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Mitos relacionados com a sensação de barriga inchada e formas de a combater

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Não há alimentos milagrosos para os sintomas de barriga inchada e o sódio não piora o problema. Esta e outras ideias erradas sobre a sensação de inchaço abdominal que são desmitificadas

Sentir a barriga inchada depois das refeições acontece com muita frequência e pode estar relacionado com fatores muito diferentes, incluindo a acumulação de gases ou a obstipação, o excesso de peso, uma alimentação sem regras (com ingestão de alimentos muito processados, com muita gordura e pouca fibra) e apressada e até a acumulação de stress.

É importante, por isso, perceber as razões que provocam essa sensação de inchaço para se conseguir atuar da melhor maneira. Isto porque, às vezes, o que parece não é e, ao tentar soluções que acha serem corretas, pode estar a manter ou até a piorar o problema.

Estes são alguns mitos relacionados com a sensação de barriga inchada e algumas formas eficazes de a combater:

1. A sensação de barriga inchada tem uma causa comum

Sentir-se demasiado "cheio" depois de comer ou ficar com o estômago dilatado após as refeições pode parecer fruto da mesma causa: uma refeição pesada, principalmente à noite. Mas a verdade é que esta sensação é muito subjetiva e pode significar problemas diferentes, assim como formas de tratamento diferentes.

"Muitas vezes, as pessoas chegam com um autodiagnóstico que, frequentemente, tem muito pouco a ver com as causas reais dos seus sintomas", explica à CNN Yevgenia Pashinsky, gastroenterologista no Hospital Mount Sinai, em Nova York.

Há pessoas que já são mais suscetíveis a este problema e uma das causas é a Síndrome do intestino irritável, uma perturbação motora do tubo digestivo em que o tecido muscular do intestino é mais sensível e reage de forma mais intensa à alimentação.

Neste caso, evitar certos alimentos é a melhor forma de controlar os seus sintomas. Alguns alimentos como o feijão, repolho, couve-flor, cebola crua, uva e ameixa são causadores de dor ou distensão em certos doentes. Mas também, o vinho, a cerveja e bebidas com cafeína podem não ser tolerados.

A flatulência é outro dos motivos que pode provocar o inchaço abdominal e que, em casos mais excessivos, pode ser acompanhada de diarreia. Para evitar este problema, não se deve comer muito rápido ou conversar enquanto se mastiga, comer pastilhas, bebidas com gás e fumar. As carnes e alimentos muito ricos em proteínas, como ovos e tofu ou também provocam gases.

Os doentes celíacos também sofrem, frequentemente, deste problema, e, para estes pacientes, o recomendado é que sigam uma dieta rigorosa, sem glúten.

As diferenças hormonais também podem provocar sensação de barriga inchada. Neste caso, o exercício pode ajudar, assim como beber líquidos e comer fruta, legumes e grãos integrais, que evitam a prisão de ventre.

2. Consegue resolver o problema sem ajuda de um médico ou nutricionista

Pode pensar que consegue melhorar os sintomas de barriga inchada evitando ou ingerindo com mais frequência certos alimentos ou a praticar mais exercício, por exemplo. Contudo, isto não chega, já que o inchaço pode estar ligado a problemas mais graves de saúde que são diagnosticados apenas com o apoio de um gastroenterologista.

Além disso, é importante consultar um nutricionista que, de acordo com a causa do inchaço, realiza um plano de refeição adequado a si, com os nutrientes, proteínas e fibras que precisa, sem restringir alimentos que até podem ser essenciais para si

3. O sódio provoca inchaço

Existe a ideia de que alimentos com muito sódio provocam retenção de líquidos e sensação de inchaço. Contudo, a nutricionista americana Tamara Freuman diz que, apesar de, realmente, poder causar retenção de líquidos, já que está relacionada com o equilíbrio entre o sódio e a água e envolve os rins e os vasos sanguíneos, a sensação de inchaço aparece com mais frequência no rosto e nas extremidades do corpo e não no abdómen.

À CNN, a nutricionista explica que, embora seja verdade que fazer uma dieta pobre em sal e beber mais água possa ajudar a diminuir a retenção de líquidos caso os rins estejam a funcionar adequadamente, não vai ter qualquer efeito no seu inchaço abdominal.

É importante, por isso, saber distinguir os sintomas, já que inchaço abdominal e inchaço provocado pela retenção de líquidos são situações muito diferentes e que implicam formas de agir distintas.

4. O inchaço pode ser provocado por um desequilíbrio bacteriano

Há quem diga que a sensação de barriga inchada é provocada pelas bactérias presentes na microbiota intestinal e que fazem com que o desconforto abdominal e certas doenças apareçam.

A verdade é que se podem dividir os tipos de bactérias existentes em três tipos: os probióticos, ou “bactérias do bem”, que podem produzir vitaminas e ácidos gordos benéficos para a saúde; as bactérias comensais, que são inofensivas; e bactérias potencialmente patogénicas ou prejudiciais.

Todas as pessoas hospedam bactérias dos três grupos mas há quem pense que comer mais alimentos ricos em probióticos - iogurtes e queijos, por exemplo - vai reduzir a sensação de barriga inchada. Contudo, esta noção é errada já que, segundo Tamara Freuman, as conhecidas bactérias do bem podem fermentar nutrientes na mesma medida que as "más" bactérias, podendo provocar gases.

5. Certos alimentos eliminam o inchaço completamente

Apesar de haver alimentos que podem ajudar a reduzir os sintomas, não há nenhum que elimine milagrosamente a sensação de barriga inchada.

Até porque, às vezes, adicionar alimentos à dieta pode piorar o inchaço. "Se estiver com muitos gases e comer espargos ou aipo, pode pensar que vai desaparecer, mas isso pode não acontecer", explica a nutricionista. O ideal é consultar um nutricionista, em vez de procurar a resolução do problema em algum alimento específico.

6. O inchaço na barriga é gordura

Há uma grande diferença entre ter a sensação de barriga inchada e acumular gordura na zona abdominal. Muitas pessoas confundem as duas e, para o segundo caso, a solução é a perda de peso de forma saudável, com uma dieta rica em proteínas e fibras, poucas calorias e, claro, com a realização de exercício físico.