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Foram descobertos sinais que permitem a deteção precoce de distúrbios alimentares

VISÃO Saúde

BSIP/ Getty Images

Um estudo de larga escala revela que as pessoas diagnosticadas com distúrbios alimentares tinham uma maior probabilidade de sofrer de outras doenças mentais e de ter tomado certos tipos de medicação nos anos anteriores ao diagnóstico

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

Os distúrbios alimentares - como a anorexia nervosa, a bulimia e o transtorno da compulsão alimentar periódica - resultaram na hospitalização de 4485 pessoas em Portugal num período de 14 anos, segundo dados compreendidos entre 2000 e 2014. O número real de afetados pode, no entanto, ser maior, visto que nem todos os afetados procuram a ajuda necessária.

Afetam predominantemente mulheres e são normalmente diagnosticados durante a adolescência e no início da idade adulta. São uma das doenças do foro psicológico com a maior taxa de mortalidade, tanto por causas físicas como por suicídio.

Quanto mais cedo um distúrbio alimentar for detetado, melhor o resultado no seu tratamento. É aqui que entra o estudo realizado pela Universidade de Swansea, no País de Gales, Reino Unido. Através da observação de registos anónimos de saúde de pacientes de médicos de família e de hospitais do País de Gales, os investigadores descobriram que 15.558 pessoas foram diagnosticadas com distúrbios alimentares, entre 1990 e 2017.

Nos dois anos anteriores ao diagnóstico, este grupo de pessoas teve níveis elevados de: outras doenças mentais, como distúrbios da personalidade, alcoolismo ou depressão; acidentes, lesões ou automutilações; prescrições de medicamentos para o sistema nervoso central, como antipsicóticos e antidepressivos; prescrições de medicamentos gastrointestinais e suplementos dietéticos. A observação destes sinais pode permitir aos médicos a identificação e diagnóstico precoces de distúrbios alimentares.

“Não posso enfatizar o suficiente a importância da deteção e intervenção precoces em distúrbios alimentares” alerta Jacinta Tan, professora de psiquiatria na Universidade de Swansea e a principal autora do estudo. “Atrasos no diagnóstico e no tratamento são infelizmente comuns e associados a um grande sofrimento e a maus resultados”. A autora revela ainda que a maioria dos mais de 15.500 pacientes estudados não se encontravam registados em organizações especializadas neste tipo de casos.

Quanto às receitas prescritas por médicos, Tan conclui que, ao serem em maior quantidade que o normal, mostram que os pacientes estão com dificuldades em tratar os seus sintomas. Tal aponta para a necessidade clínica de intervir mais depressa no problema, e para a necessidade de apoiar os médicos a conseguir identificar mais depressa um possível distúrbio alimentar.

Keith Lloyd, presidente do Royal College of Psychiatrists, no País de Gales, comentou o estudo: “os dsisturbios alimentares podem ter um impacto devastador nas pessoas e nas suas famílias, o que torna este estudo muito oportuno. Estamos comprometidos a apoiar o fornecimento de serviços e apoio adequados às pessoas do País de Gales com distúrbios alimentares, perto do seu local de residência”.