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A vaia, a falha técnica, a estrela de cinema e o canto dos milhões - a Web Summit abriu portas

Web Summit

Casa cheia: 15 mil pessoas dentro do Meo Arena e 3 mil na rua para assistir à sessão de abertura e aos seus sobressaltos. Durão Barroso, António Costa e o ator Joseph Gordon-Levitt foram alguns dos protagonistas

Em jeito de piada, José Manuel Durão Barroso, antigo líder da Comissão Europeia e atual presidente do banco de investimento Goldman Sachs International, começou por dizer que o seu grau de sinceridade aumentava a cada dia, agora que deixara de ocupar um cargo público.

Nem toda a gente terá achado graça, pelo menos a avaliar pelos apupos que se ouviram quando o ex-primeiro-ministro foi anunciado como orador num painel que debateu as novas realidades, sendo o Brexit uma delas. “Quando era presidente da Comissão ouvi toda a gente a prever a implosão do euro… Acredito que a Europa é bem mais forte e resiliente do que imaginamos, simplesmente as pessoas gostam de prever o pior”, afirmou.

Será que o mundo é dos pessimistas? Visto de um Meo Arena à pinha, cheio de gente com menos de 40 anos, não parece. Esta é uma cimeira para os otimistas, dos que gostam de dar um passo bem maior do que a perna, ainda que conscientes do “risco de lesão”que correm.

A reforçar este espírito, Joseph Gordon-Levitt, a estrela de cinema convidada para a sessão de abertura da Web Summit, foi ao palco dizer que, apesar de tudo, a tecnologia contribuiu decisivamente para a melhoria geral da vida. “Há 100 anos, vivia-se bem pior”, reforçou. E concluiu: “É preciso ser muito otimista nos dias de hoje”.

Joseph foi um ator criança, tendo começado a representar pelos quatro anos de idade. Recentemente, interpretou o papel de Edward Snowden, no filme de Oliver Stone. E é também empreendedor, tendo fundado o projeto hitREcord, uma comunidade online de trabalho colaborativo.

Por esta altura, já Paddy Cosgrave, criador da Web Summit, tinha perdido todo o seu otimismo acerca do bom funcionamento da rede wireless. Os problemas com o wi-fi foram sempre uma dor de cabeça durante a realização da cimeira, em Dublin.

Mas o irlandês, de 33 anos, estava confiante que, em Lisboa, tudo iria correr bem. No palco, para todos verem, quis fazer um teste ao wi-fi com o live streaming do Facebook. No entanto, a internet não funcionou. Afinal, viria a ser esclarecido mais tarde, o problema estava no telemóvel de Paddy (ligado a outra rede móvel e não à PT, que providencia a infraestrutura de wi-fi.

Lisboa, cidade aberta

A sessão de abertura da Web Summit (veja aqui as fotos) contou ainda com as intervenções do primeiro-ministro, António Costa, e do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina. Enquanto o primeiro destacou o facto de Portugal ser um País “aberto aos negócios”, o segundo declarou Lisboa como uma “cidade aberta” no sentido da tolerância.

As mesmas mensagens que ambos tinham já deixado durante a manhã, num evento paralelo destinado unicamente a investidores. Os grandes (e os pequenos também) tubarões que andam pela Web Summit concentraram-se no Palácio de Xabregas para a Venture Summit.

Aí, ouviram o Governo prometer uma linha de 200 milhões de euros de financiamento para startups, em parceria com o capital de risco. “Serão os investidores a detetar as oportunidades, a descobrir as empresas e a gerir o dinheiro. Nós investimos com eles, estamos dispostos a correr o risco”, disse João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria.

Esse instrumento, que vai buscar dinheiro aos fundos comunitários do Portugal 2020, funciona numa parceria de 50/50 com os capitais de risco. Ou seja, o Estado investe o mesmo montante do que os privados. Assim, não são apenas 200 milhões de euros, mas €400 milhões os fundos disponíveis para as startups.

João Vasconcelos, que foi diretor da incubadora Startup Lisboa antes de ir para o Governo, também subiu ao palco durante a abertura da Web Summit, juntamente com Miguel Santo Amaro, fundador e presidente da Uniplaces, e de Jaime Jorge, da Codacy, a startup portuguesa que venceu a competição na Web Summit de 2014, tendo chamado a atenção de Paddy Cosgrave para o ecossistema tecnológico português.

Estavam visivelmente emocionados, enquanto partilhavam o palco com 150 CEO’s de startups portuguesas que participam este ano na cimeira. Esta “Davos para geeks”, como lhe chamou a Bloomberg ainda vai dar muito que falar até quinta-feira, dia 10, data do encerramento.