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Obesidade responsável por meio milhão de cancros por ano

VISÃO Saúde

Justin Sullivan / GettyImages

Todos os anos, 4% dos cancros diagnosticados a nível mundial têm em comum a sua origem na obesidade, mas a taxa quase duplica em países como os EUA. São 500 mil casos de cancro atribuíveis ao peso excessivo

Um novo estudo levado a cabo pela Universidade de Harvard e pelo Imperial College de Londres sugere que a obesidade não é apenas um fator de risco para o cancro: é responsável por 544.300 casos por ano, em todo o mundo. Mas se nos Estados Unidos, onde um em cada três adultos é obeso, o excesso de peso responde por quase 7% dos casos, em países pobres com a Etiópia ou a Índia, a taxa cai para menos de 1 por cento.

A ligação entre a obesidade e o cancro continua pouco clara, ao contrário da relação entre este fator e o aumento do risco de doenças cardíacas ou diabetes, por exemplo. Uma das hipóteses considerada é a de que os níveis elevados de insulina encontrados nas pessoas com excesso de peso estimulem o crescimento de alguns cancros; Outra aponta para a inflamação relacionada com a obesidade, que pode ser cancerígena em si; No caso das mulheres, a obesidade pode provocar um aumento dos níveis de estrogénio, o que, por sua, vez, contribui para o surgimento de cancros da mama e do endométrio.

Em março deste ano, a Cancer Research UK divulgou um estudo que associava a obesidade na idade adulta a 13 tipos de cancro e, mais recentemente, a ciência concluiu que ser obeso é uma causa provável dos cancros da próstata, da boca e do esófago.

Entre 1975 e 2016, a prevalência da obesidade em adultos aumentou cerca de 40%, o que, juntamente com o aumento global da população, levou a uma subida de 100 milhões para 671 milhões o número de obesos.

Sem avaliar o mecanismo que liga o problema ao cancro, esta nova investigação debruçou-se antes sobre as possíveis causas de obesidade, entre fatores como os políticos e económicos, que estimulam o consumo, ambientais, alimentares, comportamentais, como a falta de exercício físico, e a predisposição genética.

No entanto, apesar de terem concluído que um aumento da riqueza nacional promove alterações a nível demográfico, tecnológico e de nutrição (como os alimentos processados), que podem conduzir à obesidade, os investigadores sublinham que o crescimento económico não está, necessariamente, associado ao excesso de peso. Se em países ocidentais ricos as taxas de obesidade são particularmente altas, assim como a proporção de cancros relacionados com obesidade, em alguns países asiáticos com economias igualmente saudáveis, as dietas tradicionalmente pobres em gorduras e as infraestruturas que encorajam o andar a pé diariamente contrapõem essa tendência.