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'Dolce far niente'

Dormir

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Um casal italiano recuperou um paraíso perdido com varanda para o Tejo. Embalar os dias é aqui

É um cenário de filme. Na verdade, já o foi. Em 1999, a cineasta Manuela Vicente aproveitou os interiores da casa e as redondezas para dar corpo a Glória, concorrente ao Festival de Berlim.



Mas isso é o menos, acredite-se. Quem chega, apaixona-se pelas buganvílias que foram trepando pelas paredes, muros e varandas. Pasma com as vistas para o Tejo, que corre em fundo e deixa o queixo à banda. Delicia-se com os ovos caseiros e os figos "pingo de mel". Aqui, a tranquilidade toma conta dos dias, mas o silêncio não é necessariamente lei. A estação de Belver/ Gavião fica ali ao lado e o muro da casa bordeja os trilhos onde comboios passam, algo resmungões e espaçados, trazendo ao imaginário uma leve memória da azáfama ferroviária de outros tempos.



Os prazeres e encantamentos da Casa Covão da Abitureira têm o dedo de Giorgio e Serenella, o simpático casal de italianos que, em meados dos anos 90, recuperou e rebatizou uma antiga fábrica de alpergatas, na qual vive também Federico, o filho.

 

 

O clã é um tesouro de histórias, entre as quais a da própria casa. Inaugurada em 1937, foi poiso e local de trabalho do empresário galego António Seara e das suas dezenas de operários. Foi devolvida à dignidade de outrora mantendo a traça original, por respeito à memória e ao espírito do lugar. O dolce far niente tem aqui a sua morada de excelência, ora ao sabor das conversas de final de tarde com a família de proprietários, ora cúmplice dos fantásticos serões ao luar, entrecortados por uma sinfonia de rãs. Cumplicidade e privacidade, a receita mais difícil de conseguir neste turismo de olhos nos olhos, ganham aqui outra dimensão.



A casa-mãe tem sete quartos, alguns com vista para o Tejo. Mas há também pequenos apartamentos, todos equipados.



Pode desfrutar-se da horta, através da qual se acede ao rio, e de uma pequena praia privativa, onde há canoas e gaivotas disponíveis para navegar no Tejo. A poucos quilómetros de algumas das melhores praias fluviais do Alentejo e a centenas de metros do castelo e da histórica aldeia de Belver onde se diz que Luís de Camões se refugiou para fugir a perseguições, a Casa Covão é o sítio onde o tempo parou para se espreguiçar. E ficou.



CASA COVÃO DA ABITUREIRA

Belver, Gavião

T. 241 635 211, 96 385 1403,

casa.covão.abitureira@iol.pt

€50-€60 (noite/ quarto)