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Mesmo com sintomas idênticos, a depressão pós-parto é mais associada a mulheres do que a homens

VISÃO Saúde

JGI/Tom Grill/ Getty Images

Um novo estudo britânico revela que a depressão pós-parto é muito mais facilmente identificável numa mulher do que num homem com os mesmos sintomas

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

As pessoas associam a depressão pós-parto muito mais facilmente a uma mulher do que a um homem. Um novo estudo publicado na Journal of Mental Health mostra que, quando expostas a um homem e uma mulher com os mesmos sintomas, apenas metade das pessoas que consegue identificar a doença na mulher o consegue fazer no homem.

O estudo foi feito na Universidade Anglia Ruskin, em East Anglia, no Reino Unido, e envolveu 406 adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos. Os participantes foram expostos a dois casos de pessoas com sintomas de depressão pós-parto, um homem e uma mulher.

A experiência mostrou que 97% dos participantes conseguiram identificar um problema de saúde na mulher, enquanto apenas 76% o conseguiram identificar no homem. Mais, dos que conseguiram identificar um problema de saúde em ambos, 90% conseguiram identificar corretamente a depressão pós-parto na mulher e apenas 46% acertou no diagnóstico do homem com os mesmos sintomas.

O segundo diagnóstico mais provável, segundo os participantes, seria o de stress e cansaço - 21% consideraram que o homem estaria a sofrer disso e 0.5% acharam o mesmo acerca da mulher.

No geral, os participantes reportaram compreender menos claramente que o homem estava a sofrer, acharam que o seu problema seria mais fácil de resolver, demonstraram menos compaixão para com ele e mais dificilmente reconheceram que ele precisaria de ajuda.

Viren Swami, professora de psicologia social na Universidade Anglia Ruskin e principal autora do estudo, postula que a razão para a diferença observada entre os sexos pode passsar por falta de conhecimento de que a depressão pós-parto afeta também os homens ou a consideração de que se trata de um “problema de mulher” referente à mudança hormonal do parto.

“O que é certo é que muito mais pode ser feito para promover um melhor entendimento da depressão pós-natal paternal, para as pessoas não a menosprezarem pensando que se trata apenas de cansaço ou stress”, disse Swami.

“Isto é especialmente importante porque muitos homens que experienciam sintomas de depressão após o nascimento de um filho podem não ser confiantes o suficiente para procurar ajuda, e podem ser negligenciados pelos profissionais de saúde nos exames de rotina a novos pais”, acrescenta.

Um estudo de 2017 indica que a depressão pós-parto afeta entre 3% a 10% dos homens. Os sintomas de uma depressão pós-parto, tanto nos homens como nas mulheres, são semelhantes aos de qualquer outra depressão - sensação de tristeza persistente, falta de energia, dificuldades a dormir - e surgem ao longo das semanas após o nascimento do bebé, com tendência a agravar-se com o passar do tempo. A falta de vontade, o cansaço prolongado, a dificuldade de concentração e irregularidades no apetite são outros sintomas comuns da doença.

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