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Paddy Cosgrave, o rosto da Web Summit

Web Summit

Tiago Miranda

O fundador, mentor e ideólogo da Web Summit é um geek hiperativo que não pára de fazer acontecer coisas. E hoje começa mais uma, em Lisboa

Para início de fevereiro, estava um final de manhã maravilhoso. Mas, naquela quinta-feira, ele nem deve ter reparado na beleza da luz refletida pelo Tejo sobre o Terreiro do Paço. A temperatura, a roçar os 20º centígrados, pedia para abdicar do casaco e arregaçar as mangas da camisa.

De iPhone na mão, Paddy Cosgrave andava por Lisboa, num lufa-lufa, galgando de encontros com jornalistas para reuniões de trabalho e almoços com ministros. Por essa altura, o fundador da Web Summit veio a Portugal numa das suas muitas viagens preparatórias do maior evento de startups tecnológicas do mundo.

O irlandês de 33 anos é um homem incontornável no mundo do empreendedorismo. Visto por muitos como um geek utópico, pôs o paradigma de inovação irlandês de patas para o ar, quando organizou a cimeira da web em Dublin, cuja primeira edição, em 2010, contou com 400 participantes. Há um ano decidiu fazer a mudança para Lisboa, da mãe de todas a conferências tecnológicas – uma “Davos para geeks”, segundo a Bloomberg.

Entre Dublin e Lisboa

Diz-se apenas um em sete mil milhões. Mas ele sobressaiu no meio da maralha ao pôr de pé uma máquina que teve um crescimento exponencial em apenas seis anos. Se a organização da primeira cimeira na capital irlandesa envolveu apenas 35 pessoas, para Lisboa já foram necessárias 150. Segundo Mike Harvey, diretor de comunicação da cimeira, esta equipa “pendulou” entre Dublin e Lisboa ao longo dos últimos meses. Cosgrave apoia-se em várias equipas, uma para os eventos, outras para acompanharem startups, investidores e os media. Habituou-se cedo ao ritmo de quem não consegue parar de fazer acontecer coisas. Nasceu numa quinta em Wicklock, formou-se em Dublin, no Trinity College. Estudou gestão, Economia e Estudos Sociais. Ao matricular-se ainda pensou: “Uau! Seria engraçado tornar-me académico ou economista.” Mas desistiu da ideia. Optou por algo menos difícil: empreendedor, segundo disse a um jornal da Faculdade em 2013. Envolveu-se a fundo nas atividades extracurriculares da faculdade: presidiu à Phil, uma sociedade filosófica e dirigiu a revista satírica Piranha.

Combate à abstenção

Quando acabasse o curso ia montar uma empresa com um amigo, mas tropeçou em Hugh O'Regan que ele considera “um incrivelmente colorido e maravilhoso empreendedor”. Este convenceu-o a fazer algo diferente e criaram a Rock the Vote Ireland, uma campanha que visou combater a abstenção eleitoral entre os jovens durante as legislativas irlandesas de 2007. Ainda nesse âmbito criou o site MiCandidate, projeto que fornecia informação sobre os candidatos àquelas eleições. A página tornou-se um agregador de informação política ao nível europeu. Foi vendida em outubro de 2009 e, nesse mesmo mês, Cosgrave organiza uma conferência em que se participa apenas por convite. Um ano depois, realiza a primeira Web Summit.

O seu contacto com Portugal ocorreu em Dublin, em 2014, quando foram ao palco os três finalistas do prémio Web Summit – duas start ups de São Francisco e uma portuguesa. Cada uma teve três minutos para se apresentar. Venceu a portuguesa Codacy. Cosgrave ficou surpreendido e, sentindo a necessidade de crescer para fora da Irlanda, olhou para Portugal. Percebeu que muita coisa estava a acontecer no ecossistema das startup lusas e que Lisboa abria à cimeira “possibilidades ilimitadas”.

Em privado

- Preza muito a privacidade. Doseia o pouco que se sabe sobre a sua vida pessoal

- Em maio, casou em segredo com a modelo Faye Dinsmore, sua companheira há oito anos. A 10 de outubro, tiveram a primeira criança. Chama-se Cloud (Nuvem)

- Diz-se que gosta de receber titulares de cargos políticos em T-shirt e chinelos

- É obcecado por pormenores. “Tens de te preocupar com os pormenores. Caso contrário és ofuscado pelo brilho das luzes”, afirmou numa entrevista

- O seu gadget indispensável é um lápis de grafite. Gosta de sublinhar o que lê