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O caso da mulher que sofreu um choque anafilático depois de fazer sexo oral

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AFP

O companheiro da doente tinha tomado, quatro horas antes, amoxicilina, um antibiótico muito comum que faz parte da classe da penicilina, substância a que a mulher era alérgica desde criança

Um artigo recente publicado narevista científica British Medical Journal relatou um caso de reação alérgica extrema depois da prática de sexo oral, que aconteceu em Espanha.

O acontecimento raro - o primeiro deste género a ser conhecido publicamente - foi descrito por dois investigadores do Hospital Universitário de Alicante, que assistiram à chegada nos serviços de urgência do hospital de uma mulher de 31 anos que apresentava muita dificuldade em respirar, urticária e vómitos constantes.

Os médicos perceberam que se tratava de uma anafilaxia moderada, uma reação alérgica mais grave, e a doente foi rapidamente tratada com medicação apropriada para esses casos, que incluiu epinefrina, metilprednisolona e salbutamol nebulizado, reduzindo imediatamente os sintomas.

Reações alérgicas graves não são incomuns, mas o que provocou esta reação específica já é, pelo contrário, um caso raro. Isto porque os sintomas começaram a aparecer logo após ter feito sexo oral a um homem sem preservativo.

Em primeiro lugar, os investigadores colocaram a hipótese de se tratar de uma alergia ao esperma do companheiro, denominada hipersensibilidade ao plasma seminal humano, que se caracteriza por uma reação a determinadas proteínas presentes no sémen e que é muito subdiagnosticada e confundida com outro tipo de alergias ou infeções vaginais, por exemplo.

A hipótese não foi confirmada porque a doente não tinha tido, até àquele momento, qualquer reação semelhante quando se envolveu sexualmente com outras pessoas.

Por outro lado, a mulher, que em criança, tinha desenvolvido um caso semelhante de urticária depois de tomar amoxicilina, um antibiótico muito comum que faz parte da classe da penicilina, era alérgica ao último grupo de antibióticos.

Não, a doente não tinha tomado qualquer medicação deste género, mas o seu parceiro, que estava com uma infeção no ouvido, tomou, durante cinco dias, ibuprofeno alternado com Augmentin, um anibiótico que combina amoxicilina e ácido clavulânico.

O homem de 32 anos contou, então, que tinha tomado o antibiótico, utilizado muitas vezes para o tratamento de várias infeções bacterianas, apenas quatro horas antes de se envolver com a mulher.

O culpado estava encontrado. "Até onde sabemos, este é o primeiro caso relatado de uma anafilaxia possivelmente induzida por amoxicilina numa mulher após contacto sexual oral com um homem que estava a tomar o medicamento", escreveu a equipa de investigadores.

Mas este antibiótico pode, realmente, ter chegado ao esperma em concentrações suficientemente altas para provocar uma reação alérgica?

Estudos realizados ao longo do tempo têm demonstrado que certos antibióticos podem chegar à próstata. Antibióticos como o Cipro ou o Bactrim, utilizados para tratar infeções na próstata, são exemplo disso.

Contudo, a pesquisa nesta área ainda é escassa e, por isso, são necessários mais estudos para se perceber concretamente as consequências do surgimento de certos antibióticos no esperma.

Além disso, os investigadores ainda não conseguem esclarecer com precisão qual é o risco de se ter uma reação alérgica quando se tem alergia à penicilina e o parceiro sexual está a tomar este tipo de antibióticos.

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