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O que afeta e o que preserva a fertilidade

VISÃO Saúde

Uma dieta cuidada e boas noites de sono fazem parte do caminho certo para manter a fertilidade. Não caia nos erros que podem atrasar ou afetar o processo reprodutivo. Siga os conselhos e evite as más decisões

Ajuda a fertilidade

Comer Peixe

Uma alimentação equilibrada, como se sabe, faz bem a todos. No casais que querem ter filhos, a receita é a mesma, apenas com algumas nuances. Devem-se evitar os açúcares e gorduras, e dar primazia aos vegetais, fruta e leguminosas.

No caso dos homens, os alimentos ricos em vitaminas antioxidantes melhoram o desempenho dos espermatozoides. Mas há um outro alimento que é propício para os dois: o peixe. Até parece contranatura estar a recomendar-se, devido aos avisos sobre o mercúrio, mas na verdade é rico em Ómega 3 (um ácido gordo importante para o corpo humano). Um estudo recente, feito com 501 casais e publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, acompanhou a alimentação diária dos mesmos ao longo de um ano ou até a mulher ficar grávida.

Segundo os investigadores de Harvard, os resultados mostraram que os casais que comeram peixe duas ou mais vezes por semana tiveram êxito mais rápido do que os que comiam uma ou nenhuma vez. Ao fim de um ano, 92% dos casais que comeram mais peixe estavam à espera de bebé, enquanto do lado dos que o fizeram com menos frequência só 79% estavam “grávidos”. A sardinha, o salmão e o atum são dos mais ricos em Ómega 3.

Vacinas em dia
Em Portugal, as vacinas ainda não são obrigatórias e a discussão mantém-se se deveriam ser ou não. A Direção-Geral de Saúde aconselha a que sejam tomadas e, por isso, existe um Programa Nacional de Vacinação com 14 doenças que devem ser prevenidas através das vacinas administradas desde o nascimento e ao longo da vida.

Quem deseja engravidar deve ter o boletim de vacinas devidamente preenchido, ou seja, em dia. Incluindo as vacinas para a rubéola (doença que, se contraída por uma grávida, pode levar a malformações do feto), hepatite B (o vírus ataca o fígado e, no caso das gestantes, pode ser passado para o bebé) e a papeira (como pode disseminar-se pelo corpo, se afetar os testículos pode trazer alguns problemas, embora os casos de esterilidade sejam raros).

Ioga
A ansiedade é inimiga da fertilidade. Um estudo publicado na revista Fertility and Sterility diz que 45 minutos de ioga por semana ajudam as mulheres a relaxar e aumentam as hipóteses de engravidar. Um grupo de mulheres em tratamento para a infertilidade foi dividido em dois, algumas praticaram ioga durante seis semanas, as outras não.

As primeiras reduziram os seus níveis de ansiedade em 20% durante esse período, enquanto as outras apenas 2%.
A prática de ioga e meditação reduzem os níveis de cortisol – hormona cuja função é ajudar o organismo a controlar o stresse e a reduzir inflamações –, ajudando ao relaxamento do corpo e da mente.

Uma outra investigação publicada na mesma revista, realizada com mulheres entre os 18 e os 40 anos que estavam a tentar engravidar, refere que as que tinham um alto nível de cortisol reduziram em 12% as hipóteses de engravidar. Aliás, o tema do ioga e da fertilidade já deu à estampa vários livros com conselhos e dicas para engravidar.

Sono descansado
Uma boa noite de sono é uma forma de fazer reset. Não só restabelece a cabeça e o nosso sistema orgânico, como regula as hormonas do corpo, incluindo as da fertilidade. Dormir oito horas de forma regular, deitar e acordar sempre à mesma hora são os melhores conselhos.

Prejudica a fertilidade

Peso errado
Peso a mais ou excesso de magreza não são bons indicadores para quem pretende engravidar. Os desequilíbrios hormonais podem afetar a ovulação. Nos homens, a obesidade está associada a menos produção de testosterona, prejudicando a qualidade do esperma.


Vários estudos recomendam perda de peso se o Índice de Massa Corporal (IMC) estiver na categoria de sobrepeso ou obesidade e aumento de quilos para quem tem IMC abaixo do recomendável. As investigações científicas dizem que quem tem o IMC errado pode levar mais tempo a engravidar do que os regulares 12 meses.


Segundo a Organização Mundial de Saúde, um índice saudável situa-se entre os 18,5 e os 24,9. Mais de 25 e até 29,9 é considerado excesso de peso, e acima de 30 obesidade.
Como calcular o seu IMC? Dividir o peso, em quilos, pela altura, em metros ao quadrado. Por exemplo, se o seu peso for de 65 kg e a sua altura 1,70 metros, deve dividir 65 por 1,7 ao quadrado e o resultado será 22,5.

Cigarros
Os cigarros fazem mal. É uma verdade insofismável. E fazem mal a todos, independentemente da idade, e, neste caso, de estar ou não a querer engravidar. Porém, não vale a pena fugir à realidade: muitas pessoas fumam. Quem o faz demora mais tempo a procriar e tem mais tendência para ter problemas de fertilidade.


O tabaco prejudica todos os estados do processo reprodutivo, incluindo a fecundação do óvulo com o espermatozoide, a produção de hormonas, o transporte do embrião e o ambiente no útero. Também pode provocar danos no DNA dos óvulos e dos espermatozoides. Alguns estudos referem que é mais fácil a mulher deixar de fumar se o seu parceiro, caso fume, também o fizer na mesma altura.


Stresse
Altos graus de stresse alteram os níveis hormonais naturais do corpo e podem prejudicar, nas mulheres, a ovulação, e, nos homens, o esperma.


Algumas investigações mostraram que o stresse pode interferir com a fertilidade porque impede a ação de uma hormona essencial na reprodução, a hormona libertadora de gonadotrofinas (conhecida pela sigla GnRH).

Um estudo da Universidade de Berkeley, na Califórnia, refere também que o stresse aumenta uma outra hormona, a hormona inibidora de gonadotrofinas (GnIH) que, por sua vez, impede a atividade da primeira. Ou seja, o stresse não envolve apenas a boa hormona da fertilidade, também faz com que o corpo solte uma outra hormona que a prejudica ainda mais.

Os estudos são indicadores, sim, mas há sempre outras variáveis e ninguém lida com o stresse da mesma maneira. Além disso, 
o stresse, em si, não é mau, mas em excesso, e se reagirmos a ele de forma negativa, tem impactos variados na saúde.

Álcool a mais
Beber um copo de vinho faz mal? E se forem dois? Beber muito, e regularmente (sete ou mais bebidas por semana ou três de uma só vez), afeta a fertilidade e aumenta o período de tempo para engravidar.

Além disso, as mulheres que ingerem muito álcool são mais propensas a ter menstruações irregulares. Já os homens podem ter menos quantidade, e qualidade, de esperma. Uma equipa de investigadores acompanhou, durante três anos, 430 casais com idades entre os 20 e os 35 anos.

Os resultados mostraram que as mulheres que ingeriram até cinco bebidas por semana diminuíram a capacidade fértil. O conselho que se dá às mulheres, na fase em que estão a tentar engravidar, é o de não beberem álcool.

Media for Medical/Getty

Positivo ou negativo?

Um casal saudável que queira ter filhos, normalmente, consegue-o até 12 meses depois de começar a tentar. Caso isso não aconteça, deve procurar os conselhos médicos