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Dar beijos e receber lambidelas de animais de estimação pode propagar bactérias resistentes a antibióticos

VISÃO Saúde

Sally Anscombe/ Getty Images

Um grupo de investigadores concluiu que o contacto com a saliva de animais de estimação pode ajudar na propagação de bactérias resistentes a antibióticos. E as bactérias tanto se propagam de animais para humanos, como de humanos para animais

Pedro Dias

Mimar os animais de estimação com beijos pode ser prejudicial para a saúde, tanto do humano como do animal. Quem o diz é Adele Dickson, psicóloga no Caledonian University, em Glasgow, no Reino Unido, e principal autora do estudo publicado no jornal Health Psychology and Behavioral Medicine.

Qualquer tipo de contacto acarreta esse risco, mas Dickson frisa que o mais perigoso é o contacto com a saliva do animal, e o contacto dele com a nossa.

O estudo foi levado a cabo por especialistas do Caledonian University, liderados por Dickson, e consistiu na entrevista a 35 donos de animais de estimação. Todos os inquiridos tinham animais tratados recentemente com recurso a antibióticos.

A investigação permite concluir que as bactérias podem tornar-se resistentes a antibióticos quando as pessoas ou os animais tomam doses incorretas dos medicamentos, ou quando os tomam indevidamente. Tal significa que, por via da saliva, as bactérias resistentes podem passar de animais para humanos, ou vice-versa.

“Este contacto próximo tem potencial para colocar adultos, crianças e os próprios animais em risco de transferir bactérias resistentes a antibióticos por via da saliva”, revela Dickson. Ainda assim, a equipa de investigadores reconhece que o risco é pequeno e que o comportamento afetuoso para com os animais de estimação é “tão fortemente estimado que é improvável que esteja recetivo a mudar”.

Com isso em mente, Dickson propõe uma serie de pequenas mudanças que qualquer dono de animais de estimação pode adotar para proteger a saúde: não beijar o animal na boca, não os deixar lamber a nossa boca e nariz e lavar as mãos depois do contacto com o pelo do animal. Mas mais importante que todas estas medidas, os donos devem informar-se junto dos veterinários sobre a necessidade de antibióticos antes de os darem aos seus animais.

“A maior mensagem a reter pelos donos de animais acerca deste estudo é para pensarem duas vezes se os animais, eles próprios, os filhos ou outros membros da família precisam mesmo de tomar antibióticos”, diz Dickson.

Segundo a invesrtigadora, muitos dos inquiridos revelaram pedir especificamente antibióticos ao veterinário quando os seus animais ficam doentes. Embora pensem que estão a ajudar os animais “estão na verdade a fazer mais mal do que bem, se estes não forem necessários”, revela.

Dickson frisa ainda que o estudo não tem como objetivo terminar com as relações afetuosas entre as pessoas e os seus animais. Estas são, segundo a psicóloga, muito importantes para "a saúde física e mental e o bem-estar" dos donos.

A Organização Mundial da Saúde considera que os antibióticos existentes hoje em dia possam rapidamente deixar de fazer o efeito desejado no futuro, visto o aumento da resistência observado às substâncias por parte das bactérias.

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