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Novo estudo relaciona a radiação emitida pelos smartphones com o desenvolvimento de cancro

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Uma experiência realizada durante uma década por investigadores americanos em ratos concluiu que a exposição à radiação emitida pelos telemóveis aumentou o desenvolvimento de certos tumores nestes animais

Um vasto estudo realizado durante dez anos por investigadores americanos, que pretendia testar os efeitos e toxicidade da radiação emitida pelos telemóveis, deu conta de que altos níveis de exposição a este tipo de radiação estão ligados ao desenvolvimento de certos cancros em ratos machos.

O relatório, publicado pelo National Toxicology Program (Programa Nacional de Toxicologia, NTP) do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, refere que foram encontradas evidências de ligação a tumores cardíacos, mas também alguma relação com tumores cerebrais e nas glândulas supra-renais em ratos machos, em comparação com os animais que não foram expostos à radiação. Contudo, estes resultados ainda não são muito claros.

A equipa descobriu, por outro lado, que os ratos machos expostso às radiações viveram mais tempo, o que, segundo os investigadores, teve a ver com menos casos de problemas renais.

Na experiência, os ratos foram expostos a níveis de radiação de ondas de rádio muito mais elevados - e durante mais tempo (9 horas diárias durante maior parte das suas vidas) -em relação aos valores a que os humanos são submetidos, mas os investigadores afirmam que esta relação entre as emissões de radiação e o desenvolvimento de cancros é real, pelo menos para ratos machos.

John Bucher, um dos cientistas do NTP e autor do relatório, diz, contudo, que os valores de exposição utilizados na experiência "não podem ser diretamente comparados à exposição que os humanos experimentam quando usam um telemóvel", já que os ratos receberam radiação de radiofrequência por todo o corpo. "Por outro lado, as pessoas são expostas em tecidos locais específicos perto do local onde seguram o telemóvel", explica o investigador.

Este estudo, que envolveu mais de 30 mlihões de dólares (mais de 26 milhões de euros), teve em conta os sinais 2G e 3G, os tipos mais utilizados no momento em que a experiência começou. Contudo, os investigadores afirmam que as conclusões são relevantes hoje, já que a maioria dos telemóveis ainda utiliza essas bandas, ao mesmo tempo que usa o wifi e o 4G.