o poder de tirar vidas são moralmente repugnantes e deviam ser banidas"

Web Summit

Diana Tinoco

Na abertura da Web Summit o secretário-geral da ONU disse ainda que o mundo não está a preparar-se suficientemente depressa para o impacto que a automatização vai ter no mundo do trabalho.

O secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) fez um forte ataque à utilização das tecnologias na indústria do armamento, nomeadamente no cruzamento com a inteligência artificial, defendendo a proibição internacional do uso deste tipo de armas.

“O armamento da inteligência artificial é preocupante,” considerou António Guterres durante a abertura da edição de 2018 da Web Summit, em Lisboa.” “Máquinas autónomas com o arbítrio e a capacidade de tirar vidas são politicamente condenáveis, moralmente repugnantes e deviam ser proibidas pela lei internacional”. Uma afirmação que recebeu o aplauso da sala cheia do Altice Arena.

O secretário geral da ONU defendeu ainda o recurso a formas alternativas para lidar com o impacto das tecnologias, que não tenham de esperar pelos tempos da lei internacional, muitas vezes já ultrapassada pela realidade quando chega o momento de a aplicar. E disse que a ONU pode ser esse ponto de encontro de vontades e uma plataforma para que as tecnologias sejam “essencialmente uma força para o bem”.

Ainda assim, e numa altura em que se debate o peso crescente da internet e das redes sociais na veiculação de informações falsas e do discurso do ódio, rejeitou uma responsabilização total da web: “Não foi a web que criou a polarização, o populismo, mas está a amplificar os problemas,” avisou porém, advogando a necessidade de criação de filtros para bloquear o discurso do ódio nas redes.

Guterres defendeu ainda que o mundo está longe de estar pronto a enfrentar as consequências de uma presença cada vez maior da tecnologia no mundo do trabalho, que criará e destruirá trabalhos nas próximas décadas e gerará maior desemprego. “Não estamos a preparar-nos suficientemente depressa para isso, é óbvio. (...) Não estamos a fazer o suficiente para nos prepararmos para estes desafios,” alertou.