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Veja como foi o momento histórico em que o primeiro órgão para transplante foi transportado por drone

VISÃO Saúde

Pela primeira vez, um drone foi usado para transportar um rim para transplante. O voo foi curto mas o órgão chegou em segurança e foi transplantado com sucesso

Pedro Dias

Uma mulher que aguardava um transplante há oito anos foi operada na última quarta-feira com sucesso, na Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland. A operação não foi pioneira, mas o meio de transporte do órgão foi: um drone desenvolvido especialmente para este propósito.

O dispositivo foi desenvolvido por médicos, investigadores e especialistas da engenharia e da aviação da Universidade de Maryland e da ONG Living Legacy Foundation of Maryland, que facilita a doação e transplante de órgãos. A equipa especula que os drones se tornem no futuro do transporte de órgãos, graças à sua rapidez, segurança e baixo custo.

Quanto mais rapidamente o órgão é transplantado, maior a probabilidade de sucesso do transplante. O voo de drone até à Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland demorou cerca de 5 minutos, sem qualquer atraso. Contudo, os órgãos são normalmente transportados em voos comerciais ou privados, sujeitos a grandes tempos de espera, atrasos ou esquecimentos. Segundo a United Network for Organ Sharing, cerca de 1,5% dos órgãos não chegam ao seu destino e 4% sofrem atrasos de duas ou mais horas.

O transporte do rim tinha sido previamente testado com soluções salinas, material médico, sacos de sangue e finalmente com um rim humano não viável para transplante. O procedimento incluiu o desenvolvimento personalizado da aeronave e o desenho de aparelhos especialmente desenhados para manter a viabilidade de órgãos humanos durante o voo.

Construimos uma série de redundâncias, porque queremos fazer todos os possíveis para proteger a carga”, diz Anthony Pucciarella, responsável pelas operações de teste, num comunicado da Universidade de Maryland. Como medidas de segurança, o drone incluía motores e ventoinhas de reserva, bateria dupla, um distribuidor de energia de reserva e um sistema de paraquedas, caso a aeronave falhasse a meio do voo.

Darryll J. Pines, diretor da A. James Clark School of Engineering, da Universidade de Maryland, acredita que por mais que o procedimento seja valorável para o futuro da engenharia, “o seu derradeiro propósito não é a tecnologia, mas o aprimoramento da vida humana”. O especialista acredita no papel da tecnologia para melhorar o acesso à transplantação de órgãos.