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Investigadores acreditam que os desinfetantes para uso domésticos podem contribuir para a obesidade infantil

VISÃO Saúde

Um novo estudo canadiano sugere que este tipo de produtos altera a presença de alguns microrganismos presentes nos intestinos das crianças expostas a eles

A obesidade infantil também pode estar ligada à exposição das crianças a certos desinfetantes utilizados para limpar as casas.

Esta é a conclusão de um novo estudo publicado na revista científica Canadian Medical Association Journal, que sugere que esses produtos podem alterar certos microrganismos intestinais e fazer com que as crianças fiquem mais facilmente com excesso de peso.

Os investigadores deram conta de que os bebés expostos a desinfetantes para uso doméstico têm um índice de massa corporal (IMC) mais alto aos três anos, relativamente àqueles que vivem em casas onde são utilizados apenas produtos ecológicos

O estudo baseou-se no acompanhamento da flora intestinal de mais de 700 crianças, ainda durante a gravidez, passando pela infância.

Ao recolherem várias amostras, os pesquisadores perceberam que os bebés que frequentavam casas onde os desinfetantes eram utilizados pelo menos uma vez por semana tinham níveis mais altos de uma bactéria associada à obesidade, a Lachnospiraceae, aos três ou quatro meses de idade, relativamente aos bebés que estavam em casas onde não se usavam estes produtos com frequência.

Já aos três anos de idade, o IMC destas crianças também era maior do que o daquelas que não estavam tão expostas aos desinfetantes.

Anita Kozyrskyj, uma das autoras do estudo, diz, de acordo com o The Independent, que os resultados sugerem que a microbiota intestinal - grupo de microorganismos presentes nesse órgão - são os responsáveis pela associação entre o uso de desinfetantes e o excesso de peso.

Mas, apesar de níveis mais elevados da bactéria Lachnospiraceae estarem relacionados com uma maior gordura corporal e resistência à insulina, é normal encontrá-la nos intestinos, já que existem cerca de mil espécies de bactérias só nesse órgão.

A investigadora diz que, apesar dos resultados do estudo, não é recomandada a compra de produtos ecológicos como um resultado direto desta investigação, porque não foi provada nenhuma relação de causalidade.

Sally Bloomfield, professora na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, mostrou várias reservas em relação a esta descoberta.

"Este estudo deve ser considerado apenas como uma indicação preliminar de que o uso de desinfetantes pode ser um fator que contribui para reduzir a diversidade microbiana do intestino, juntamente com fatores como o nascimento por cesariana ou o uso excessivo de antibióticos", defende a especialista, segundo o The Independent.