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One, Two, Three...Viva l'Algérie [1]

One, Two, Three...Viva l’Algérie

Crónica de apresentação

Argel. Os vencedores do prémio “Argélia”, da Lotaria do Mundo
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Argel. Os vencedores do prémio “Argélia”, da Lotaria do Mundo

Argel. Couscous
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Argel. Couscous

Argel. Porto de pesca de Tamenfoust
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Argel. Porto de pesca de Tamenfoust

Le Grand Sud. Mercado em Tamanrasset
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Le Grand Sud. Mercado em Tamanrasset

Le Grand Sud. Planícies da cadeia montanhosa do Hoggar
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Le Grand Sud. Planícies da cadeia montanhosa do Hoggar

Le Grand Sud. Assekrem (ponto mais alto da cadeia montanhosa do Hoggar)
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Le Grand Sud. Assekrem (ponto mais alto da cadeia montanhosa do Hoggar)

Le Grand Sud. Nascer do sol no Assekrem
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Le Grand Sud. Nascer do sol no Assekrem

Passeio de camelo no Tombeau de la Chrétienne
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Passeio de camelo no Tombeau de la Chrétienne

Constantine. Cidade das pontes e dos abismos
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Constantine. Cidade das pontes e dos abismos

Constantine. Mesquita
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Constantine. Mesquita

Chrea. A montanha da neve, no Inverno
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Chrea. A montanha da neve, no Inverno

Ghardaïa. O vale do M’Zab em pano de fundo
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Ghardaïa. O vale do M’Zab em pano de fundo

Ghardaïa. Traje típico dos homens
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Ghardaïa. Traje típico dos homens

Djemila. Ruínas romanas, património da UNESCO
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Djemila. Ruínas romanas, património da UNESCO

Timimoun. Deserto dunar
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Timimoun. Deserto dunar

Timimoun. Eles andem aí!
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Timimoun. Eles andem aí!

Timimoun. Desconhecidos com cara de muitos amigos
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Timimoun. Desconhecidos com cara de muitos amigos

Fevereiro de 2009. Termino o curso. Depois de muitas horas de trabalho e esforço, fecho mais um ciclo da minha vida. E agora?

Maio de 2009. O trabalho em part-time que tive durante o último ano da faculdade virou full-time, mas o desejo de procurar uma coisa diferente, uma experiência nova, um desafio aliciante, esse não desapareceu. Aos tombos na minha cabeça andava uma ideia que tinha aparecido um ano antes: candidatar-me ao programa de estágios internacionais INOV Contacto. Caso fosse selecionado, seria enviado para um país onde iria trabalhar numa empresa, durante 6 meses, e não teria oportunidade de escolher nem o país, nem a empresa. Parecia o tipo de oportunidade que preenchia os requisitos do que eu andava à procura para mim. Decidi candidatar-me. Preparei o CV em Português, depois em Inglês, preenchi o formulário na Internet e carreguei no botão "Submeter Candidatura". Os dados estavam lançados.

Julho de 2009. Um dia antes do mês acabar, You got mail. Abri o mail, que tinha INOV Contacto no assunto, com o coração meio aos pulos. Na primeira linha do texto podia ler-se, a negrito, que estava a ser convocado para a primeira fase do processo de seleção. Fiquei radiante. No dia seguinte era o meu aniversário, esta prenda antecipada caiu do céu que nem gingas.

Agosto de 2009. Acordei cedo, ou talvez nem tenha dormido, naquele dia em que fui à primeira fase do processo de seleção. Apresentação de documentos, validação da papelada, tudo nos conformes. Testes psicotécnicos, exercícios de lógica e perspicácia. No final, marcação de um dia para novos testes e entrevista individual. Apareci no segundo dia de testes com um Certificado de uma escola de línguas com uma apreciação sobre os meus conhecimentos de Inglês, uma exigência do protocolo do programa. Dinâmica de grupos para começar o dia, entrevista individual para acabar. À pergunta: "Quando é que me dizem alguma coisa?", responderam-me: "Lá para final de Agosto, princípio de Setembro".

Setembro de 2009. Quem espera desespera, diz o ditado. E digo eu também. Era assim que me sentia quando, a meio de Setembro, novo mail de deixar o coração aos pulos. Desta vez, as letras a negrito diziam que na fase de seleção tinha sido considerado apto para participar no programa e que devia permanecer atento à caixa de e-mail, pois poderia ser contactado para ser definitivamente integrado no programa. Trocando por miúdos, depois de ser considerado apto tinha que passar pelo processo de matching, onde os perfis das pessoas e das empresas seriam cruzados. Se houvesse alguma empresa a pedir uma pessoa com o meu perfil, tudo bem; caso contrário, tudo menos bem.

Novembro de 2009. Um mail dado como apto, dois dias de testes, um Certificado de Inglês, um mail a ser convocado para a primeira fase do processo de seleção e sete meses depois de ter carregado no botão "Submeter Candidatura", continuava sem saber muito bem o que o futuro me reservava. Até que recebi o derradeiro mail que, sem nada em negrito, comunicava que tinha sido apurado para integrar a edição 2009/2010 do programa INOV Contacto. A dúvida estava desfeita, a incerteza morta. Como quem chora de alegria, senti o coração a pular, desta vez de contentamento e excitação. Já sabia que ia, só não sabia para onde. Mas isso não me incomodava. Esta ideia de Lotaria do Mundo agradava-me bastante. Contudo, depois de tanto tempo à espera para saber se ia ou se não ia, agora tinha que esperar ainda mais um pouco para saber para onde ia. No final de Novembro a entidade promotora do programa organizou um Curso de Práticas Internacionais (Campus), onde foram tratados temas do interesse das 550 pessoas que em breve partiriam para uma qualquer parte do mundo. Foi no último dia do Campus, mesmo no final do dia, que os 550 corações palpitantes presentes no auditório souberam, um por um, o destino que a Lotaria do Mundo lhes reservava. Quando chegou a minha vez (esta é fácil), apareceu na tela: Paulo Santos, Argélia.

Dezembro de 2009: Se os primeiros segundos depois de ler "Argélia" foram de euforia e entusiasmo, logo de seguida pensei: "Não sei qual é a língua que se fala lá. Será francês? Inglês? Não sei o nome da capital. Acho que a Argélia fica no Norte de África, mas nem sei bem onde". Os meus amigos, se antes diziam que eu tinha uma sorte dos diabos por estar prestes a ir para um país qualquer do mundo, agora diziam-me que tinha tido azar, porque de tantos países que existem no mundo, tinha que ir para a Argélia. Da minha parte, o que eu queria era aventura e ir à descoberta, e a Argélia parecia-me perfeita para isso. Tratei de aspetos burocráticos e logísticos como fazer o Passaporte Especial de Serviço (por haver um acordo entre os Governos de Portugal e Argélia que, neste caso, o permitiram); ir à consulta do viajante e receber a profilaxia necessária; preparar as malas para 6 meses; encher um disco externo com filmes, séries e música; escolher uns livros para ler durante a estadia na Argélia. Depois, fiquei à espera do mail que ditaria o dia e a hora da partida.

Janeiro de 2010. Não dormi na madrugada de 5 para 6 de Janeiro. O avião levantava às 7 horas da manhã, o que fazia com que tivesse que estar às 5 da manhã no aeroporto para fazer o check-in. Entre despedidas, ultimar pormenores e fazer uma última revisão da bagagem, não preguei olho. À hora certa, cheguei ao aeroporto para embarcar naquela que seria a viagem mais rica da minha vida, até então.

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