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A Rússia quer multar todos os que negarem a existência da SIDA

VISÃO Saúde

Artyom Geodakyan/ Getty Images

Na Rússia, cada vez mais pessoas acreditam que o VIH e a sida não são reais. Como resultado, o número de pessoas infetadas tem também aumentado. Em resposta a esta crise, o governo russo pretende tornar ilegal desmentir a existência da doença

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

Graças à crescente epidemia de VIH/SIDA que a que se tem na Rússia nos últimos anos, o Kremlin está a planear a criação de uma lei que multará todos aqueles que promoverem a teoria de que a doença não é real.

A teoria da conspiração surgiu na internet e tem ganho cada vez mais defensores em várias plataformas online russas - defende que a sida não passa de "o maior mito do século XX”, inventado pelas companhias farmacêuticas para enriquecer.

Como resultado, o número de infetados no país tem aumentado drasticamente. Segundo fontes governamentais, nos dois últimos anos foram descobertos mais de 100 mil novos casos de SIDA. Em algumas cidades, como Ecaterimburgo, uma em cinquenta pessoas são alegadamente seropositivas. A Organização Mundial de Saúde estima que que entre 900 mil e 1,2 milhões de pessoas viva com o vírus no país, cuja população total ronda os 144 milhões. Cerca de três quartos (73%) das novas infeções são contraídas por sexo heterossexual e 25% por partilha de seringas.

O projeto de lei aparece como uma forma de combater o que, segundo a ministra da saúde Veronika Skvortsova, é um “perigo para a sociedade”. Quem negar a existência de VIH ou SIDA deverá pagar uma multa de 3 mil rublos russos (ou cerca de 42 euros) ao Estado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o vírus da imunodeficiência humana (VIH) afeta as células do sistema imunitário e altera ou anula a sua função. O vírus vai, portanto, deteriorando o funcionamento do sistema imunitário, deixando o organismo do portador incapaz de se defender de quaisquer infeções. Sida é o nome que se dá a uma infeção com VIH em estado avançado, na qual o corpo já esteja a ser atacado por uma infeção ou cancro que não consegue combater.

Sem o tratamento adequado, a sida acaba por levar à morte. Contudo, os tratamentos modernos, quando devidamente feitos, têm a capacidade de suprimir o vírus por completo, impedindo que o VIH evolua para sida e eliminando o risco de contágio. Estima-se que apenas um terço dos seropositivos esteja a receber o tratamento adequado com medicamentos antirretrovirais, à medida que cada vez mais pessoas não acredita na veracidade da sida.

O Kremlin já fora anteriormente criticado por não ter um programa de seringas limpas para toxicodependentes e por não permitir o ensino da educação sexual nas escolas russas.

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