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Afinal, fazer Sudoku ou palavras cruzadas não ajuda a retardar a demência

VISÃO Saúde

Um novo estudo conclui que existem outras atividades mais indicadas para atrasar o desenvolvimento desta doença

Afinal, fazer jogos de treino da mente como o Sudoku e palavras cruzadas não ajuda a atrasar problemas como a demência, ao contrário do que se pensava até então.

Esta é a conclusão de um estudo realizado por uma equipa de investigadores do Hospital Aberdeen Royal Infirmary e da Universidade de Aberdeen, na Escócia, que descobriu que este tipo de jogos não protege o cérebro de problemas relacionados com o declínio cognitivo, no futuro.

A equipa acompanhou quase 500 pessoas nascidas no ano de 1936 e que tinham participado num mesmo teste de inteligência aos 11 anos. A investigação começou quando todos os participantes completaram 64 anos e, ao longo de 15 anos, foram submetidos cinco vezes a testes de velocidade de processamento de informação e memória verbal.

Os resultados mostraram que, embora fazer jogos como o Sudoku possa ajudar a aumentar a capacidade mental, essas atividades não tiveram influência sobre o declínio mental à medida que as pessoas foram envelhecendo.

Pelo contrário, um estudo publicado em 2003 sugere que as pessoas que, pelo menos duas vezes por semana, leem, fazem jogos de tabuleiro e tocal algum instrumento musical reduzem significativamente os riscos de demência.

À BBC, David Reynolds, diretor científico da Alzheimer's Research UK, diz que, uma vez que a nova pesquisa não considerou pessoas com demência, não se pode perceber de que forma "atividades específicas de treino cerebral afetam o risco de uma pessoa vir a ter essa condição”.

O médico acrescenta, ainda, que manter-se mentalmente ativo e em forma física, seguir uma dieta saudável e equilibrada, não fumar e beber dentro do aconselhado, assim como manter a colesterol e a pressão sanguínea em valores normais são "boas maneiras de ajudar a atividade cerebral à medida que envelhecemos".

O artigo foi publicado na revista científica British Medical Journal.