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Trilhos na Índia [8]

Trilhos na Índia

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Agra, cidade do Taj Mahal

A noite mal dormida, mais uma vez a bordo de um comboio, provoca-nos dores de cabeça e de costas, não recomendáveis para quem quer aproveitar as férias. Mas mesmo assim, combalidos e ligeiramente atordoados, lá conseguimos encontrar os cacifos onde iremos pousar as mochilas... Difícil é convencer o senhor mal encarado a registá-las, uma vez que resolveu não considerar seguros os nossos cadeados. A argumentação gesticular e as nossas caras de desespero devem ter chegado.

Decidimos não ficar em Agra, a cidade é caótica, as pessoas, mesmo habituadas a turistas, parecem menos amistosas. Bem, mas a verdade é que o tempo começa a escassear e que temos de fazer opções.

Optámos por ficar o dia em Agra e apanhar, a meio do dia, o autocarro para Jaipur. Ainda nos falta um bilhete de comboio e mais umas cópias do passaporte...Claro está, o desenrascanço português na Índia tudo resolve e podemos finalmente negociar a viagem de riquexó até à imagem de postal da Índia, a sua eterna maravilha, o Taj Mahal.

Não podemos descrevê-lo pois tanto já foi dito e contado...Tantas fotos, todos os ângulos foram já captados. Resta-nos tentar transmitir a sensação que este colosso exerceu sobre nós, a forma como ficámos maravilhados com a sua estrutura imponente, com as suas cores.

 

 

 

Os pormenores da construção são soberbos, o rendilhado dos interiores, os jardins e toda a envolvência. A simbiótica com o rio que corre atrás do palácio... A serenidade que invade o espaço, respeitado por todos os visitantes...

O romantismo da obra que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Mumtaz Mahal, transborda nas suas linhas. Foram necessários cerca de 20 mil homens para erguer esta preciosidade de mármore e, ao que parece, até portugueses estiverem envolvidos na sua construção.

Muitos mitos envolvem a construção do Taj, um dos mais deliciosos refere-se ao facto de, depois de completar o seu trabalho, o imperador, fazia cegar os construtores e cortava as mãos para que não pudessem voltar a construir um monumento que igualasse a superioridade do Taj Mahal. Ao que parece, tudo não passa disso mesmo, de um mito.

São fotografias e sorrisos que muitos dos visitantes nos pedem, por nos acharem quase ou mais excêntricos que o TAJ.

Perdemos horas, sob o sol intenso, e nem demos pelos minutos a passar. Como disse um dia esse vulto maior da poesia indiana, Rabindranath Tagore, o Taj Mahal é "uma lágrima no limiar dos tempos".