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Segundo caso no mundo de gémeos semi-idênticos surpreende cientistas

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Getty Images

Os gémeos, em linguagem comum, ou são "verdadeiros" ou "falsos". Em linguagem científica, são monizigóticos ou dizigóticos. A terceira hipótese é que ninguém sabia que existia até aparecer um caso em 2007

Uma menina e um menino australianos, agora com quatro anos, são apenas o segundo caso de gémeos semi-idênticos alguma vez verificado e com uma particularidade que o torna único: foi detetado ainda durante a gravidez.

Nicholas Fisk, que liderou a equipa que acompanhou a mãe, de 28 anos, e os bebés, no Royal Brisbane and Women's Hospital, em 2014, explica que uma ecografia de rotina, às seis semanas de gestação, sugeria que os gémeos eram idênticos, partilhando, por isso, a mesma placenta. Mas, meses depois, nova ecografia fez outra revelação: os gémeos não podiam ser "verdadeiros" porque tinham sexos diferentes.

No caso dos gémeos monozigóticos, um óvulo é fertlizado por um espermatozoide, mas, na fase seguinte, o bloco de células formado na fase inicial do desenvolvimento divide-se e dá origem a outro grupo, formando dois embriões geneticamente idênticos; No outro caso, dos chamados "gémeos falsos", são dois óvulos, que são fertilizados por dois espermatozoides - daí resultam dois bebés que não têm mais semelhança genética do que um par de irmãos não gémeos.

Perante a revelação da segunda ecografia, a equipa começou a aprofundar o caso, analisando líquido extraído dos dois sacos amnióticos, conforme escreve Michael Gabbet, principal autor do estudo publicado no New England Journal of Medicine. Os médicos estavam perante um par de bebés que não eram monizigóticos nem dizigóticos, mas algo geneticamente algures no meio, ou seja, idênticos da parte da mãe, mas partillhando apenas uma parte do ADN do pai. São gémeos sesquizigóticos.

O fenómeno é extremamente raro. Só se conhece outro caso e data de 2007, nos Estados Unidos.

"O que aconteceu foi uma sequência invulgar de acontecimentos", explica Gabbett. Os investigadores acreditam que dois espermatozoides fertilizaram um único ovo - um era portador do cromossoma X e outro do cromossoma Y. Daqui resultaram três "conjuntos genéticos", em vez dos dois habituais: um com os dois cromossomas do pai e nenhum da mãe e os outros com o cromossoma da mãe e um dos do pai. Esta mistura resultou em dois embriões com células que contêm cromossomas do primeiro espermatozoide e outras que contêm apenas cromossomas do segundo.

Como um dos gémeos é rapaz e o outro rapariga, os investigadores acreditam que o rácio deste tipo de células não é idêntico: um embrião tinha mais células com o cromossoma XY, e nasceu menino, e o outro tinha maior proporção de células como cromossoma XX, e nasceu menina.

O caso anterior de gémeos sesquizigóticos foi detetado apenas porque os bebés nasceram sem os genitais bem definidos, o que não aconteceu com estes gémeos australianos. No entanto, a juntar a um coágulo sanguíneo que formou pouco antes do parto e que obrigou à amputação de um braço do bebé do sexo feminino às quatro semanas de vida, os médicos descobriram, aos três anos, que os seus ovários não se tinham formado completamente, o que aumentaria o risco de cancro da menina, levando-os a optar pela sua remoção.

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