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Contra a dor de costas, caminhar, caminhar

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Andar é o melhor remédio para prevenir a principal causa de incapacidade física em Portugal. Mas há mais práticas recomendadas, indica o presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Andar, andar, andar. Simples, barato e eficaz. Não é de agora que as dores de costas são a maior causa de incapacidade física em Portugal, mas o problema tem vindo a intensificar-se ao longo da última década. Para o prevenir, não há melhor exercício do que fazer caminhadas.

“A caminhar melhoramos a estrutura óssea e a estrutura muscular da coluna”, sublinha Manuel Tavares de Matos, presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral. “Quando levantamos o joelho para dar um passo, estamos a reforçar o músculo psoas-ilíaco, que dá suporte à coluna”, explica o ortopedista.

Tendões, ligamentos, a capacidade de equilíbrio e o sistema nervoso central também são trabalhados durante o exercício básico de andar, que no fundo acaba por “fomentar todos os resursos da coluna”, acrescenta Manuel Tavares Matos. Não é por acaso que é das recomendações mais ouvidas nos consultórios por quem se queixa de dores de costas.

O médico recorre à imagem de um recém-nascido para ilustrar como todos nós, depois de nascermos com uma curvatura acentuada na coluna, numa única direção, desenvolvemos duas curvaturas em sentido contrário, uma na cervical e outra na zona lombar, que nos conferem os atributos de um ser bípede, ou seja, esta capacidade de nos deslocarmos apoiados em dois membros que nos distingue dos outros primatas. “Andar é a base da nossa vida. Se não a estimulamos vamos perder essa capacidade”, argumenta.

Os dados mais recentes do estudo mundial Global Burden of Disease, da Universidade de Washington, relativos a 2016, indicam que as dores nas costas permanencem como a principal causa de deficiência física em Portugal, bem à frente das relacionadas com os orgãos responsáveis pelos cinco sentidos e das depressões. Desde 2005, registou-me um aumento de 10,2% no número de anos que as pessoas vivem com problemas de coluna. Oito a cada dez portugueses enfrentam, pelo menos uma vez na vida, um episódio de lombalgia.

Para fintar esta estatística, há outras medidas preventivas a adotar para além das caminhadas, que têm a vantagem de serem acessíveis a todos. Manuel Tavares Matos avança que praticar natação, andar de biclicleta, fazer hidroginástica e andar dentro de água (para quem tem dificuldade em caminhar) são outras opções válidas para reforçar a estabilidade da coluna vertebral. Lesões como hérnias discais ou a osteofitose (mais conhecida por bicos de papagaio) podem causar bastantes dores e resultam dessa falta de estabilidade, em virtude do desgaste dos discos que separam as vértebras. Quedas, passar muito tempo à secretária, stresse ou esforços excessivos estão entre as várias origens destes problemas. Para quem levar a sério o conselho de caminhar com regularidade, é certo que o risco será sempre menor.