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Sabe quando deve aplicar quente ou frio nas inflamações?

VISÃO Saúde

Rob Gage / GettyImages

Quando ocorrem estes processos inflamatórios, surge, muitas vezes, a dúvida sobre se se deve colocar a região afetada exposta ao calor ou ao frio. A VISÃO explica o que fazer em vários casos

Durante um processo inflamatório, que pode acontecer em várias regiões do corpo, a zona afetada fica, normalmente, dorida, avermelhada, quente, inchada e com edema, sintomas que podem provocar, até, uma perda significativa da sua função.

"A dor deve-se, principalmente, à existência de tecidos danificados. O rubor e o calor aparecem por causa do aumento substancial de sangue na zona lesada e o tumor acontece por acumulação anormal de líquidos - o plasma e o sangue - fora e entre as células dos tecidos afetados", explica Eduardo Mendes, médico de família do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa, que relembra a importância da identificação dos diferentes sintomas para a decisão de se usar o frio ou o quente.

Em primeiro lugar, é importante conhecer os efeitos dos dois tipos de tratamento, denominados crioterapia e termoterapia, no corpo: Quando se utiliza o frio, pretende-se provocar vasoconstrição, ou seja, diminuir o calibre dos vasos sanguíneos e ,assim, reduzir o afluxo de sangue aos tecidos danificados, diminuindo a dor e o edema.

Já com a utilização do calor consegue-se o efeito oposto, isto é, a vasodilatação. Desta forma, vai haver um aumento do fluxo de sangue nos tecidos inflamados, que vai aliviar, também, a dor, os espasmos e as contraturas musculares, assim explica o médico.

Mas, então, em que situações devem ser utilizados cada um deles?

De acordo com Eduardo Mendes, "de uma forma genérica", pode dizer-se que a região afetada deve ser exposta ao frio quando existirem traumatismos agudos e ferimentos não infetados e ao calor sempre que ocorrem contraturas, espasmos musculares e algumas lesões crónicas.

Por exemplo, em casos de entorses, traumatismos do cotovelo ou joelho ou caso se bata com a cabeça num móvel, deve aplicar-se gelo nos 30 minutos seguintes, durante períodos de 10 a 15 minutos e com intervalos de cerca de meia hora. "Algumas horas depois do traumatismo já não faz sentido a aplicação de frio, porque o seu efeito já passa a ser diminuto ou até contraproducente. O frio é para ser aplicado de imediato", explica o médico.

Contudo, caso se sintam dores na região lombar depois do levantamento de objetos pesados ou até a fazer a cama, quando se acorda com um torcicolo e sempre que aparece uma contratura muscular faz sentido a aplicação de quente que vai ajudar no relaxamento muscular.

O calor pode ser aplicado por períodos de 20 minutos, entre três e quatro vezes por dia. "A forma mais habitual de aplicar calor é através do uso do saco de água quente, que para maior eficácia deve ser envolvido numa toalha fina, de preferência húmida", diz Eduardo Mendes.

O médico alerta, contudo, para o facto de estes exemplos se aplicarem, principalmente, a processos inflamatórios agudos, localizados e onde não exista qualquer suspeita de uma possível infeção.

Além disso, "os mais idosos devem ter especial cuidado no uso do calor e do frio nos traumatismos e em situações inflamatórias", explica Eduardo Mendes, "não só porque tomam medicações que podem ter riscos acrescidos, mas também porque podem agravar ou mascarar situações clínicas mais complexas".

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