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Nove em cada dez 'influencers' de saúde não sabem do que estão a falar, revela um estudo

VISÃO Saúde

Simona Pilolla / EyeEm

Se está a tentar perder peso e segue os conselhos de influenciadores, podemos ter más noticias para si. Ao que um novo estudo indica, nove em cada dez não têm qualquer conhecimento científico a basear as sugestões que fazem nos bloguess aos seus seguidores

Pedro Dias

A chegada das redes sociais trouxe consigo uma nova dimensão dos influencers. Alguns já eram famosos e aproveitaram os meios sociais para ganhar visibilidade, outros nasceram a partilhar conteúdo nas plataformas online sobre o mais variado tipo de coisas - beleza, moda, saúde, exercício físico, comida ou uma combinação de ambos – e cresceram graças ao número de seguidores que as suas publicações foram angariando.

Mas nem tudo é tão linear quanto parece. Um novo estudo apresentado no Congresso Europeu da Obesidade, decorrido em Glasgow, na Escócia, entre 28 de Abril e 1 de Maio de 2019, sugere que apenas um em cada dez influencers de saúde sabe realmente do que está a falar nas suas publicações relativas a perda e manutenção de peso. Os outros nove, nem por isso.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, no Reino Unido, analisaram os blogues dos 14 influencers promotores de hábitos de vida saudáveis mais populares no Reino Unido. Os critérios de seleção foram: ter mais de 80 mil seguidores em pelo menos uma plataforma online, ter conta verificada em pelo menos duas plataformas (o emblema azul que reconhece as contas oficiais) e ter um blogue dedicado a hábitos de vida saudáveis (como nutrição e exercício). Determinaram que apenas um em cada dez baseava o seu conteúdo em conhecimento científico, tinha conhecimentos nutricionais e era imparcial e transparente nos produtos e marcas que recomenda.

Segundo Christina Sabbagh, a principal autora do estudo, a maioria dos blogues não pode ser considerada uma fonte segura na matéria “por apresentarem opiniões como sendo factos e por não atingirem os critérios de nutrição promovidos pelo Reino Unido”. A investigadora considera até que o conteúdo apresentado “é potencialmente nocivo, por estes blogues terem uma audiência tão vasta”.

Além disso, foi investigada a informação nutricional das últimas 10 receitas partilhadas em cada um desses blogues e comparada com as regulamentações do Departamento de Saúde e Cuidados Sociais britânico. Apenas três influencers cumpriam com os requisitos estipulados pela entidade.

Resumidamente, apenas um influencer, registado como nutricionista na UK Association for Nutrition, cumpriu os critérios da universidade. “Presentemente não existem critérios para avaliar a credibilidade dos blogues de influencers”, refere Sabbagh. “Dada a popularidade e o impacto dos media sociais, todos os influencers deviam ser obrigados a atender a critérios científicos ou medicamente justificados para a provisão de recomendações de manutenção de peso online”, remata.

O estudo vem, mais uma vez, mostrar que nem tudo o que se vê na Internet deve ser reconhecido como verdadeiro, mesmo quando defendido por pessoas ditas “entendidas” no assunto. Já anteriormente tinham sido desmistificados alguns influencers de yoga e exercício físico pelas suas posturas pouco corretas e pela utilização errada de equipamento desportivo.

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