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Já há uma imagem que mostra a nicotina a servir-se das células para reforçar dependência 

VISÃO Saúde

Quando o biossensor deteta a presença de nicotina junto às células ativa uma cor fluorescente

Sempre que se acende um cigarro, há uma substância que inunda o cérebro, associando-se a recetores na superfície dos neurónios e produzindo sentimentos de felicidade. Agora, com a ajuda de um sensor, um grupo de cientistas conseguiu rastrear o movimento da nicotina para compreender melhor como cria dependência

O que Henry Lester, professor de Biologia na Caltech, na Califórnia, e a sua equipa fizeram foi implantar um sensor no chamado retículo endoplasmático de uma célula, que é o equivalente à fábrica e armazém da própria célula, ou seja, o local em que as proteínas são sintetizadas até serem transportadas para outro locais, dentro ou fora da célula. Entre essas proteínas, estão os recetores a que a nicotina se associa e que ficam à superfície.

Depois, quando as moléculas de nicotina entram no corpo, vão pela corrente sanguínea até ao cérebro, onde encontram os tais recetores. É aí que os neurónios, nome por que conhecemos essas células nervosas, desencadeiam os processos de libertação das substâncias químicas de recompensa e felicidade.

Mas o que acontece depois, quando a nicotina se transfere para as células, isso, ainda não foi bem compreendido. Sabe-se já que alguns desses recetores permanecem no tal armazém - o retículo endoplasmático - onde também se podem ligar à nicotina. Agora, na esperança de conhecer melhor os efeitos da nicotina dentro das células, a equipa conduzida por Lester desenvolveu um biossensor que permite visualizar onde é que a substância se fixa.

Esse biossensor contém assim uma espécie de proteína especial que pode abrir e fechar, como se lançasse uma armadilha, e também uma proteína fluorescente inativada. Desenhado para se fixar em torno das moléculas de nicotina, quando as encontra ativa a tal cor e brilha intensamente. É a imagem desse momento, conseguido pela Caltech, que foi agora publicada pelo Journal of General Physiology.

Ao observarem as células em que os biossensores se fixaram, os cientistas constataram ainda que a nicotina entra no retículo endoplasmático poucos segundos depois de aparecer perto da célula.

Além disso, os níveis de nicotina são - sempre! - suficientemente altos para afetar esses recetores. O resultado são neurónios mais sensíveis à nicotina, o que aumenta o efeito de recompensa depois de uma "passa" num cigarro. Ou seja, quanto mais uma pessoa fuma, mais rapidamente e facilmente sente essa sensação.

É quando se considera que se desenvolveu um vício em nicotina: à falta dela, o cérebro vai receber menos dopamina, uma das tais substâncias de recompensa, e produzir antes norepinefrina, que regula a ansiedade e o humor. Daí que, quando alguém deixa de fumar, fica nervoso e irritado.