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O que é a vitamina P, para que serve e onde ir buscá-la

VISÃO Saúde

D.R.

Bem distante da popularidade das vitaminas C, D ou mesmo B e E, a chamada vitamina P, na verdade, nem é uma vitamina, mas sim o conjunto de bioflavonoides, com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias

Vitamina P é o nome dado ao conjunto de bioflavonoides, componentes encontrados em vários vegetais e citrinos, assim como no mel e em alimentos como o chá, e que são responsáveis pela pigmentação de plantas e frutos.

As suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias são mencionadas em vários estudos, assim como a sua ação positiva na circulação sanguínea e na prevenção de coágulos sanguíneos, uma vez que ajuda a fortalecer e aumentar a flexibilidade dos vasos sanguíneos.

Foram identificados, até agora, mais de 4 mil tipos de bioflavonoides e sabe-se que são eles que fornecem a muitas frutas e vegetais os seus sabores e cheiros. Para a nossa saúde, desempenham um papel de proteção do organismo contra doenças crónicas e inflamatórias. E existem várias formas de conseguir obter os benefícios desses componentes de forma natural, principalmente através da alimentação.

Citrinos, chá e cacau

Uma investigação publicada na revista científica Journal Of Nutrition deu conta de que as pessoas que seguem uma dieta rica em frutas como a laranja, o limão e a clementina, por exemplo, ou sumos naturais, têm um risco 31% menor de sofrerem um AVC relativamente às que não ingeriam estas frutas. Os citrinos são a principal fonte de flavanonas, um tipo de bioflavonóides associado a uma melhor circulação sanguínea e a melhores níveis de colesterol.

Isto porque se acredita que estes bioflavonoides produzam um efeito protetor nos vasos sanguíneos, melhorando a sua elasticidade: uma das teorias é que as flavanonas aumentam os níveis de óxido nítrico, a substância química que relaxa e dilata as artérias.

Um outro estudo de pesquisadores de Taiwan concluiu que pessoas que bebem cerca de 450 ml de chá preto ou verde por dia durante, pelo menos, um ano, ficam com menos rigidez arterial, relativamente às que bebem menos chá. A menor flexibilidade das artérias pode fazer com que a subida da pressão arterial danifique as artérias, o que aumenta muito a probabilidade de se vir a ter um ataque cardíaco ou AVC.

O chá contém catequina, um derivado dos flavonoides que ajuda a interromper o crescimento de células cancerígenas, evita o aumento do colesterol e reforça o sistema imunológico.

Também os flavonoides presentes no cacau podem ter benefícios para a saúde. Um estudo de investigadores italianos que testou os efeitos dos flavonóides do cacau em quase 100 pessoas saudáveis deu conta de que a sua ingestão em doses consideráveis fez com que os resultados de testes de atenção e memória fossem mais altos.

Os participantes consumiram 200 mg de um suplemento por dia, mas a equipa diz que se pode conseguir a mesma quantidade de flavonoides numa chávena de chocolate quente feito com cacau em pó.


Alimentos de cor vermelha, azul e roxa

Os flavonoides conhecidos por antocianinas são os responsáveis pelas cores vermelhas e azuis de alimentos como as framboesas, os mirtilos e os morangos, assim como as ameixas e beringelas, mas há mais. Vários estudos têm associado estes alimentos a uma ação anti-inflamatória e antioxidante, assim como à ajuda na diminuição da tensão alta.

Novas evidências sugerem, também, que as antocianinas possam ter efeitos antidiabéticos, já que ajudam no controlo da libertação de glicose para a corrente sanguínea.

Cebola, brócolos e gengibre

Também alimentos com quercetina são benéficos para a saúde. Este flavonóide, encontrado em cebolas, nos brócolos e no gengibre, por exemplo, tem propriedades anti-inflamatórias, antivirais, mas também anti-histamínicas, protegendo contra alergias: um estudo realizado por investigadores da Universidade de Osaka, no Japão, deu conta de que os suplementos de quercetina mostraram-se eficazes em aliviar os olhos irritados associados à alergia ao pólen, mas quando a dosagem era equivalente a consumir mais de duas cebolas grandes por dia.

Em vez disso, ingerir cebolas e, ao mesmo tempo, comer outras frutas e vegetais que tenham quercetina (maçã, couve, espargos e feijão verde, por exemplo) pode atingir a dose pretendida, que é cerca de de 150 mg por dia.